Decisão do Banco Central e impacto imediato
O Banco Central rejeitou, em setembro de 2025, a proposta de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
A decisão deixou a instituição em situação delicada, com necessidade urgente de novos recursos para manter a operação.
Embora o BRB tenha declarado que ainda acredita no mérito do negócio, a autoridade monetária considerou que a transação não atendia aos critérios regulatórios exigidos.
O Master, por sua vez, afirmou que só poderá avaliar alternativas jurídicas e estratégicas após ter acesso ao documento integral da decisão.
Tentativas de negociação e ajustes no acordo
O acordo, inicialmente anunciado em março de 2025, já havia passado por revisões.
O BRB reduziu o valor dos ativos a serem adquiridos de R$ 40 bilhões para R$ 25 bilhões, excluindo R$ 51,2 bilhões em ativos do Master.
Além disso, os acionistas controladores do banco não participariam da gestão do novo grupo, o que buscava reduzir resistências.
Mesmo assim, a operação foi interpretada por críticos como uma espécie de resgate estatal sem lógica comercial.
Esse argumento teria pesado diretamente na análise do Banco Central.
Crescimento acelerado e mudanças regulatórias
O Banco Master, até então em expansão, vinha ampliando sua carteira de empréstimos em 86% ao ano.
A instituição também investia em aquisições e chegou a manter escritório em Miami.
Entretanto, esse crescimento dependia de um incentivo atrelado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Uma mudança nas regras do FGC, em dezembro de 2023, trouxe questionamentos sobre a solidez financeira do banco.
Essa alteração também levantou dúvidas sobre os riscos sistêmicos que poderia gerar para o setor.
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Estratégias emergenciais para manter operações
Para conter a pressão, o Master passou a utilizar uma linha de crédito de aproximadamente R$ 4 bilhões do FGC.
Em paralelo, o BTG Pactual adquiriu em junho de 2025 cerca de R$ 1,5 bilhão em ativos de Daniel Vorcaro, principal acionista do banco.
Vorcaro comprometeu-se a injetar integralmente esses recursos na instituição.
Ainda assim, diante da demora na aprovação do Banco Central, o Master iniciou negociações para levantar até R$ 12 bilhões em nova linha de crédito do FGC.
A medida buscava garantir liquidez e manter suas operações no curto prazo.
Busca internacional por investidores e perspectivas
Diante da negativa do Banco Central, Daniel Vorcaro viajou ao exterior no final de agosto para apresentar o banco a potenciais investidores.
O objetivo era encontrar alternativas de capitalização capazes de sustentar a instituição.
A decisão regulatória, no entanto, ampliou as incertezas sobre o futuro do Master.
Apesar da nota oficial em que reforça confiança na própria estratégia, a instituição depende agora de novas injeções de recursos para se manter competitiva.
O setor bancário brasileiro é altamente concentrado, o que aumenta a pressão sobre o banco.
Diante desse cenário, permanece a dúvida: haverá espaço para o Master se reerguer sem apoio do BRB?


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