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Para fazer chover sementes na Caatinga, estudantes do interior da Paraíba criam foguete reutilizável de baixo custo com motor impresso em 3D, paraquedas controlado por Arduino e cápsulas de argila para levar reflorestamento a áreas secas onde quase ninguém consegue chegar

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Escrito por Ana Alice Publicado em 28/06/2026 às 20:45 Atualizado em 28/06/2026 às 20:47
Estudantes da Paraíba criam foguete com impressão 3D e Arduino pensado para lançar sementes nativas na Caatinga. (Imagem: Ilustrativa)
Estudantes da Paraíba criam foguete com impressão 3D e Arduino pensado para lançar sementes nativas na Caatinga. (Imagem: Ilustrativa)
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Um grupo de estudantes de Cuité, na Paraíba, desenvolveu um foguete reutilizável para espalhar sementes na Caatinga, unindo impressão 3D, Arduino e reflorestamento em uma proposta escolar.

Estudantes de uma escola pública de Cuité, na Paraíba, desenvolveram um foguete de baixo custo pensado para lançar sementes nativas em áreas da Caatinga.

O projeto, chamado Apollo SPX, foi criado por alunos da Escola Estadual Cidadã Integral Técnica Jornalista José Itamar da Rocha Cândido.

A iniciativa ficou entre os 10 finalistas do Solve for Tomorrow Brasil 2025, programa da Samsung voltado a estudantes do ensino médio de escolas públicas, e depois foi citada como vencedora do Júri Popular da edição.

Foguete para reflorestar a Caatinga

O Apollo SPX, sigla para Solid Propellant Experiment, foi desenvolvido por quatro alunos e uma aluna do 2º ano do ensino médio.

A proposta usa um foguete para dispersar sementes no solo e apoiar ações de reflorestamento da Caatinga, bioma predominante na região onde os estudantes vivem.

Segundo a Samsung, o protótipo também pode ser usado como apoio à agricultura, já que seu princípio é transportar e espalhar sementes em áreas específicas.

A ideia chama atenção por aproximar tecnologia aeroespacial de um problema ambiental local.

Em vez de tratar foguetes apenas como objetos ligados ao espaço, os estudantes aplicaram conceitos de lançamento, estabilidade, carga e recuperação em uma solução voltada ao território onde estudam.

O objetivo não é criar um foguete de grande porte.

A proposta está no uso de um equipamento reutilizável, com baixo custo relativo e capacidade de levar sementes a locais de difícil acesso.

Essa abordagem ajuda a tornar a ciência mais concreta.

Para os alunos, conceitos de física, eletrônica, materiais e programação deixam de ser apenas conteúdos escolares e passam a formar um protótipo com função ambiental.

Alunos responsáveis pelo projeto Apollo SPX, finalista do Solve for Tomorrow Brasil 2025 - Imagem: Samsung
Alunos responsáveis pelo projeto Apollo SPX, finalista do Solve for Tomorrow Brasil 2025 – Imagem: Samsung

Motor impresso em 3D e Arduino

O protótipo descrito pela Samsung tem um motor impresso em 3D, feito com resina de fibra de vidro para aumentar a resistência.

A estrutura também inclui uma coifa com paraquedas, controlado por Arduino para abrir depois do lançamento.

O Arduino é uma plataforma usada em projetos de automação e eletrônica.

De forma simples, ele funciona como um pequeno controlador programável, capaz de acionar componentes de acordo com comandos definidos pelos desenvolvedores.

No foguete dos estudantes, esse recurso aparece associado ao controle do paraquedas.

A abertura após o lançamento permite recuperar o equipamento e reforça a ideia de reutilização.

Esse ponto é importante porque o projeto não foi pensado como um objeto descartável.

Depois de construído, o foguete exige a reposição de combustível e sementes para novas operações, segundo explicou a professora orientadora Priscila da Silva Santos.

“É um foguete de reflorestamento reutilizável. No corpo é onde ficam as sementes, que são envolvidas com argila e água para aderir ao solo quando são dispersadas. O diferencial de ser reutilizável é a economia já que, depois de construído, o foguete exige apenas a reposição de combustível e das sementes”, afirmou a orientadora à Samsung.

Sementes envolvidas em argila e água

O funcionamento do Apollo SPX não depende apenas do lançamento.

As sementes também passam por uma preparação antes da dispersão.

De acordo com a explicação da professora, elas são envolvidas com argila e água para aderir melhor ao solo quando caem na área escolhida.

Essa técnica lembra o princípio das chamadas bolas de sementes, usadas em algumas ações de recuperação ambiental.

A camada de argila pode ajudar a proteger a semente e facilitar o contato com o solo.

No projeto paraibano, esse recurso é combinado com o foguete para ampliar o alcance da dispersão.

A ideia é especialmente interessante em áreas de difícil acesso.

Em regiões degradadas, terrenos irregulares ou pontos onde o deslocamento humano é mais complicado, lançar sementes a distância pode reduzir parte do esforço operacional.

Ainda assim, reflorestamento não depende apenas de espalhar sementes.

O sucesso de uma ação desse tipo envolve escolha adequada das espécies, época de plantio, condições do solo, disponibilidade de água, proteção contra fogo, presença de animais e acompanhamento posterior.

Por isso, o Apollo SPX deve ser entendido como uma ferramenta experimental dentro de um processo maior de recuperação ambiental.

A tecnologia ajuda na dispersão, mas não substitui o planejamento ecológico.

Estudantes levaram problema local para programa nacional

O projeto chegou à final do Solve for Tomorrow Brasil 2025 em novembro, quando a Samsung divulgou os 10 finalistas da edição.

O programa estimula estudantes do ensino médio de escolas públicas a identificar problemas reais e desenvolver soluções baseadas em ciência e tecnologia.

No caso dos alunos de Cuité, o problema escolhido foi o desmatamento e a recuperação de áreas da Caatinga.

A escolha tem relação direta com o território.

A Caatinga é o bioma local e faz parte da paisagem, da economia e da vida cotidiana de comunidades do semiárido.

Ao trabalhar com sementes nativas, o grupo conectou inovação tecnológica e pertencimento ambiental.

Essa combinação ajuda a explicar por que o projeto chamou atenção.

A proposta não ficou restrita ao funcionamento do foguete.

Ela também trouxe uma pergunta mais ampla: como estudantes podem usar tecnologia para responder a desafios ambientais da própria região?

@samsungbrasil

Nesta edição do SolveforTomorrow, estudantes da Escola Estadual Cidadã Integral Técnica Jornalista José Itamar da Rocha Cândido, de Cuité (PB), desenvolveram o Apollo SPX, um foguete para auxiliar no reflorestamento da Caatinga.  Projetado para ser reutilizável, o dispositivo utiliza combustível e sementes envoltas em uma mistura de argila e água, técnica que garante a aderência ao solo durante o lançamento. Alunos: Bruno Kauã Macêdo Silva Maria Helena Lopes Nícolas Nascimento Cunha Wescle Marcel Santos Silva

♬ original sound – Samsung Brasil

Projeto teve atualização em 2026

Depois da etapa final, o Apollo SPX continuou em desenvolvimento.

Em fevereiro de 2026, o ESG Inside informou que o projeto, apontado como vencedor do Júri Popular da 12ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, seguia avançando com foco no reflorestamento da Caatinga.

Segundo a publicação, os alunos e professores envolvidos continuavam trabalhando em etapas do protótipo, incluindo lançamento e análise dos resultados.

A reportagem também informou que o grupo estudava a criação de uma carga paga, ou payload, que poderia ser aplicada ao protótipo atual e a projetos futuros.

Esse tipo de atualização mostra que a iniciativa não se encerrou na apresentação para a premiação.

O projeto passou a funcionar também como experiência de formação científica para os estudantes.

A professora Priscila afirmou, segundo o ESG Inside, que a equipe seguia modelando o protótipo, escrevendo e planejando as próximas fases.

A aluna Maria Helena Lopes também relatou que a participação no programa ajudou a divulgar o projeto em âmbito nacional e motivou o grupo a dar continuidade ao Apollo SPX.

Ciência escolar com impacto ambiental

O Apollo SPX chama atenção porque transforma conteúdos de sala de aula em um protótipo com aplicação ambiental.

A impressão 3D permite produzir peças sob medida.

O Arduino adiciona controle eletrônico ao sistema.

O paraquedas torna a recuperação do foguete mais viável.

As sementes encapsuladas conectam o experimento à restauração de áreas degradadas.

Cada elemento tem uma função dentro do conjunto.

Essa integração é uma das partes mais relevantes do projeto.

Em vez de trabalhar ciência, tecnologia e meio ambiente separadamente, os estudantes combinaram esses campos em uma solução única.

O resultado é um projeto que conversa com engenharia, sustentabilidade, educação pública e inovação regional.

Também há um componente econômico.

Ao propor um foguete reutilizável, o grupo tenta reduzir o custo de uso ao longo do tempo.

A reposição de combustível e sementes tende a ser mais barata do que reconstruir toda a estrutura a cada lançamento, conforme explicou a orientadora.

Ainda assim, o texto disponível não apresenta dados fechados de custo total, alcance operacional ou taxa de germinação das sementes após o lançamento.

Por isso, esses pontos não devem ser apresentados como comprovados.

A matéria pode afirmar que o projeto busca ser de baixo custo e reutilizável, mas não deve inventar números de desempenho.

O que torna o Apollo SPX diferente

A principal diferença do projeto está na forma de abordar o reflorestamento.

Enquanto muitas ações dependem de plantio manual, o Apollo SPX testa uma alternativa de dispersão por lançamento.

Essa proposta não elimina métodos tradicionais.

Ela funciona como experimento para ampliar possibilidades, especialmente em locais de acesso difícil.

A presença de um motor impresso em 3D e de um sistema controlado por Arduino também torna o projeto mais próximo da linguagem das novas tecnologias.

Para estudantes do ensino médio, construir algo assim exige pesquisa, testes, correções e trabalho em equipe.

A própria professora Priscila destacou, em declaração à Samsung, que as mentorias ajudaram os alunos a amadurecer a ideia e desenvolver habilidades para apresentar o projeto.

“As mentorias nos ajudam a amadurecer e desenvolver a ideia e, nesse processo, o crescimento pessoal dos alunos foi gigante. Desenvolveram a criatividade, habilidades manuais e até a desenvoltura para apresentar o projeto”, afirmou.

A fala reforça outro aspecto da iniciativa.

O projeto não envolve apenas o produto final, mas o processo de aprendizagem dos estudantes.

Ao criar, testar e explicar o foguete, o grupo desenvolveu competências técnicas e de comunicação.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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