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Ex-funcionária do Atacadão que não sabia fazer bolo aprende confeitaria pela internet, começa vendendo doces em casa e transforma seu sonho em marca com fábrica, loja, delivery e quase R$ 2 milhões em faturamento

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 24/06/2026 às 07:24 Atualizado em 24/06/2026 às 07:27
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A trajetória de Jéssica Cristina Soares Fernandes mostra como uma produção caseira de doces no Guarujá ganhou estrutura, equipe, entrega por aplicativo e presença comercial até se tornar a Cacau Love, negócio que se aproxima de R$ 2 milhões em faturamento
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A trajetória de Jéssica Cristina Soares Fernandes mostra como uma produção caseira de doces no Guarujá ganhou estrutura, equipe, entrega por aplicativo e presença comercial até se tornar a Cacau Love, negócio que se aproxima de R$ 2 milhões em faturamento

Jéssica Cristina Soares Fernandes não dominava a confeitaria quando decidiu tentar vender doces no Guarujá, litoral de São Paulo. Segundo a Exame, ela sequer sabia fazer um bolo simples no início da jornada.

Mesmo assim, a moradora do litoral paulista transformou uma produção caseira em uma operação com fábrica, loja, delivery e uma marca que chegou a quase R$ 2 milhões de faturamento em 2025. A história importa porque mostra como um negócio doméstico, comum em milhares de casas brasileiras, pode virar uma empresa estruturada quando encontra demanda, organização e persistência comercial.

O começo veio antes da fábrica, da loja e do faturamento milionário

Jéssica Cristina Soares Fernandes, fundadora da Cacau Love, começou vendendo doces em casa no Guarujá e transformou a produção artesanal em uma marca com fábrica, loja, delivery e faturamento próximo de R$ 2 milhões.
Jéssica Cristina Soares Fernandes, fundadora da Cacau Love, começou vendendo doces em casa no Guarujá e transformou a produção artesanal em uma marca com fábrica, loja, delivery e faturamento próximo de R$ 2 milhões.

Antes da Cacau Love ganhar estrutura, Jéssica trabalhou no Atacadão Guarujá. Uma publicação institucional do Atacadão informa que ela entrou na empresa aos 16 anos como operadora de caixa e conheceu ali o marido, Edson.

A rotina no atacado também aproximou Jéssica do universo dos ingredientes. Ao ver clientes comprando chocolates e itens usados em doces, ela começou a observar um mercado que, mais tarde, entraria na própria casa.

A Exame relata que, sem orçamento para cursos, ela buscou aprendizado por conta própria. Viu vídeos na internet, participou de grupos em redes sociais e testou receitas até conseguir vender os primeiros bombons e doces pequenos.

O primeiro aniversário da filha também entrou nessa virada. Ao organizar a festa, Jéssica passou a experimentar mais receitas e percebeu que aquilo poderia deixar de ser apenas uma solução doméstica para se tornar uma fonte de renda.

Dias de R$ 100 mostram que o crescimento não veio pronto

A trajetória da Cacau Love não começou com loja cheia nem produção em escala. De acordo com a Exame, houve mudanças de ponto comercial, tentativas que não deram certo e fases em que a operação precisou voltar para dentro de casa.

Em alguns dias, o faturamento não passava de R$ 100. Também houve críticas de pessoas próximas e dúvidas sobre a capacidade do projeto se manter.

A decisão de profissionalizar o negócio ganhou força em um momento de instabilidade familiar. Segundo a Exame, Edson enfrentava um período difícil no trabalho, e o casal decidiu aplicar os recursos que tinha na operação de doces.

Essa escolha abriu caminho para a criação da Cacau Love, uma marca que saiu da informalidade doméstica para uma estrutura com produção, venda direta e entrega.

Cacau Love passou por expansão, delivery e reorganização

Jéssica Cristina Soares Fernandes, fundadora da Cacau Love, posa em meio aos bolos produzidos pela marca no Guarujá, negócio que nasceu dentro de casa e cresceu até ganhar fábrica, loja, delivery e faturamento próximo de R$ 2 milhões.
Jéssica Cristina Soares Fernandes, fundadora da Cacau Love, posa em meio aos bolos produzidos pela marca no Guarujá, negócio que nasceu dentro de casa e cresceu até ganhar fábrica, loja, delivery e faturamento próximo de R$ 2 milhões.

Com o avanço das vendas, a Cacau Love chegou a operar com três unidades ao mesmo tempo, sendo duas lojas e uma fábrica, além de uma equipe com até 14 funcionários registrados, conforme informações da Exame.

A pandemia também teve papel importante na trajetória da empresa. Com mais consumo dentro de casa, produtos como bolos e doces ganharam força, e a operação de delivery se tornou uma parte relevante do negócio.

Hoje, a estratégia descrita pela Exame é mais concentrada. A marca mantém duas unidades principais: a matriz com fábrica e cozinha industrial, e a Loja 1, reformada como principal ponto de venda.

A loja também deve receber uma mini cozinha interna, pensada para agilizar parte da produção e melhorar o atendimento. A empresa trabalha atualmente com cerca de sete colaboradores, em sua maioria mulheres e mães.

Segundo a Exame, Jéssica também buscou adaptar a rotina de trabalho à realidade da equipe, com jornada reduzida de seis horas, auxílio-alimentação via iFood Benefícios e metas internas.

Mercado de bolos caseiros ajuda a explicar o tamanho da oportunidade

O caso da Cacau Love não acontece isolado. Dados do Sebrae-SP mostram que o estado de São Paulo tem 134 mil microempreendedores individuais no segmento de doces, bolos e salgados.

A mesma pesquisa aponta que o investimento inicial médio nesse tipo de negócio é de R$ 5.345,16. Também mostra que 58% desses empreendedores trabalham de casa, 40% usam redes sociais como principal canal de venda, 84% utilizam iFood e 66% vendem bolos simples ou tradicionais.

Esse contexto ajuda a entender por que a história de Jéssica tem potencial de identificação. A cozinha doméstica, o bolo caseiro e a venda por encomenda fazem parte de um mercado amplo, mas nem sempre chegam a uma operação profissionalizada.

A Agência Brasil, com dados do Instituto de Desenvolvimento das Empresas de Alimentação e da Abip, também informou que o setor de panificação faturou R$ 153,3 bilhões em 2024, alta de 10,9% frente ao ano anterior.

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Registro empresarial confirma presença da marca no Guarujá

A Econodata registra a empresa Cacau Love com razão social Jessica Cristina Soares Fernandes, CNPJ 23.848.067/0001-86, fundada em 15 de dezembro de 2015, ativa no Guarujá e enquadrada como EPP.

O registro aponta atividade principal de padaria e confeitaria com predominância de revenda, além de endereço na Rua Manoel Marques Nabeto, no bairro Boa Esperança.

Também há registros de filiais em endereços do Guarujá, mas uma unidade específica aparece como baixada desde março de 2024. Por isso, a informação mais segura é tratar a operação atual conforme a descrição da Exame, com foco na matriz, fábrica e Loja 1.

A Solutudo também registra a Cacau Love Bolos Gelados ligada a Edson Francisco Santos Lopes, marido citado na trajetória de Jéssica, mas sem confirmar diretamente a situação operacional atual entre esse CNPJ e a empresa principal.

Caso vai além de uma história de bolo

A força da Cacau Love está no contraste entre o início simples e a estrutura atual. Uma mulher que não sabia fazer bolo encontrou demanda em um produto cotidiano, aprendeu a produzir, testou canais de venda e transformou a cozinha de casa em uma marca conhecida no litoral paulista.

Mais do que uma história individual, o caso mostra como o mercado de alimentos feitos em pequena escala pode crescer quando une produto popular, presença digital, delivery e gestão. No país onde milhares de pessoas começam vendendo doces dentro de casa, a trajetória de Jéssica revela o tamanho da oportunidade que existe entre uma receita testada na cozinha e uma empresa capaz de faturar quase R$ 2 milhões.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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