Monumento de arenito encontrado em restauração no complexo de Karnak detalha obras imperiais e a relação religiosa entre Roma e o Egito.
Uma equipe de arqueólogos egípcios e franceses descobriu uma estela de arenito de 2.000 anos que retrata um imperador romano como um faraó em Luxor.
O monumento foi localizado durante trabalhos de restauração em um portão do complexo de templos de Karnak, na antiga Tebas. A peça remonta ao reinado do imperador Tibério, que governou entre os anos 14 e 37 d.C., evidenciando a continuidade das tradições egípcias durante a ocupação romana.
Descoberta no complexo de templos de Karnak
A estela foi encontrada enquanto os especialistas trabalhavam na recuperação de um portão datado da época de Ramsés III, o segundo faraó da 20ª Dinastia. A estrutura estava em estado de deterioração e coberta por vegetação quando as escavações revelaram o bloco de arenito decorado.
-
Tecnologia espacial usada para procurar água em Marte agora caça vazamentos invisíveis sob as ruas de São Paulo, usando satélites, IA e sinais de cloro para ajudar a Sabesp a recuperar até 6,7 bilhões de litros de água
-
Japão envia navio para sugar lama rica em terras raras a quase 6.000 metros de profundidade no Pacífico, tenta levantar 350 toneladas por dia do fundo do mar e transforma sedimentos próximos à ilha de Minamitori em arma estratégica para reduzir dependência da China
-
A Venus Aerospace promete um motor hipersônico de detonação rotativa que leva o Stargazer a Mach 9 e cruza oceanos em 1 hora, mas o voo que fez história mal passou da velocidade do som
-
Estudante brasileira cria fórmula barata que faz planta crescer até 90% mais rápido e ganha prêmio em competição científica mundial
Os pesquisadores notaram que diversos blocos de pedra do local foram reutilizados de períodos anteriores, incluindo alguns pertencentes ao reinado de Amenhotep III.
O achado ocorreu no contexto de um esforço de restauração que já dura três anos na região de Luxor. Durante as escavações realizadas no verão de 2025, os arqueólogos também identificaram uma estrada pavimentada que conecta o portão ao pátio do Terceiro Pilone de Karnak. Esse conjunto de descobertas reforça a importância histórica da área para o entendimento das intervenções arquitetônicas gregas e romanas em templos egípcios.
Representação do imperador romano como um faraó
O monumento apresenta o imperador romano como um faraó posicionado diante da tríade tebana de divindades do antigo Egito.
Na cena gravada, Tibério aparece diante dos deuses Amon-Rá, Mut e Khonsu, respeitando os cânones artísticos tradicionais da época. Abaixo da imagem religiosa, o monumento contém cinco linhas de texto em escrita hieroglífica que detalham aspectos administrativos e religiosos.
As inscrições documentam especificamente a restauração de um muro de contenção do Templo de Amon, localizado dentro do próprio complexo de Karnak.
Segundo as autoridades arqueológicas, essa prática de retratar líderes romanos com trajes e títulos faraônicos era comum para legitimar o controle estrangeiro sobre o território egípcio. O imperador romano como um faraó era uma figura utilizada para manter a autoridade e a ordem religiosa local sob o domínio de Roma.
Preservação e futuro do monumento em Luxor
A peça de arenito passou por um processo de limpeza e restauração meticulosa logo após ser retirada do solo. O diretor-geral do Museu de Luxor, Abdel Ghaffar Wagdy, que liderou o lado egípcio da missão, confirmou a integridade da estela. O objeto deve ser transferido para um museu em data futura, onde integrará o acervo de antiguidades da região.
A descoberta destaca a complexa estratigrafia do complexo de Karnak, onde camadas de diferentes épocas se sobrepõem. A presença de um imperador romano como um faraó em uma estela de arenito demonstra como as estruturas de poder romanas se adaptaram aos costumes locais milenares.
Os arqueólogos continuam os trabalhos de análise dos hieróglifos para extrair mais dados sobre as obras públicas realizadas naquele período.
Com informações Live Science

Seja o primeiro a reagir!