O BNDES inicia o projeto SER Corais com investimento de R$ 5,5 milhões para monitorar e restaurar recifes de coral ao longo da costa brasileira. A iniciativa fortalece a sustentabilidade, impulsiona a ciência marinha e integra a estratégia de economia azul
No dia 13 de fevereiro de 2026, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social anunciou oficialmente a contratação do primeiro projeto do programa BNDES Corais. A iniciativa, denominada SER Corais, vai mapear e monitorar recifes rasos ao longo de aproximadamente 2.800 quilômetros da costa brasileira, com investimento de R$ 5,5 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental.
O projeto será executado pelo Instituto Nautilus de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade e terá duração de 36 meses. A ação integra o BNDES Azul, estratégia lançada em janeiro de 2024 voltada à conservação dos oceanos, à adaptação às mudanças climáticas e ao fortalecimento da economia azul no país. Trata-se da maior chamada pública já realizada no Brasil dedicada exclusivamente à conservação e regeneração de recifes de coral.
BNDES impulsiona o SER Corais e reforça a sustentabilidade dos recifes de coral
Desde o anúncio, a iniciativa passou a ser considerada um marco na agenda ambiental brasileira. Além de fortalecer a ciência nacional, o projeto amplia a capacidade de monitoramento marinho em larga escala e cria bases técnicas para políticas públicas mais eficazes.
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O lançamento do projeto reforça o compromisso do BNDES com a sustentabilidade e com a proteção dos ecossistemas marinhos. O programa BNDES Corais foi estruturado para apoiar ações de monitoramento científico, restauração ecológica, combate a espécies invasoras e promoção de atividades econômicas sustentáveis associadas aos recifes.
De acordo com o presidente do banco, Aloizio Mercadante, os recifes de coral são fundamentais para a biodiversidade marinha, para a proteção da costa e para as atividades pesqueiras e turísticas. O investimento demonstra que conservação ambiental e desenvolvimento econômico podem caminhar juntos.
Além disso, o projeto está alinhado à Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável e à Década da Restauração de Ecossistemas das Nações Unidas. Também contribui diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 8, 12, 13 e 14, que tratam de trabalho decente, consumo responsável, ação climática e vida na água.
Monitoramento dos recifes de coral ao longo da costa brasileira
O SER Corais realizará expedições científicas, mergulhos técnicos e coleta sistemática de dados ambientais. O monitoramento abrangerá cerca de 2.800 quilômetros da costa brasileira, incluindo os dois principais bancos de corais do país: Abrolhos, na Bahia, e Parcel Manuel Luís, no Maranhão.
Entre as atividades previstas estão a avaliação da cobertura coralínea, o acompanhamento de espécies associadas e a identificação da presença de espécies exóticas invasoras. Ao todo, serão monitoradas 28 espécies e analisada a distribuição de duas espécies invasoras prioritárias.
Além disso, o projeto apoiará ao menos dez unidades de conservação marinha. Serão produzidos mapas técnicos e relatórios científicos que subsidiarão decisões estratégicas na gestão costeira. Portanto, o monitoramento contínuo permitirá identificar mudanças ambientais e orientar medidas preventivas. O foco central é acompanhar a saúde dos recifes rasos e ampliar o conhecimento científico sobre esses ecossistemas.
Distribuição das ações e relevância ambiental na costa brasileira
A atuação do projeto será distribuída entre os estados da Bahia, Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. A Bahia concentrará 30% das ações, enquanto os demais estados terão participação proporcional de 10% cada.
Essa distribuição reflete tanto a extensão das áreas recifais quanto sua importância ambiental e socioeconômica. Os recifes exercem papel essencial na proteção costeira, funcionando como barreiras naturais contra erosão e eventos extremos.
Além disso, estão previstos 43 eventos técnicos e oficinas ao longo da execução. Dessa forma, o projeto amplia a capacitação de profissionais, fortalece redes de pesquisa e dissemina conhecimento aplicado à conservação marinha.
Iniciativa do BNDES: inovação, restauração ecológica e ciência aplicada fortalecem os recifes de coral
O projeto não se limita ao monitoramento. Ele também prevê ações práticas de restauração ecológica, incluindo experimentos de cultivo de corais in situ, com viveiros no mar, e ex situ, em ambiente laboratorial.
Serão realizados testes de diversidade genética e iniciativas de recomposição de áreas degradadas, com destaque para a Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Coroa Alta, na Bahia. Essas ações são fundamentais para aumentar a resiliência dos recifes diante das mudanças climáticas.
Além disso, será criado um aplicativo para acionar o Protocolo Geral de Alerta, Detecção Precoce e Resposta Rápida para espécies invasoras no ambiente marinho. Essa ferramenta fortalecerá o sistema nacional de monitoramento e resposta a bioinvasões. A combinação entre tecnologia, pesquisa científica e restauração prática coloca o projeto em posição estratégica na agenda ambiental brasileira.
Economia azul, sustentabilidade e desenvolvimento local
O SER Corais integra o BNDES Azul, iniciativa que reconhece o papel estratégico da chamada Amazônia Azul, área marítima brasileira com cerca de 5,7 milhões de km². A proposta é fomentar o uso sustentável dos recursos oceânicos e promover desenvolvimento econômico com inclusão social.
Os recifes de coral sustentam cadeias produtivas importantes, especialmente a pesca artesanal e o turismo sustentável. Portanto, proteger esses ecossistemas significa preservar empregos, renda e segurança alimentar para comunidades costeiras.
O projeto amplia ações de turismo de base comunitária já desenvolvidas pelo Instituto Nautilus em Santa Cruz Cabrália, na Bahia. Nas comunidades de Santo Antônio e Santo André, estão previstas capacitações, oficinas de empreendedorismo e apoio à estrutura produtiva local.
A expectativa é beneficiar diretamente cerca de 230 famílias. Ao gerar alternativas de renda, a iniciativa reduz a pressão sobre a pesca predatória e fortalece a sustentabilidade.
BNDES investindo em ciência aplicada e enfrentamento das mudanças climáticas
Os recifes de coral estão entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta. O aumento da temperatura dos oceanos, a poluição e a urbanização desordenada intensificam eventos de branqueamento e degradação.
Nesse contexto, o monitoramento contínuo promovido pelo projeto permitirá identificar fatores de estresse local e orientar estratégias de mitigação. Além disso, os dados coletados contribuirão para políticas públicas mais eficientes e baseadas em evidências científicas.
O alinhamento com o Plano de Ação Nacional para Conservação de Ambientes Coralíneos reforça a integração entre pesquisa, gestão e tomada de decisão. Assim, o projeto fortalece a governança ambiental na costa brasileira. Investir em ciência é essencial para garantir a resiliência dos recifes diante das mudanças climáticas.
Um novo marco para a proteção dos recifes de coral na costa brasileira
O lançamento do SER Corais representa um avanço significativo na conservação marinha no Brasil. Com investimento de R$ 5,5 milhões e duração de 36 meses, o projeto amplia o monitoramento científico, fortalece a restauração ecológica e integra ações sociais e econômicas.
Ao unir pesquisa, tecnologia, inclusão social e sustentabilidade, o BNDES consolida uma estratégia de longo prazo para a proteção dos recifes de coral. A iniciativa demonstra que políticas públicas bem estruturadas podem gerar impacto ambiental positivo e, ao mesmo tempo, promover desenvolvimento.


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