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Arqueólogos descobrem sociedade que viveu escondida no subsolo por quase 500 anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 10/03/2026 às 23:33
Atualizado em 10/03/2026 às 23:34
Escavações em Las Gobas revelam comunidade medieval que viveu no subsolo por séculos, com sinais de doenças, consanguinidade e violência.
Escavações em Las Gobas revelam comunidade medieval que viveu no subsolo por séculos, com sinais de doenças, consanguinidade e violência.
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Escavações arqueológicas em Las Gobas, no norte da Espanha, identificaram restos mortais de 33 indivíduos que viveram no subsolo entre os séculos VII e XI, revelando isolamento prolongado, alta taxa de consanguinidade, sinais de violência e vestígios de varíola em uma comunidade medieval

Arqueólogos que investigam cavernas no norte da Espanha identificaram os vestígios de uma comunidade medieval que viveu no subsolo durante séculos. Escavações no sítio arqueológico de Las Gobas revelaram restos mortais de indivíduos que viveram isolados entre os séculos VII e XI.

A descoberta inclui esqueletos marcados por doenças, sinais de consanguinidade e evidências de violência. O material analisado indica que a população viveu durante longos períodos praticamente isolada de outras comunidades da Península Ibérica.

Comunidade medieval viveu por séculos no subsolo de cavernas em Las Gobas

Las Gobas é formado por um conjunto de cavernas naturais escavadas em rocha que serviram de abrigo para uma sociedade troglodita. O local funcionou como espaço de moradia e sepultamento durante aproximadamente cinco séculos.

Pesquisadores começaram a explorar o sítio arqueológico recentemente, revelando vestígios da vida cotidiana de um grupo humano que se estabeleceu permanentemente no subsolo. O isolamento geográfico e social da comunidade marcou profundamente sua estrutura populacional.

Os estudos indicam que os habitantes de Las Gobas viveram afastados das principais rotas e centros urbanos da época. Esse isolamento contribuiu para a formação de uma população com pouca diversidade genética e limitada interação com grupos externos.

Estudo identifica 33 indivíduos e forte presença de consanguinidade

Escavações realizadas no sítio arqueológico identificaram os restos mortais de 33 indivíduos. A análise genética mostrou que cerca de 63% das amostras apresentam sinais de consanguinidade, indicando casamentos entre parentes próximos ao longo de várias gerações.

De acordo com o pesquisador Ricardo Rodríguez Varela, especialista em paleogenética e arqueologia molecular, os resultados apontam que a comunidade permaneceu relativamente isolada por pelo menos cinco séculos. Esse isolamento teria contribuído para a redução da diversidade genética.

O estudo também constatou níveis relativamente baixos de ancestralidade norte-africana e do Oriente Médio em comparação com outros indivíduos medievais da Península Ibérica. Após a conquista islâmica da região, não houve aumento significativo dessas ancestralidades entre os habitantes do subsolo.

Evidências de violência revelam conflitos dentro da sociedade do subsolo

Além das análises genéticas, os arqueólogos encontraram marcas de trauma em alguns esqueletos. Entre os vestígios identificados estão fraturas e ferimentos perfurantes que provavelmente foram provocados por golpes de espada.

Esses sinais indicam que conflitos internos podem ter ocorrido dentro da comunidade que vivia no subsolo. A presença de traumas violentos sugere episódios de confrontos ou disputas entre os próprios membros do grupo.

A análise dos crânios recuperados no sítio arqueológico também revelou evidências claras de violência. Os pesquisadores registraram danos ósseos compatíveis com ataques diretos, reforçando a hipótese de conflitos recorrentes dentro da sociedade subterrânea.

DNA antigo identifica presença de varíola entre os habitantes do subsolo

Os estudos arqueogenéticos também detectaram sinais da presença de varíola entre os indivíduos enterrados em Las Gobas. A doença foi uma das enfermidades mais devastadoras registradas na Europa medieval.

Segundo os pesquisadores, a população provavelmente foi exposta à varíola por meio do consumo de carne de porco contaminada. Os porcos eram uma importante fonte de alimento para os habitantes que viviam no subsolo.

O pesquisador Anders Götherström, autor principal do estudo, afirmou que os dados sugerem que a doença atingiu o local por volta do século X. O avanço da varíola pode ter ocorrido pela disseminação na Europa, e não pelas rotas islâmicas anteriormente consideradas.

Abandono de Las Gobas ocorreu no final do século XI

Após séculos de ocupação, a comunidade que vivia no subsolo abandonou Las Gobas no final do século XI. As razões exatas para esse abandono ainda não são conhecidas pelos pesquisadores.

Os arqueólogos acreditam que o declínio da sociedade pode ter sido provocado por uma combinação de fatores. Entre as hipóteses estão escassez de recursos, surtos de doenças e possíveis pressões externas relacionadas a mudanças políticas ou invasões.

Quando o local deixou de ser habitado, as cavernas passaram a funcionar como uma necrópole. Muitos corpos foram enterrados no interior das cavernas, deixando registros que permitiram reconstruir parte da história dessa sociedade medieval isolada.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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