A primeira visita fora do Brasil do Lula – à Argentina, a partir de domingo (22/01) – pode marcar o início de uma nova história da relação entre dois países no setor de gás natural.
Essa reaproximação entre os dois vizinhos faz a representação de uma nova chance para o sacramento a integração entre os dois mercados de gás da das duas principais economias da América do Sul. O secretário das Américas da Itamaraty, o embaixador Michel Arslanian Neto, confirmou nesta sexta-feira (20/01) eu o tema da “integração gasífera” provavelmente deverá ser um dos principais eixos estratégicos na nova relação entre os países.
“As conversas estão em curso e coisas podem acontecer durante a visita”, disse ele. Em entrevista para a GloboNews na quarta-feira (18/01), o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Scioli, já antecipou que a área energética será um dos maiores destaques do encontro entre Lula e o presidente da Argentina, Alberto Fenández.
“O Brasil está muito interessado em comprar gás para melhorar e tornar os preços mais competitivos, tanto para os domicílios quanto em toda a matriz produtiva. A Argentina tem um investimento estratégico com o gasodutor Nestor Kirchner para exportar gás para o Brasil”, declarou.
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No lado argentino, sua expectativa é conseguir o financiamento do BNDES para seu segundo trecho do gasoduto Néstor Kirchner. O projeto pretende fazer a ampliação do escoamento das reservas não-convencionais de Vaca Muerta, localizado em Neuquén, e conseguir aumentar a exportação de gás para o Sul do Brasil.
Apesar de o Brasil e da Argentina serem ligados por gasoduto, a integração deles nunca foi plenamente construída.
O projeto que era original, do fim dos anos 1990, fazia a previsão de construção de um gasoduto de 615 km de extensão, ligando Porto Alegre (RS) a Uruguaiana (RS), isso na fronteira da Argentina e onde existia uma termelétrica. O empreendimento dessa Transportadora Sulbrasileira de Gás (TSB) foi dividida em três trechos.
Porém, apenas dois desses extremos saíram do papel no início dos nos 2000: o trecho que conecta o Polo Petroquímico de Triunfo (RS) à Porto Alegre, onde termina o trecho Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol); e também o trecho entre Uruguaiana e malha de Transportadora de Gás del Mercosur (TGM), localizado na Argentina. O Brasil importa os gases da Argentina para atender à termelétrica Uruguaiana – uma usina Merchant cuja a operação não é contínua.
Esse projeto foi deixado para trás com o declínio da produção argentina, em meados dos anos de 2000. A Importação de gás da Argentina, foi então interrompida em 2009 e a térmica Uruguaiana não continuou suas atividades.
As novas perspectivas da indústria da Argentina de gás, capitaneada por conta dos aumentos das produções de gás não convencional da formação do Vaca Muerta, acenderam novamente o plano de integração entre os dois países. E agora, trazem uma nova chance para viabilizar o gasoduto do Triunfo-Uruguaiano. Desde meados de 2019, empresários argentinos da parte do setor de gás têm manifestado interesse em reaproximar os dois mercados.
