Fiscalizações intensificadas encontraram irregularidades graves em postos do Rio de Janeiro e acenderam um alerta para consumidores que abastecem diariamente
Abastecer o carro parece uma tarefa simples. No entanto, muitos motoristas ainda enfrentam fraudes que passam despercebidas. Essas práticas podem gerar prejuízos financeiros, reduzir o desempenho do veículo e causar danos mecânicos.
A informação foi divulgada pelo jornal EXTRA com base em dados do Procon Carioca e da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor (Sedecon). Segundo o levantamento, as equipes de fiscalização encontraram diversas irregularidades em postos de combustíveis da cidade do Rio de Janeiro.
Desde novembro do ano passado, a operação Posto Sem Roubo ampliou as inspeções em toda a capital fluminense. Nesse período, os fiscais visitaram 339 estabelecimentos. Entre eles, 27 receberam autuações por irregularidades. O número representa cerca de 8% dos postos fiscalizados. Além disso, as equipes interditaram 24 locais por infrações consideradas graves.
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De acordo com a Sedecon, a operação busca proteger os consumidores e garantir o cumprimento das normas previstas na legislação.
Bomba baixa e combustível adulterado lideram lista de irregularidades
Os fiscais encontraram diferentes tipos de fraude durante as inspeções. A mais comum foi a chamada “bomba baixa”.
Nesse golpe, a bomba registra um volume maior do que o combustível realmente entregue ao consumidor. Assim, o motorista paga por uma quantidade que não recebeu.
Além disso, alguns responsáveis tentaram impedir o trabalho das equipes de fiscalização. Em determinados casos, eles desligaram quadros de energia ou utilizaram mecanismos para dificultar as inspeções.
Os agentes também identificaram postos sem a documentação obrigatória.
Entretanto, o problema mais grave envolveu combustíveis adulterados. Em alguns estabelecimentos, os fiscais encontraram gasolina com teor de etanol acima do limite de 30% permitido pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
No Engenho Novo, Zona Norte do Rio de Janeiro, um posto comercializava etanol como se fosse gasolina comum. A prática caracteriza fraude direta contra o consumidor.
Segundo o Inmetro, combustíveis adulterados podem reduzir a eficiência do motor, aumentar o consumo e acelerar o desgaste de componentes mecânicos.
Além disso, os fiscais autuaram três postos por publicidade enganosa. Dois estabelecimentos, localizados na Barra da Tijuca e na Lapa, exibiam informações capazes de confundir os clientes. Já um terceiro posto, no Jardim Botânico, anunciava preços diferentes dos valores cobrados nas bombas.
Como a fiscalização identifica os golpes nos postos
A ANP realiza fiscalizações diariamente em postos de combustíveis de todo o país.
Durante as inspeções, os agentes analisam a qualidade dos combustíveis, verificam os equipamentos e conferem toda a documentação obrigatória.
Para detectar casos de bomba baixa, os fiscais utilizam uma medida-padrão de 20 litros. Dessa forma, eles conseguem confirmar se a bomba entrega exatamente o volume indicado no visor.
Segundo Júlio Nishida, superintendente de Fiscalização do Abastecimento da ANP, qualquer irregularidade grave pode resultar na interdição de tanques, bombas ou até do estabelecimento inteiro.
Além disso, os responsáveis respondem a processos administrativos. As multas variam entre R$ 5 mil e R$ 5 milhões. Dependendo da situação, a ANP também pode suspender ou cancelar a autorização de funcionamento.
O que o consumidor deve observar antes de abastecer
Os órgãos de defesa do consumidor orientam os motoristas a manter atenção durante o abastecimento.
Primeiramente, desconfie de preços muito abaixo da média praticada no mercado. Em muitos casos, ofertas exageradamente vantajosas escondem problemas na qualidade do combustível.
Além disso, fique atento a promoções condicionadas ao uso de aplicativos específicos ou programas de fidelidade. Algumas ofertas apresentam diferenças expressivas em relação aos pagamentos por Pix, cartão ou dinheiro.
Outra recomendação importante envolve a nota fiscal. Guarde sempre o comprovante do abastecimento. Esse documento pode ajudar em futuras reclamações ou investigações.
Da mesma forma, observe o comportamento do veículo após abastecer. Quedas de desempenho, aumento de consumo ou falhas mecânicas podem indicar combustível adulterado.
Além disso, confira se os preços exibidos nas placas correspondem aos valores registrados na bomba.
Por fim, denuncie qualquer irregularidade. O consumidor pode registrar reclamações pelo site do Procon Carioca, pelas redes sociais oficiais, pelo telefone 1746 da Prefeitura do Rio ou presencialmente na sede do órgão.
O Inmetro também recebe denúncias por meio da Ouvidoria, disponível no portal oficial do governo federal e pelo telefone gratuito 0800-285-1818.
A fiscalização ajuda a combater fraudes. Entretanto, a atenção do consumidor continua sendo uma das ferramentas mais importantes para evitar prejuízos e garantir um abastecimento seguro.
E você, já suspeitou de alguma irregularidade ao abastecer ou percebeu mudanças no desempenho do seu carro após sair de um posto de combustível?

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