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País que será sede da COP31 perdeu 186 dos seus 250 lagos em meio século, viu barcos ficarem abandonados em áreas secas e agora enfrenta avanço da desertificação, colapso de aves migratórias e comunidades deixando regiões onde a água sumiu

Escrito por Carla Teles
Publicado em 20/06/2026 às 16:18
Atualizado em 20/06/2026 às 16:21
País que será sede da COP31 perdeu 186 dos seus 250 lagos em meio século, viu barcos ficarem abandonados em áreas secas e agora enfrenta avanço da desertificação, colapso de aves (5)
Lagos da Turquia: Lago Marmara seca, desertificação e crise hídrica expõem colapso hídrico.
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Os lagos da Turquia viraram alerta global após 186 dos 250 secarem em 50 anos. No Lago Marmara, barcos ficaram sobre terra seca, enquanto desertificação, barragens, irrigação e crise hídrica atingem comunidades, agricultura, turismo, aves migratórias e zonas úmidas no país sede da COP31 hoje em escala ampla mais visível.

Os lagos da Turquia entraram no centro de uma crise hídrica que ganhou destaque em 20 de junho de 2026, quando a Exame relatou que o país, apontado como sede da COP31, perdeu 186 dos seus 250 lagos nos últimos 50 anos, em um cenário agravado por desertificação.

A transformação aparece de forma simbólica no Lago Marmara, na província de Manisa, no sudoeste turco. Onde antes havia água, embarcações e vida econômica, hoje há barcos abandonados em terreno seco, vegetação ressecada e moradores lidando com o desaparecimento de um ecossistema que sustentava parte da região.

Lago Marmara virou símbolo da crise

Lagos da Turquia: Lago Marmara seca, desertificação e crise hídrica expõem colapso hídrico.
Imagem: Divulgação

O Lago Marmara é um dos exemplos mais fortes da perda de água na Turquia. O local, que já foi associado à pesca, ao turismo e à presença de milhares de aves, começou a perder volume de maneira acelerada a partir de 2011.

Dez anos depois, já havia perdido 98% de sua superfície, segundo os dados publicados pela Exame com base em informações da National Geographic. Hoje, o lago seco resume uma mudança que deixou de ser lenta e passou a ser visível na paisagem.

Barcos ficaram onde antes havia água

A imagem de barcos abandonados em áreas secas ajuda a traduzir a dimensão do problema. Uma embarcação parada no leito vazio não é apenas uma cena curiosa; é o retrato de uma economia que dependia da água.

Quando os lagos desaparecem, o impacto vai além da paisagem. Pesca, turismo, pecuária, agricultura e circulação local perdem base ao mesmo tempo, empurrando comunidades para uma adaptação difícil.

Turquia perdeu 186 dos seus 250 lagos

O dado mais chamativo é a escala nacional da crise. Segundo a reportagem, 186 dos 250 lagos da Turquia secaram em meio século, enquanto cerca de 1,5 milhão de hectares de zonas úmidas também foram afetados.

Esse número transforma casos isolados em padrão ambiental. A Turquia não enfrenta apenas a redução de um lago famoso, mas uma alteração ampla em seus sistemas hídricos, com efeitos acumulados em várias regiões.

Crise não é explicada só pela falta de chuva

Lagos da Turquia: Lago Marmara seca, desertificação e crise hídrica expõem colapso hídrico.
Imagem: Reprodução/IA

A seca e o clima mais quente ajudam a explicar parte do desaparecimento da água, mas não contam a história inteira. Especialistas citados pela fonte apontam que intervenções humanas tiveram papel decisivo.

Barragens, canais, irrigação agrícola e uso intensivo de água alteraram o fluxo natural que abastecia áreas alagadas. Quando a reposição de água é interrompida por décadas, os lagos ficam mais vulneráveis a qualquer período seco.

Barragens mudaram o caminho da água

A política de infraestrutura hídrica adotada pela Turquia desde os anos 1950 aparece como uma das causas estruturais da crise. Obras criadas para irrigação e abastecimento ajudaram a redirecionar água para projetos agrícolas.

No caso do Lago Marmara, a Barragem de Gördes é citada como parte do processo que reduziu a reposição hídrica. O que parecia solução para produção no curto prazo acabou deixando um ecossistema inteiro sem fluxo suficiente para sobreviver.

Agricultura intensiva aumentou a pressão

A expansão da irrigação agravou a disputa pela água. Em algumas regiões, produtores também recorreram a águas subterrâneas, ampliando a pressão sobre aquíferos que abasteciam ecossistemas próximos.

Esse tipo de uso cria efeito em cadeia. Quando rios, aquíferos e reservatórios são pressionados ao mesmo tempo, os lagos deixam de receber água superficial e subterrânea, acelerando o colapso.

Desertificação avança sobre o território turco

A crise dos lagos ocorre enquanto a Turquia enfrenta risco crescente de desertificação. Segundo a fonte, relatório recente das Nações Unidas aponta que 88% do território turco está sob risco e que o país pode enfrentar seca severa até 2030.

Esse dado amplia o alerta da COP31. Um país que sediará discussões climáticas chega ao evento convivendo com um exemplo interno de como água, clima, agricultura e ocupação do território se conectam.

Lago Eğirdir também mostra sinais de estresse

Lagos da Turquia: Lago Marmara seca, desertificação e crise hídrica expõem colapso hídrico.
Imagem: wikipedia

O Lago Eğirdir, conhecido pelas mudanças de cor ao longo do dia, enfrenta perda de volume de água e proliferação de algas e mucilagem. Esses sinais indicam desequilíbrio ecológico e piora na qualidade ambiental.

Quando um lago perde volume, a concentração de nutrientes e poluentes pode aumentar. A água que resta fica mais vulnerável a contaminação, alteração de cor, mau cheiro e perda de vida aquática.

Lago Van recuou e revelou marcas escondidas

O Lago Van, o maior da Turquia, também viu sua linha costeira recuar. Com a redução da água, áreas antes submersas passaram a revelar ruínas históricas, lixo acumulado e estruturas que ficaram décadas escondidas.

Essa exposição pode parecer fascinante à primeira vista, mas carrega um aviso. Quando os lagos revelam o que estava submerso, também mostram o tamanho da água que deixou de existir.

Lago Seyfe enfrenta nova pressão

Lagos da Turquia: Lago Marmara seca, desertificação e crise hídrica expõem colapso hídrico.
Imagem: wikipedia

O Lago Seyfe, que já abrigou grandes concentrações de flamingos, também aparece entre os casos preocupantes. Além da perda de água, a região enfrenta pressão associada a um projeto de mineração próximo à área protegida.

Esse tipo de conflito mostra como a crise hídrica se mistura à disputa por uso do território. Áreas frágeis ficam ainda mais expostas quando a água diminui e novas atividades econômicas avançam perto dos ecossistemas.

Lago Tuz Gölü virou símbolo da perda ambiental

O Lago Tuz Gölü também se tornou símbolo da crise após registros de morte em massa de flamingos em seu leito seco. A cena reforça o efeito direto da perda de água sobre ciclos naturais e rotas migratórias.

Mesmo sem transformar a pauta em tema animal, o episódio ajuda a medir o impacto ecológico. Quando os lagos secam, rotas de descanso, reprodução e alimentação deixam de existir no mapa natural.

Comunidades perdem renda e começam a sair

No entorno do Lago Marmara, a pecuária entrou em declínio e moradores passaram a deixar a região depois que a água desapareceu. A antiga cooperativa de pescadores também foi abandonada.

Esse é um dos efeitos mais duros da crise. Quando a água some, a perda não é apenas ambiental: ela reorganiza a vida das pessoas, esvazia atividades econômicas e muda o futuro de comunidades inteiras.

Placas indicam um lago que já não existe

Um detalhe descrito na fonte resume a desconexão entre memória e realidade: placas na beira da estrada ainda alertam sobre a proximidade do lago, embora a água já não esteja ali.

Esse contraste dá força à história. A sinalização aponta para um lugar que existia como referência local, mas a paisagem atual mostra que o território mudou mais rápido do que sua própria memória pública.

Secagem cria poeira tóxica e solos salinizados

A perda dos lagos também pode gerar efeitos menos visíveis. Quando o leito fica exposto, sedimentos contaminados, sais e partículas finas podem ser carregados pelo vento, piorando a qualidade do ar e do solo.

Além disso, a salinização prejudica áreas agrícolas próximas. O desaparecimento da água não termina na borda do lago; ele se espalha pelo solo, pela poeira, pela produção e pela saúde ambiental da região.

Problema turco reflete tendência global

Embora a situação da Turquia seja dramática, ela não está isolada. A Exame cita estudo de 2023 de pesquisadores da Universidade da Virgínia, segundo o qual mais da metade dos maiores lagos naturais e reservatórios do planeta está perdendo água.

A pesquisa também indica que cerca de um quarto da população mundial vive em bacias hidrográficas ligadas a lagos em processo de secagem. Ou seja, o alerta turco faz parte de uma crise maior de água doce.

COP31 chega sob pressão simbólica

A condição de sede da COP31 aumenta a pressão sobre a Turquia porque coloca a crise hídrica do país diante de uma vitrine climática internacional. O caso dos lagos secos deve funcionar como exemplo concreto de vulnerabilidade ambiental.

Não se trata apenas de diplomacia climática. A pergunta central é como um país que perdeu tantos corpos d’água pode discutir adaptação, água e uso do solo diante de uma crise tão visível dentro de casa.

Quando a água desaparece, o país muda

Os lagos da Turquia mostram como a crise climática e a gestão da água podem transformar paisagens inteiras em poucas décadas. O desaparecimento de 186 dos 250 lagos, o colapso do Lago Marmara e o avanço da desertificação indicam um problema que já ultrapassou o campo ambiental.

Barcos parados em terra seca, comunidades deixando regiões antes produtivas e ecossistemas perdendo função revelam uma crise que mistura clima, infraestrutura, agricultura e escolhas humanas. Você acha que a COP31 deveria transformar casos como o da Turquia em prioridade global de adaptação hídrica? Comente sua opinião.

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Jo Enio Alves
Jo Enio Alves
20/06/2026 17:05

Sim

Jo Enio Alves
Jo Enio Alves
20/06/2026 17:04

Sim. Também divulgar esse caso em outras regiões de lagos pelo mundo todo !

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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