Brasil perde R$ 1 trilhão por ano com transições no trabalho, diz Pearson. Pesquisa sugere ações urgentes para combater desemprego estrutural.
O Brasil perde R$ 1 trilhão por ano com transições no trabalho, diz Pearson, e o levantamento mostra que essa perda ocorre principalmente pela dificuldade de recolocar profissionais após deixarem um emprego.
O estudo aponta que o problema acontece porque os trabalhadores demoram mais para se reinserir no mercado, evidenciando falhas no processo de aprendizado, qualificação e adaptação às novas demandas profissionais.
Segundo o relatório Perdidos na Transição, o Brasil apresentou a maior perda proporcional entre todas as regiões observadas.
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O cenário, portanto, reforça por que a economia nacional ainda enfrenta dificuldades estruturais para acompanhar mudanças tecnológicas e transformações no mercado de trabalho.
Brasil perde R$ 1 trilhão por ano com transições no trabalho, diz Pearson
A pesquisa da Pearson mostra que R$ 1,08 trilhão deixam de ser gerados no país anualmente por falhas nas três etapas estudadas do ciclo laboral.
Entre elas, a mais crítica é a transição de um emprego para outro, responsável por R$ 701 bilhões desse.
Esse número coloca o Brasil no topo global em ineficiência no momento de recolocação profissional. O país registra, em média, 42 semanas para que um trabalhador consiga um novo emprego.
Para efeito de comparação, o tempo é mais que o dobro do observado no Canadá (18 semanas) e significativamente superior ao do Reino Unido (32 semanas).
Assim, a Pearson estima que reduzir esse intervalo em apenas 20% poderia gerar um ganho adicional de R$ 140 bilhões ao ano, fortalecendo a produtividade e acelerando o crescimento econômico.
Descompasso entre educação e mercado trava recolocação
De acordo com Cinthia Nespoli, CEO da Pearson no Brasil, o problema é estrutural e envolve um desalinhamento histórico entre formação profissional e exigências de empresas e setores produtivos.
“Quando olhamos para o resultado, conseguimos ver que existe um descompasso entre o que a educação e os mercados entregam às empresas, versus aquilo que a economia demanda”, afirma Nespoli.
Além disso, a executiva destaca outro ponto crítico: um quinto dos jovens de 18 a 24 anos não trabalha nem estuda. Esse grupo, conhecido como “nem-nem”, compromete o potencial de crescimento do país justamente por representar uma parcela essencial da força de trabalho futura.
Automação aprofunda perdas e pressiona setores
O relatório também revela que a automação é responsável por R$ 241 bilhões das perdas anuais cerca de 22% do total.
Mesmo que esse impacto ainda seja menor do que o gerado pelas transições entre empregos, ele tende a crescer nos próximos anos.
A pesquisa alerta que 32% dos empregos no Brasil estão sob alto risco de substituição por tecnologias automatizadas.
Nespoli reforça que o país pode antecipar movimentos de outras nações para evitar perdas maiores:
“A gente já sabe o que gerou perda maior em outras economias, estamos num momento de maturidade tecnológica que proporciona a oportunidade de se preparar melhor.”
Da educação ao trabalho: impacto ao longo da vida
Embora tenha peso menor no prejuízo total, a transição da educação para o primeiro emprego também preocupa.
Segundo a Pearson, falhas nessa etapa comprometem não apenas o início da carreira, mas toda a trajetória profissional e os rendimentos futuros.
A falta de integração entre instituições de ensino e o mercado acaba ampliando desigualdades e reduzindo a produtividade da mão de obra.
Portanto, políticas públicas de orientação, capacitação e acesso ao trabalho se tornam ainda mais urgentes.
Recomendações para reduzir perdas bilionárias
O estudo Perdidos na Transição conclui que o Brasil precisa agir em duas frentes prioritárias para reverter o quadro em que Brasil perde R$ 1 trilhão por ano com transições no trabalho, diz Pearson:
1. Combater o desemprego estrutural
A pesquisa recomenda a criação de programas de encaixe profissional, requalificação e reinserção rápida, capazes de diminuir o tempo entre a saída e a entrada em novos cargos.
2. Preparar a economia para a automação
A Pearson defende que o país não pode esperar que a automação se torne a principal fonte de disrupção. A preparação antecipada com investimento em tecnologia, capacitação e políticas públicas é essencial para evitar perdas ainda maiores.

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