Com a expansão da energia eólica, o Brasil busca qualificar milhares de profissionais até 2030. SENAI-RN e MME destacam a urgência de formar técnicos e engenheiros para atender à crescente demanda do setor.
O crescimento acelerado da energia eólica no Brasil e no mundo tem revelado um desafio estratégico: a carência de mão de obra qualificada. Atualmente, há uma demanda global de cerca de 25 mil profissionais especializados, e as projeções indicam que, até 2030, o número de novos trabalhadores necessários poderá ultrapassar 40 mil.
A informação foi apresentada por Marco Antonio Juliatto, coordenador-geral de Articulação de Políticas para a Transição Energética do Ministério de Minas e Energia (MME), durante o evento Brazil Windpower, realizado nesta quinta-feira (30).
Segundo Juliatto, o setor eólico é uma das engrenagens mais importantes da transição energética mundial, mas ainda depende fortemente da qualificação técnica. “A demanda é crescente e exige que as instituições de ensino e a indústria caminhem juntas para preparar profissionais aptos a atuar nessa transformação”, pontuou o representante do MME.
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SENAI-RN lança primeira pós-graduação do país em energia eólica offshore
Entre as principais ações voltadas à capacitação, o SENAI-RN anunciou a primeira pós-graduação brasileira em energia eólica offshore. O curso é uma resposta direta ao avanço da nova fronteira energética no país e busca antecipar a formação dos profissionais que atuarão na instalação e operação de parques eólicos no mar.
O diretor do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e da Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais (FAETI), Rodrigo Mello, destacou que essa iniciativa segue a mesma linha do movimento iniciado em 2011, quando foi criado o primeiro curso de especialização em energia eólica onshore do Brasil. “Nós temos de partir cedo para desenvolver profissionais que serão necessários para a nova fronteira energética”, afirmou.
De acordo com Mello, a transição energética envolve tecnologia e inovação, mas, sobretudo, pessoas. Ele lembrou que, desde 2007, o SENAI-RN atua fortemente na qualificação de técnicos e engenheiros para o setor, com um índice de empregabilidade superior a 80%, o que reforça a sintonia entre a formação e as demandas reais das empresas.
Parcerias estratégicas e o desafio do ‘apagão de engenheiros’
Outro ponto abordado durante o painel foi o déficit crescente de engenheiros no Brasil, um fenômeno que ameaça o ritmo de expansão da energia eólica. Mello classificou o cenário como um “apagão de engenheiros”, resultado da queda na procura por cursos de engenharia e da “aridez” percebida na formação tradicional. Segundo ele, é fundamental que as instituições criem caminhos mais atrativos e conectados à inovação, capazes de despertar o interesse dos jovens.
Para enfrentar esse desafio, o SENAI Nacional está firmando uma parceria com a Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica). O especialista em Desenvolvimento Industrial, Edilson de Oliveira Caldas, explicou que o acordo visa potencializar a mão de obra setorial nas principais regiões produtoras, como Rio Grande do Norte e Bahia, líderes nacionais em capacidade instalada e geração eólica.
“É um acordo de cooperação técnica para fortalecer a formação de profissionais e responder diretamente às demandas das empresas associadas à ABEEólica”, destacou Caldas. Dados preliminares da associação indicam que a maior carência está na área de operação e manutenção, segmentos cruciais para garantir eficiência e segurança nas usinas eólicas.
Formação técnica e inovação como pilares da transição energética
Durante o painel “Desenvolvimento Profissional e Capacitação: Setor Eólico Brasileiro”, realizado no Brazil Windpower, os especialistas reforçaram que o Brasil precisa acelerar a formação de talentos locais. A gerente de Projetos da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), Roberta Knopki, mediadora do debate, ressaltou que a troca de experiências e a integração entre academia, governo e setor privado são fundamentais para consolidar o país como potência em energia eólica.
A mobilização do SENAI-RN e do MME evidencia um esforço conjunto para evitar gargalos de qualificação e preparar o Brasil para a próxima década. Em um cenário em que a energia limpa ganha cada vez mais espaço, a capacitação profissional se torna o combustível essencial da transição energética sustentável.
