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Amazônia registra menor nível de desmatamento em oito anos e preserva área equivalente a 7 mil campos de futebol, mas avanço em Roraima e alta isolada em março acendem alerta

Escrito por Jefferson Augusto
Publicado em 08/06/2026 às 00:27
Atualizado em 08/06/2026 às 00:32
Técnicos monitorando áreas de desmatamento da Amazônia por imagens de satélite.
Tecnologia auxilia no acompanhamento das áreas de preservação e devastação da floresta.
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Dados do primeiro trimestre de 2026 mostram forte redução da destruição da floresta amazônica, enquanto especialistas acompanham focos regionais de pressão ambiental e degradação florestal

A Amazônia começou 2026 com um resultado positivo na luta contra o desmatamento. Dados divulgados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) mostram que a derrubada da floresta caiu 17% no primeiro trimestre do ano, reforçando uma tendência de redução observada ao longo dos últimos meses.

A informação foi divulgada pelo Imazon, instituição brasileira dedicada à conservação e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Segundo o levantamento, entre janeiro e março de 2026 a área desmatada totalizou 348 km². No mesmo período de 2025, a destruição havia alcançado 419 km².

Na prática, essa redução representa uma área preservada equivalente a aproximadamente 7 mil campos de futebol. Além disso, os números reforçam a importância das ações de monitoramento ambiental e fiscalização realizadas na maior floresta tropical do planeta.

Embora o resultado seja positivo, especialistas alertam que alguns estados ainda concentram elevados índices de devastação. Da mesma forma, o crescimento registrado em determinadas regiões demonstra que os desafios permanecem relevantes.

Redução acumulada atinge 36% e marca melhor resultado desde 2017

Quando a análise considera o chamado calendário do desmatamento, o cenário se torna ainda mais favorável.

Esse calendário acompanha o período entre agosto de um ano e julho do ano seguinte, metodologia utilizada em razão das características climáticas e do regime de chuvas da região amazônica.

Entre agosto de 2025 e março de 2026, a área desmatada caiu de 2.296 km² para 1.460 km². Dessa forma, a redução acumulada chegou a 36%.

Além disso, o resultado representa o menor índice de destruição florestal registrado nos últimos oito anos. Segundo o levantamento, é o melhor desempenho desde 2017.

A redução reforça uma tendência observada nos últimos ciclos de monitoramento. Ao mesmo tempo, evidencia a importância de políticas públicas voltadas à preservação ambiental e ao combate às atividades ilegais que ameaçam a floresta.

Entretanto, nem todos os indicadores apresentaram melhora. Apesar da queda acumulada, março de 2026 registrou uma alta isolada de 17% no desmatamento quando comparado ao mesmo mês de 2025.

Por isso, especialistas destacam a necessidade de manter vigilância constante para evitar a retomada dos índices de destruição.

Mato Grosso, Pará e Roraima lideram áreas mais afetadas

Mesmo com a redução geral, alguns estados continuam concentrando grande parte das perdas florestais.

Segundo os dados do Imazon, Mato Grosso, Roraima e Pará lideraram os registros de desmatamento durante o calendário atual.

Entre eles, Roraima chamou atenção de forma especial. O estado foi o único da Amazônia Legal a apresentar aumento no desmatamento em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O crescimento registrado foi de 21%.

Além disso, os municípios mais afetados entre agosto de 2025 e março de 2026 foram:

  • Caracaraí (RR): 84,09 km²
  • Feijó (AC): 43,49 km²
  • Rorainópolis (RR): 42,38 km²

Os dados mostram que parte importante da pressão ambiental continua concentrada em áreas específicas da região amazônica.

Outro destaque negativo foi a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada no Pará.

A unidade de conservação segue como a mais desmatada da Amazônia. Sozinha, ela acumula uma área de perda florestal superior a 3 mil campos de futebol.

Consequentemente, a situação reforça a necessidade de ampliar medidas de proteção em áreas ambientalmente sensíveis.

Degradação florestal cai 95%, mas seca severa preocupa especialistas

Além do desmatamento, o estudo também analisou a degradação florestal.

Diferentemente do desmatamento, que remove totalmente a cobertura vegetal, a degradação ocorre quando a floresta sofre danos parciais provocados por queimadas, exploração madeireira ou outras interferências humanas.

Mesmo sem eliminar completamente a vegetação, esses impactos reduzem a biodiversidade, comprometem o equilíbrio ecológico e aumentam a vulnerabilidade da floresta às mudanças climáticas.

Nesse indicador, os resultados foram ainda mais expressivos.

Em março de 2026, a degradação florestal atingiu apenas 11 km². Dessa forma, houve uma queda de 95%, configurando o menor nível registrado para o mês nos últimos 11 anos.

Apesar disso, Roraima concentrou 82% de toda a área degradada registrada em março.

Segundo o estudo, esse cenário está diretamente relacionado ao período de seca mais severo enfrentado pelo estado em comparação com outras áreas da Amazônia.

Portanto, mesmo diante da redução histórica dos índices gerais, os pesquisadores ressaltam que a proteção da floresta exige atenção contínua.

A combinação entre combate ao desmatamento, monitoramento da degradação e adaptação às mudanças climáticas continuará sendo decisiva para garantir a conservação da Amazônia nos próximos anos.

Você acredita que a redução do desmatamento na Amazônia conseguirá se manter nos próximos anos ou ainda existem desafios que podem reverter essa tendência?

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Jefferson Augusto

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