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Parques eólicos holandeses tentam inovar com pá vermelha em turbinas

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 13/05/2026 às 14:27
Atualizado em 13/05/2026 às 16:14
Turbinas offshore com pá vermelha buscam proteger aves migratórias e combinar energia eólica com medidas ecológicas no Mar do Norte.
Turbinas offshore com pá vermelha buscam proteger aves migratórias e combinar energia eólica com medidas ecológicas no Mar do Norte.
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A Vestas e a Ecowende testarão turbinas offshore com uma única pá vermelha no Mar do Norte, visando reduzir colisões de aves migratórias, integrar tecnologia de energia eólica à preservação da biodiversidade marinha e monitorar impactos ambientais ao longo de três anos

A gigante dinamarquesa de energia eólica Vestas, em parceria com a Ecowende, instalará uma pá vermelha em várias turbinas offshore no parque Hollandse Kust West VI, na Holanda, para reduzir colisões de aves migratórias e avaliar impactos ecológicos sem comprometer a produção de energia.

Experimento pioneiro no Mar do Norte busca segurança para aves

O teste ocorrerá em sete turbinas de um total de três pás cada, em um projeto de 760 MW da Ecowende, joint venture entre Eneco e Shell. A ideia é aumentar a visibilidade de uma única pá para que aves percebam melhor o movimento do rotor e evitem colisões.

Estudos indicam que, em condições de neblina ou baixa luminosidade, aves têm dificuldade de identificar as pás. Pintar apenas uma pá de vermelho cria um contraste dinâmico, facilitando a percepção do movimento e permitindo que o cérebro da ave reaja rapidamente.

Cores preta ou fluorescente foram descartadas por riscos de superaquecimento e desgaste das pás. O vermelho combina visibilidade, resistência e desempenho térmico, sendo mais adequado para turbinas offshore em ambientes complexos, com maresia e migrações de longa distância.

Parques eólicos mais compatíveis com ecossistemas

Além da inovação das pás, o Hollandse Kust West VI adota múltiplas medidas de integração ecológica. Turbinas mais altas reduzem interferência nas rotas migratórias, enquanto a distribuição das unidades cria corredores ecológicos entre a costa e áreas protegidas.

O projeto inclui tecnologias para diminuir o ruído subaquático durante a instalação, sistemas de dissuasão de aves e morcegos, além de abrigos para peixes nas fundações. Recifes artificiais e a reintrodução da ostra plana europeia promovem aumento da biodiversidade marinha, filtragem de água e criação de habitats.

Quatro fundações monopilares receberam aberturas extras para refúgios de peixes. Câmeras e sensores monitoram a vida marinha ao redor das turbinas por três anos, transformando o local em um laboratório vivo no meio do mar.

Redução do impacto do ruído subaquático

A instalação de turbinas offshore gera ruído intenso ao cravar estacas no fundo do mar, afetando peixes, botos e mamíferos marinhos. Ferramentas como VibroJet e elevação vibratória minimizam esses efeitos, atendendo a regulamentos rigorosos de países europeus, especialmente próximos à Rede Natura 2000.

Com a pressão regulatória crescente, a indústria busca soluções de baixo impacto sonoro, garantindo maior compatibilidade ambiental e aceitação pública, especialmente em regiões sensíveis à biodiversidade marinha.

Adaptação das aves e complexidade dos impactos

Pesquisas recentes mostram que muitas espécies de aves alteram suas rotas para evitar turbinas em operação. Embora algumas espécies permaneçam vulneráveis, a mortalidade por colisão pode ter sido superestimada em estudos anteriores.

Além disso, a perda de habitat, poluição, mudanças climáticas, pesticidas e edificações de vidro têm impacto muito maior nas populações de aves globalmente. Apesar disso, o setor de energia eólica reconhece a necessidade de avançar rapidamente em medidas de proteção, essenciais para a aceitação social e sustentabilidade.

Inovação e futuro da energia eólica

O projeto de pás vermelhas representa um passo na evolução de parques eólicos que conciliam produção energética com preservação ambiental. A expectativa é comprovar que pequenas mudanças de design podem reduzir significativamente riscos para aves, enquanto novas tecnologias protegem a vida marinha.

A integração de medidas ecológicas, monitoramento contínuo e inovação em turbinas reforça o compromisso do setor com a transição energética sustentável, alinhando crescimento de energia limpa com conservação da biodiversidade no Mar do Norte e em futuras instalações offshore.

Conclusão: equilíbrio entre produção e preservação

O Hollandse Kust West VI exemplifica um modelo de energia eólica offshore pensado para coexistir com ecossistemas complexos. A experiência com a pá vermelha, aliada a tecnologias de redução de impacto ambiental, pode servir de referência para futuras instalações globais, promovendo energia limpa sem comprometer a fauna local.

Este teste pioneiro da Vestas e Ecowende destaca que inovação, ciência e planejamento ambiental podem caminhar juntos, oferecendo um futuro mais seguro para aves migratórias e ecossistemas marinhos em meio à expansão da energia eólica offshore.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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