Celebrado em 10 de julho, o Dia da Pizza revela um mercado em expansão, mas também expõe a redução do poder de compra dos consumidores brasileiros.
O Dia da Pizza apresenta um contraste marcante na economia brasileira. O país abre, em média, 13 novas pizzarias por dia, porém o prato pesa cada vez mais no orçamento familiar.
Famílias de menor renda enfrentam o maior impacto. O avanço dos preços reduziu o poder de compra, mesmo com o crescimento acelerado do setor.
Dados da Associação Pizzarias Unidas do Brasil, a Apubra, mostram que o mercado alcançou um recorde em 2025. O Brasil terminou o ano com 40.332 pizzarias ativas.
-
Depois de quase duas décadas em operação, fábrica de calçados do Grupo Dass encerra produção, confirma 150 demissões e mostra como a queda nos pedidos mudou tudo
-
É oficial: a Petrobras assume 75% do bloco 3 em São Tomé e Príncipe e estreia como operadora offshore fora da América do Sul
-
Projeto de barragens US$ 1,5 bilhão no Rio Indio promete água para o Canal do Panamá por 50 anos, mas pode inundar áreas rurais e deslocar 2 mil moradores de 38 comunidades agrícolas
-
Aos 14 anos, ela trabalhava em fábrica em Hong Kong, estudou economia no exterior e depois entrou no mercado imobiliário chinês que ajudou a mudar a paisagem de Pequim
Índice Mozarela revela queda no poder de compra
O Índice Mozarela, desenvolvido pela Faculdade de Tecnologia do Estado de São Paulo, a Fatec, mede quantas pizzas uma família consegue comprar.
O indicador utiliza a renda familiar média e o preço da pizza de muçarela em cada distrito da capital paulista.
Metade dos distritos de São Paulo conseguia comprar pelo menos 131 pizzas mensais em 2021.
Esse número caiu para 120 pizzas por mês em 2025, evidenciando uma perda no poder de compra ao longo do período.
A metodologia foi inspirada no Índice Big Mac. A pizza de muçarela foi escolhida por representar um sabor tradicional e geralmente mais acessível.
A capital paulista concentra o maior número de pizzarias do Brasil. Esse cenário transforma a cidade em um importante termômetro de preços, renda e consumo.
Preço da muçarela subiu quase 40%
O aumento dos custos de produção ajuda a explicar a alta das pizzas.
A muçarela acumulou valorização de quase 40% entre 2021 e 2025, tornando-se um dos principais fatores de pressão sobre os estabelecimentos.
Os rendimentos do trabalho não acompanharam o mesmo ritmo do custo de vida, segundo Rodolfo Ribeiro, pesquisador responsável pelo Índice Mozarela.
Esse desequilíbrio compromete principalmente o orçamento das famílias com menor renda.
Diferenças expressivas também aparecem entre os bairros paulistanos.
A renda média de Alto de Pinheiros permite comprar 313 pizzas por mês, o maior índice da cidade.
O poder de compra em Anhanguera cai para 73 pizzas mensais, revelando uma distância considerável entre as regiões.
Preços variam entre bairros de São Paulo
Os valores cobrados pelas pizzarias também mudam conforme a localização.
- Pinheiros: R$ 102,59;
- Moema: R$ 95,53;
- Jardim Paulista: R$ 93,49;
- Pedreira: R$ 39,74;
- José Bonifácio: R$ 40,93;
- Vila Jacuí: R$ 41,15.
Regiões periféricas concentram uma concorrência baseada principalmente no preço.
Consumidores com menor poder de compra limitam a margem dos empresários para utilizar ingredientes caros ou investir em serviços diferenciados.
Bairros de maior renda oferecem um cenário diferente. O consumo mais elevado permite diversificação de cardápios, ingredientes e estratégias de venda.

Brasil ultrapassou 40 mil pizzarias em 2025
O mercado brasileiro de pizzarias cresceu 10,29% em 2025, conforme dados da Apubra.
O mesmo período apresentou o menor número de fechamentos da última década.
Cerca de 2.969 pizzarias encerraram as atividades, uma redução de 43,8% em comparação com 2024.
O ritmo de abertura continuou forte em 2026.
O Brasil ganhou 1.990 novas pizzarias entre janeiro e maio, crescimento de 6,1% diante do mesmo período anterior.
Esse resultado representa aproximadamente uma nova pizzaria aberta a cada duas horas.

Expansão avança para Norte e Nordeste
O Sudeste ainda reúne 51% das pizzarias brasileiras. São Paulo permanece como o principal centro do segmento.
Três em cada quatro estabelecimentos inaugurados em 2026, contudo, surgiram fora do estado paulista.
Norte e Nordeste lideraram o crescimento proporcional, mostrando que o setor avança para mercados menos consolidados.
Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra, avalia que a consolidação dependerá de gestão eficiente, diferenciação e conhecimento do mercado local.
O Dia da Pizza, portanto, revela duas realidades.
O número de pizzarias cresce e os fechamentos diminuem. O aumento dos custos, porém, torna o prato menos acessível para parte dos consumidores.
Na sua opinião, o setor conseguirá manter esse crescimento mesmo com a pizza pesando cada vez mais no orçamento das famílias? Deixe seu comentário!
