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O projeto que pode obrigar empresas a criar um “botão de cancelamento fácil” avança no Congresso, promete acabar com cobranças abusivas e transformar a defesa do consumidor — mas segue sem sanção e quase ninguém sabe disso

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Escrito por Débora Araújo Publicado em 02/12/2025 às 11:40 Atualizado em 02/12/2025 às 11:41
O projeto que pode obrigar empresas a criar um “botão de cancelamento fácil” avança no Congresso, promete acabar com cobranças abusivas e transformar a defesa do consumidor
O projeto que pode obrigar empresas a criar um “botão de cancelamento fácil” avança no Congresso, promete acabar com cobranças abusivas e transformar a defesa do consumidor
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Projeto que cria o “cancelamento fácil” avança no Congresso e pode obrigar empresas a encerrar serviços em um clique; entenda o impacto e o que muda no CDC.

O Congresso brasileiro discute um dos projetos mais aguardados da última década no campo da defesa do consumidor: a criação obrigatória do chamado “botão de cancelamento fácil”, um mecanismo que garante ao brasileiro encerrar um serviço digital ou assinatura com um único clique, sem ligação para call center, sem retenção e sem a tradicional maratona de páginas escondidas.

O texto — que altera o Código de Defesa do Consumidor — ainda está em tramitação e, por isso, muitas pessoas sequer ouviram falar da proposta. Mas seu impacto, caso aprovado, será gigantesco: ele reorganiza a lógica comercial de empresas de telefonia, internet, TV por assinatura, academias, plataformas digitais, serviços por assinatura e até bancos.

E o debate surgiu justamente porque a pressão por cancelamento é hoje um dos maiores gargalos do sistema brasileiro. Dados da Senacon e de Procons estaduais mostram que mais de 30% das reclamações formais envolvem dificuldades para cancelar serviços, cobranças indevidas ou retenções abusivas.

Cancelamento com um clique: como funcionaria o novo mecanismo

Se aprovado, o projeto obrigará empresas de qualquer serviço contínuo, físico ou digital, a manter em seu site, aplicativo ou área do cliente um botão visível, direto e de fácil acesso, com a opção “Cancelar serviço”. Nada de menus ocultos. Nada de atendente tentando reverter a decisão. Nada de exigir justificativa.

A lógica é simples: se contratar é fácil, cancelar também deve ser. Esse padrão já existe em países como Estados Unidos (FTC “Click to Cancel Rule”), Reino Unido e União Europeia, que adotaram políticas semelhantes após o aumento de reclamações envolvendo assinaturas automáticas.

Por que o projeto surgiu: o problema das “retenções forçadas”

Quem já tentou cancelar um plano de internet ou TV por assinatura conhece a tática:
retenção, “ofertas exclusivas”, transferência para outro setor, promessa de desconto e uma ligação interminável. No Brasil, isso se tornou regra, não exceção.

Relatórios de Procons estaduais revelam que até 40% das operações de cancelamento exigem mais de uma tentativa do consumidor. Em alguns casos, o processo demora dias — e o cliente é cobrado enquanto tenta encerrar o contrato.

O projeto busca atacar exatamente esse problema, proibindo a exigência de contato telefônico ou justificativa prévia. Além disso, abre caminho para punições maiores quando empresas dificultarem o cancelamento, como multas e suspensão temporária de oferta.

Mudança no Código de Defesa do Consumidor: o que o texto altera

A proposta modifica trechos centrais do CDC e cria novas obrigações:

  • Implementação obrigatória de botão de cancelamento simples e direto;
  • Proibição de práticas de retenção que constranjam o consumidor;
  • Exigência de confirmação imediata do cancelamento por e-mail, SMS ou app;
  • Prazos máximos para efetivação do encerramento do contrato;
  • Multas específicas para empresas reincidentes;
  • Clareza obrigatória sobre renovação automática.

Um dos pontos mais importantes é a diferenciação entre cancelamento e desistência. O consumidor poderá cancelar sem justificativa e sem falar com atendente, e empresas deverão efetivar imediatamente o encerramento — exceto em contratos com regulamentação setorial específica.

Serviços mais afetados: do streaming à telefonia

A mudança atinge todo o mercado de assinaturas, incluindo:

  • Operadoras de telefonia e internet
  • TV por assinatura
  • Academias e clubes
  • Plataformas de streaming e música
  • Serviços de aplicativos
  • Cursos online
  • Bancos e plataformas financeiras com assinaturas de benefícios
  • Clubes de assinatura (vinho, livros, alimentos e outros)

Hoje, muitas dessas empresas adotam “barreiras de saída”, escondendo a opção de cancelamento ou exigindo atendimento telefônico. O projeto acaba com isso e padroniza a experiência do consumidor.

Impacto econômico: por que empresas estão preocupadas

O setor teme aumento nas taxas de cancelamento. Isso porque parte da base de assinantes é mantida por retenção ativa — e não por satisfação do cliente. Especialistas apontam que o novo modelo deve provocar:

  • Redução de churn artificial (clientes retidos à força)
  • Pressão por melhoria real dos serviços
  • Aumento de concorrência saudável
  • Diminuição de cobranças indevidas
  • Estímulo ao “pague pelo que realmente usa”

Para o consumidor, o impacto é claro: menos tempo perdido, menos abusos, menos cobranças indevidas.

Em que etapa o projeto está: o que falta para virar lei

O texto ainda não foi sancionado, apesar de avançar significativamente. Ele já passou por comissões e aguarda novas etapas na Câmara e no Senado antes de ir para análise presidencial. Isso significa que:

O conteúdo pode ser aprimorado
Dispositivos podem ganhar força ou serem suavizados
O Brasil pode se alinhar aos padrões internacionais de proteção digital

Até lá, o consumidor ainda precisa enfrentar o caminho burocrático atual.

Por que quase ninguém sabe da proposta e o que muda na rotina do consumidor?

A discussão circula entre especialistas, Procons, Senacon e juristas, mas não chegou fortemente ao grande público. Diferente de grandes reformas, o tema avança de forma silenciosa — mas pode causar um dos maiores impactos do consumo moderno. Afinal, vivemos em uma era em que assinar é fácil. O que falta é poder encerrar com a mesma rapidez.

Se aprovado, o cancelamento deixará de ser uma “batalha” e passará a ter características bem objetivas:

  • Realizado em segundos
  • Sem necessidade de ligação
  • Sem retenção
  • Com registro imediato
  • Com data e hora certificadas
  • Com encerramento no mesmo dia
  • Com multa para empresas que descumprirem

Trata-se de uma mudança estrutural que devolve ao consumidor o controle do contrato.

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Ivan
Ivan
03/12/2025 15:13

Esta lei já deveria estar em funcionamento a muito. É um verdadeiro inferno cancelar assinaturas no Brasil. A única maneira hoje e abrir reclamação no PROCON, senão, não se consegue. É um verdadeiro escárnio como o consumidor e tratado no Brasil. Parlamentares criem **** e pensem no bem estar da população

Eduardo
Eduardo
03/12/2025 14:52

Poderiam informar qual o PL, assim se pode consultar no portal do Congresso e compartilhar para que mais pessoas saibam e se interessem.

Roberto
Roberto
02/12/2025 12:43

Espero que seja aprovada rápido essa lei, cancelar serviço tá difícil.

Débora Araújo

Débora Araújo é redatora no Click Petróleo e Gás, com mais de dois anos de experiência em produção de conteúdo e mais de mil matérias publicadas sobre tecnologia, mercado de trabalho, geopolítica, indústria, construção, curiosidades e outros temas. Seu foco é produzir conteúdos acessíveis, bem apurados e de interesse coletivo. Sugestões de pauta, correções ou mensagens podem ser enviadas para contato.deboraaraujo.news@gmail.com

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