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Com dificuldade para preencher vagas em lojas, centros de distribuição e áreas de apoio, Carrefour passou a usar o cadastro social do governo como base para recrutar trabalhadores em situação de vulnerabilidade

Escrito por Geovane Souza
Publicado em 20/06/2026 às 17:24
Atualizado em 20/06/2026 às 17:26
Carrefour usa o CadÚnico para contratar trabalhadores e amplia vagas em meio à falta de mão de obra nos supermercados
Carrefour usa o CadÚnico para contratar trabalhadores e amplia vagas em meio à falta de mão de obra nos supermercados.
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Carrefour transforma CadÚnico em porta de entrada para emprego e já contrata 140 mil pessoas enquanto supermercados enfrentam falta de mão de obra no Brasil

A falta de profissionais virou um dos maiores gargalos do varejo alimentar no Brasil, e o Grupo Carrefour encontrou uma saída em um lugar que, até pouco tempo atrás, era visto quase só como ferramenta de política social, o Cadastro Único, base usada pelo governo para identificar famílias de baixa renda.

Segundo reportagem da Veja, publicada em 19 de junho de 2026, a companhia já contratou cerca de 140 mil pessoas inscritas no CadÚnico desde o início da parceria com o governo federal, em 2023. Somente em 2026, foram mais de 30 mil admissões de trabalhadores em situação de vulnerabilidade social.

O movimento ocorre em um momento em que supermercados, atacarejos e redes de varejo alimentar enfrentam dificuldade para atrair e manter funcionários em funções operacionais. Caixas, repositores, atendentes, operadores de loja, auxiliares de depósito e equipes de apoio estão entre os postos mais afetados pela alta rotatividade.

Na prática, o Carrefour passou a tratar o CadÚnico como uma ponte entre quem precisa de renda e quem precisa contratar em escala. A estratégia une inclusão produtiva, formalização do trabalho e uma resposta direta à pressão por mão de obra nas operações espalhadas pelo país.

O cadastro social deixou de ser apenas porta de acesso a benefícios

O CadÚnico é conhecido por reunir informações de famílias de baixa renda e servir como referência para programas sociais. Mas, nos últimos anos, a base também passou a ser usada em iniciativas de inclusão produtiva, com foco em emprego, qualificação profissional e geração de renda.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o programa Acredita no Primeiro Passo foi criado para ajudar famílias cadastradas a melhorar de vida por meio do trabalho e do empreendedorismo. A iniciativa inclui apoio para quem busca emprego, cursos profissionalizantes, orientação para pequenos negócios e acesso a microcrédito.

É dentro desse ambiente que a parceria com grandes empresas ganhou força. O Carrefour aparece entre os participantes do programa ao lado de outras companhias, criando vagas e ampliando o acesso de pessoas vulneráveis ao mercado formal.

O ponto central é que o cadastro deixou de funcionar apenas como uma fotografia da pobreza. Ele passou a ser usado também como uma ferramenta para conectar trabalhadores a vagas reais, especialmente em setores com grande volume de contratação.

O Carrefour viu no CadÚnico uma resposta para contratar em escala

O varejo alimentar depende de equipes numerosas e presença diária nas lojas. Diferente de setores mais automatizados, supermercados e atacarejos precisam de pessoas para operar caixas, abastecer prateleiras, organizar estoques, atender clientes, receber mercadorias e manter a rotina das unidades.

Por isso, a dificuldade de contratação pesa diretamente na operação. Quando faltam trabalhadores, o impacto aparece na escala das lojas, no atendimento, na reposição de produtos e no custo para manter equipes completas.

Como informou o próprio Grupo Carrefour em balanços anteriores sobre a parceria, a iniciativa começou em março de 2023, em Teresina, no Piauí, com uma meta inicial bem menor. Em janeiro de 2025, a companhia já havia informado a contratação de 53 mil beneficiários do CadÚnico e do Bolsa Família, número muito acima da previsão inicial.

Agora, com cerca de 140 mil contratações acumuladas, a dimensão mudou. A ação deixou de ser apenas um projeto social pontual e passou a ter peso estratégico para uma empresa que reúne marcas como Carrefour, Atacadão e Sam’s Club.

A falta de mão de obra virou pressão para todo o setor supermercadista

A busca por trabalhadores no setor supermercadista não é um problema isolado do Carrefour. Redes de diferentes portes têm relatado dificuldade para preencher vagas, principalmente em funções de entrada, que costumam exigir presença física, escala intensa e atendimento direto ao consumidor.

O cenário é agravado pela alta rotatividade. Muitos trabalhadores entram, ficam pouco tempo e migram para outras atividades, seja por salário, jornada, distância de casa ou busca por ocupações com rotina mais flexível.

Publicações especializadas do varejo vêm apontando que supermercados continuam sendo uma porta de entrada importante para o primeiro emprego, mas também enfrentam desafios para tornar essas funções mais atrativas. O problema não está apenas em abrir vagas, mas em conseguir manter os profissionais depois da contratação.

Nesse contexto, programas de recrutamento voltados a pessoas do CadÚnico podem ajudar a ampliar a base de candidatos. Para famílias de baixa renda, o emprego formal representa salário, direitos trabalhistas, contribuição previdenciária e possibilidade de crescimento.

Contratar pelo CadÚnico também virou vitrine de inclusão produtiva

A estratégia rendeu reconhecimento público ao Carrefour. A companhia recebeu o Prêmio Nacional de Inclusão Socioeconômica do MDS na categoria Inserção no Mercado de Trabalho, voltada a empresas, estados e municípios que mais geraram oportunidades para pessoas inscritas no Cadastro Único.

Na edição realizada em abril de 2025, o ministério informou que o Carrefour liderou o ranking de empresas que mais empregaram pessoas oriundas do CadÚnico, com 69.072 admissões consideradas na premiação. O resultado ajudou a consolidar a companhia como uma das maiores empregadoras privadas dentro da política de inclusão produtiva.

O prêmio também mostra uma mudança de leitura sobre programas sociais. A discussão deixa de ficar limitada ao pagamento de benefícios e passa a envolver caminhos para ampliar renda, capacitação e autonomia financeira.

Para as empresas, há um ganho operacional evidente: acesso a um público amplo, identificado e espalhado pelo território nacional. Para o governo, a parceria com o setor privado permite transformar cadastro social em oportunidade concreta de trabalho.

O desafio agora é transformar contratação em carreira

Apesar dos números expressivos, o maior teste está depois da admissão. Contratar milhares de pessoas resolve parte do problema, mas a permanência desses trabalhadores depende de treinamento, ambiente de trabalho, jornada, remuneração e perspectiva de crescimento.

É por isso que programas de capacitação e desenvolvimento profissional se tornam importantes. Uma contratação de entrada pode virar carreira quando o trabalhador encontra condições para aprender, mudar de função e avançar dentro da empresa.

No caso do Carrefour, a escala da operação permite absorver profissionais em diferentes áreas. Há vagas em lojas, atacarejos, clubes de compra, centros de distribuição, logística, atendimento e funções administrativas.

A combinação entre CadÚnico, qualificação e emprego formal pode se tornar uma resposta prática para dois problemas ao mesmo tempo: a vulnerabilidade de famílias que precisam de renda e a falta de mão de obra em setores que seguem contratando.

A resposta encontrada pelo Carrefour pode virar modelo para outras empresas

O caso do Carrefour mostra que o CadÚnico pode ser usado como uma base estratégica para inclusão produtiva, desde que a contratação venha acompanhada de processos organizados, treinamento e integração dos novos trabalhadores.

Para o varejo alimentar, a experiência indica um caminho em meio à dificuldade de preencher vagas. Em vez de disputar apenas os mesmos candidatos no mercado, grandes redes podem ampliar o recrutamento entre pessoas que estão fora ou à margem do emprego formal.

O avanço também reforça uma mudança importante: programas sociais podem ser porta de entrada para trabalho, não apenas instrumento de transferência de renda. Quando há parceria com empresas, o cadastro social se transforma em ponte entre necessidade e oportunidade.

A pergunta agora é se outras redes seguirão o mesmo caminho em escala nacional. Em um setor pressionado por custos, concorrência e falta de trabalhadores, a resposta pode estar justamente em aproximar quem precisa contratar de quem mais precisa de uma chance.

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Geovane Souza

Especialista em criação de conteúdo para internet, SEO e marketing digital, com atuação focada em crescimento orgânico, performance editorial e estratégias de distribuição. No CPG, cobre temas como empregos, economia, vagas home office, cursos e qualificação profissional, tecnologia, entre outros, sempre com linguagem clara e orientação prática para o leitor. Universitário de Sistemas de Informação no IFBA – Campus Vitória da Conquista. Se você tiver alguma dúvida, quiser corrigir uma informação ou sugerir pauta relacionada aos temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: gspublikar@gmail.com. Importante: não recebemos currículos.

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