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Cientistas criaram um bloco de construção feito de algas que cresce com luz do sol e CO₂, é 3 vezes mais forte que concreto e pode cortar 8% das emissões globais se usado em escala

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 29/04/2026 às 14:54 Atualizado em 29/04/2026 às 16:12
Blocos de construção verdes translúcidos feitos de algas em canteiro de obras
: O Bio-Block é fabricado com micro-algas que fazem fotossíntese e produzem carbonato de cálcio — 3 vezes mais forte que o concreto convencional
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O Bio-Block usa micro-algas que fazem fotossíntese e produzem carbonato de cálcio — o mesmo material dos recifes de coral — transformando CO₂ em blocos zero carbono

Na natureza, recifes de coral passam décadas produzindo carbonato de cálcio — o mineral que forma suas estruturas rígidas — usando apenas a luz do sol e o CO₂ dissolvido na água do mar.

Além disso, cientistas da startup americana Prometheus Materials e do escritório de arquitetura SOM descobriram como replicar esse processo em laboratório usando micro-algas — e transformar o resultado em blocos de construção.

Consequentemente, o Bio-Block é um bloco de construção que literalmente cresce: as algas fazem fotossíntese dentro de biorreatores, absorvem CO₂ do ar e produzem o mineral que forma a base do material.

Na prática, em vez de queimar calcário a 1.450°C em fornos industriais — como faz a indústria do cimento convencional — as algas fazem o mesmo trabalho à temperatura ambiente, consumindo CO₂ em vez de emitir.

3 vezes mais forte e 15% mais leve que concreto

Os testes de laboratório revelaram resultados surpreendentes. De fato, o Bio-Block alcança resistência à compressão 3 vezes superior à do concreto convencional.

Além disso, o material é 15 a 20% mais leve e tem capacidade de absorção sonora 12 vezes melhor que o concreto tradicional.

Bloco de algas Bio-Block verde sendo examinado em laboratório de biotecnologia

Como as algas transformam CO₂ em material de construção

O processo começa em biorreatores — tanques transparentes onde as micro-algas são cultivadas com água, luz solar e CO₂.

Consequentemente, durante a fotossíntese, as algas absorvem CO₂ e o convertem em carbonato de cálcio — o mesmo mineral que forma conchas, pérolas e recifes de coral.

Em seguida, esse material biogênico é colhido, misturado com agregados e moldado em blocos — sem necessidade de fornos, sem queima de combustíveis fósseis.

Para ter uma ideia da escala do impacto: a indústria do cimento é responsável por 8% de todas as emissões globais de CO₂. Além disso, se o Bio-Block substituísse o cimento convencional em escala, evitaria cerca de 2 gigatoneladas de CO₂ por ano.

  • Material base: carbonato de cálcio produzido por micro-algas via fotossíntese
  • Resistência: 3x mais forte que concreto convencional
  • Peso: 15-20% mais leve
  • Absorção sonora: 12x melhor
  • Carbono: zero emissão (sequestra CO₂ durante produção)
  • Potencial: cortar 8% das emissões globais se usado em escala
Parede construída com blocos verdes translúcidos de bio-material em edifício moderno com luz solar atravessando

Da universidade para a construção real

A Prometheus Materials nasceu de um programa de pesquisa da Universidade do Colorado Boulder. Dessa forma, a parceria com o SOM — um dos maiores escritórios de arquitetura do mundo — acelerou a transição do laboratório para aplicações reais.

Além disso, a empresa planeja lançar uma receita de concreto pronto que permitirá construir torres acima de 3 ou 4 andares — superando a limitação atual dos blocos de alvenaria.

Entretanto, desafios permanecem. A produção em escala ainda depende de infraestrutura de biorreatores e o custo por unidade é maior que o do concreto tradicional. Porém, com a precificação de carbono se tornando realidade em cada vez mais países, a conta pode se inverter rapidamente.

Recife de coral natural com formações de carbonato de cálcio — o mesmo processo biológico que produz o Bio-Block

Mesmo assim, o fato de que um bloco de construção pode crescer com luz solar, absorver CO₂ e ser mais forte que concreto soa quase bom demais para ser verdade. Mas os testes estão aí — e o primeiro material de construção que literalmente respira já é realidade.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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