Com a inteligência artificial pressionando empregos em vários setores, Jeremy Grantham defendeu que trabalhadores busquem habilidades práticas e úteis, como engenharia, agricultura e atividades físicas difíceis de automatizar. A fala ocorre em meio a alertas sobre funções vulneráveis, previsões de Bill Gates e casos de empresas que voltaram a valorizar profissionais experientes.
A inteligência artificial voltou ao centro das discussões sobre empregos depois que o investidor bilionário Jeremy Grantham defendeu que trabalhadores desenvolvam habilidades práticas para enfrentar um mercado cada vez mais pressionado pela automação.
Bilionário vê valor em habilidades que a IA não executa
De acordo com o ladbible, Grantham, conhecido por suas avaliações críticas sobre bolhas financeiras, afirmou em entrevista ao podcast The Diary of a CEO que a inteligência artificial pode se tornar uma bolha prestes a estourar.
Para ele, os impactos não ficariam restritos a investidores que apostaram pesado no setor. A preocupação envolve também a forma como a tecnologia pode afetar funções, empresas e a própria organização da sociedade.
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Ao falar sobre o conselho que daria aos filhos, Grantham foi direto: aprender algo útil e aplicável no mundo físico. A recomendação citada por ele foi seguir a engenharia ou outra área prática.
O investidor afirmou que um de seus filhos tem se dedicado ao cultivo de plantações em uma pequena fazenda, além de aprender a lidar com galinhas, porcos e cogumelos.
Empregos ameaçados pela automação elevam preocupação
A fala ocorre em meio a previsões sobre o avanço da IA sobre diferentes setores. Estudos vêm apontando funções mais vulneráveis à perda de vagas, enquanto empresas recebem alertas sobre riscos internos.
Uma dessas preocupações é que a adoção acelerada da inteligência artificial estaria reduzindo o ponto de entrada de novos profissionais em trajetórias que, no futuro, poderiam formar lideranças.
A discussão também ganhou força após Bill Gates, de acordo com repórtagem do CPG, afirmar que apenas algumas profissões estariam mais protegidas nesse cenário: programador, atleta, biólogo e trabalhador do setor energético.
Mark Zuckerberg, por outro lado, considera essa avaliação exagerada. Ainda assim, o debate mostra como empresários e investidores observam a IA como uma força capaz de reorganizar o trabalho.
Ford voltou a procurar experiência humana
O temor de substituição generalizada não elimina a importância de profissionais experientes. Um exemplo citado foi o da Ford, que tentou recontratar engenheiros veteranos após perceber o valor de conhecimentos acumulados.
Esses trabalhadores conhecem processos, problemas e soluções construídas ao longo de anos. A situação reforça a ideia de que nem toda habilidade humana pode ser substituída apenas por sistemas automatizados.
Grantham também relacionou o cenário ao aumento da complexidade social e à desigualdade extrema. Ele citou colapso civil, guerra de mobilização em massa ou revolução total como desfechos históricos ligados a esse tipo de desequilíbrio.
As informações da matéria podem ser sustentadas por fontes identificáveis: a fala de Jeremy Grantham sobre a IA como possível bolha aparece em publicação do podcast The Diary of a CEO no LinkedIn e no YouTube; a lista atribuída a Bill Gates, com programadores, biólogos, trabalhadores do setor de energia e atletas entre áreas mais protegidas da IA, foi repercutida por Yahoo Tech, Windows Central e LADbible; o alerta sobre empregos de entrada tem apoio no Fórum Econômico Mundial, que citou queda de 35% nas vagas iniciais nos EUA em 18 meses com base na Revelio Labs; já o caso da Ford foi relatado pelo The Guardian e pelo Times of India, que citaram a recontratação de 350 engenheiros experientes após limitações no uso de IA.
