Em meio à disparada do ouro, à venda gradual de títulos do Tesouro americano e ao debate sobre desdolarização, comentaristas da TV dos Estados Unidos demonstram preocupação com a estratégia dos BRICS de reduzir a dependência do dólar e seus possíveis impactos sobre juros, inflação e a posição financeira global americana
Nos últimos anos, um movimento estrutural de desdolarização vem se intensificando com os países do BRICS, buscando reduzir a dependência do dólar nos fluxos comerciais, nas reservas cambiais e em instrumentos de liquidez,
Ao mesmo tempo, ampliam a acumulação de ouro físico e promovem alternativas financeiras que questionam a hegemonia monetária americana num contexto de tensões geopolíticas e políticas monetárias divergentes.
O ouro como ativo estratégico em meio a incertezas geoeconômicas e monetárias
A recente escalada nos preços do ouro, que em 2025 ultrapassou patamares históricos – chegando a superar US$ 4.300 por onça em dezembro de 2025 em alguns mercados – reflete não apenas o tradicional papel do metal como refúgio em tempos de aversão ao risco, mas também mudanças estratégicas de alocação de reservas por bancos centrais.
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De acordo com relatórios de mercado e levantamento de dados internacionais analisados por especialistas, os bancos centrais do mundo compraram mais de 4.800 toneladas de ouro entre 2020 e 2024, o maior volume coletivo desde o fim do padrão-ouro no século XX, com mais da metade dessa aquisição concentrada em economias emergentes e membros dos BRICS.
Para além desse movimento global, iniciativas concretas de países do BRICS indicam uma estratégia deliberada para fortalecer reservas em ativos não-dolarizados.
A China, por exemplo, registrou reservas cambiais totais superiores a US$ 3,3 trilhões em novembro de 2025, mantendo posição de destaque entre os maiores detentores mundiais de ativos financeiros internacionais – embora a composição específica em dólar esteja em gradual declínio desde meados da década passada.
Venda de títulos dos EUA e diversificação de reservas
Parte do debate atual gira em torno do relato de que algumas economias emergentes estariam se desfazendo de títulos do Tesouro dos EUA como estratégia de diversificação.
Dados recentes revelam que China, Índia e Brasil venderam aproximadamente US$ 28,8 bilhões em títulos do Tesouro americano em outubro de 2025, diminuindo a exposição acumulada em anos anteriores e refletindo uma tendência de ajuste nas reservas estrangeiras.
Esse movimento ocorre em paralelo à narrativa de que a dependência excessiva do dólar limita a soberania financeira de países emergentes e os expõe a riscos geopolíticos – como sanções e restrições financeiras unilaterais.
A acumulação de ouro é vista por muitos governos como uma forma de “seguro” contra a volatilidade do dólar ou políticas monetárias adversas, dado que o ouro é um ativo globalmente reconhecido e não depende de políticas de um único país para manutenção de valor.
BRICS, moeda comum e iniciativas de infraestrutura financeira
Na esteira dessas mudanças, líderes dos BRICS têm discutido propostas de sistemas financeiros alternativos que possam reduzir gradualmente a dependência do dólar em transações internacionais.
Um exemplo é o projeto de uma moeda de contas comum e um sistema de pagamentos transfronteiriços aos moldes do SWIFT, apoiados por uma cesta de ativos e reservas físicas de ouro.
Embora tais propostas enfrentem desafios técnicos e políticos significativos – especialmente no que se refere à liquidez, volatilidade cambial e necessidade de investimentos em infraestrutura financeira – sua simples existência alimenta debates sobre a arquitetura monetária mundial.
Economistas sublinham que, mesmo com esses movimentos, o dólar ainda domina cerca de 56–58% das reservas internacionais globais, segundo estimativas de composição cambial até meados de 2025.
A narrativa da mídia americana e seu impacto político
Debates sobre desdolarização e ascensão do ouro muitas vezes ganham tons dramáticos em meios de comunicação dos EUA e vozes políticas nacionais, que enxergam esses movimentos como uma ameaça à liderança econômica americana. Um exemplo é um debate na FOX NEWS.
Comentadores financeiros e políticos nos Estados Unidos associam frequentemente as altas recentes do ouro à desconfiança no Federal Reserve e às políticas fiscais e monetárias domésticas, argumentando que essas questões legitimam críticas à hegemonia do dólar.
Discursos públicos de figuras políticas proeminentes, como ex-presidentes e conselheiros econômicos, reforçam esse clima ao vincular o fortalecimento do dólar à segurança econômica nacional e ao desmerecer iniciativas de concorrentes globais.
Contudo, analistas financeiros apontam que a desdolarização é um processo gradual, multifacetado e profundamente arraigado na evolução do comércio e das relações financeiras internacionais – menos um ataque coordenado deliberado, e mais uma resposta adaptativa de países que buscam maior robustez diante de riscos sistêmicos.
O papel do ouro e as perspectivas para o dólar
Ouro e dólar existem há décadas como pilares complementares do sistema financeiro internacional: o dólar como principal meio de troca e unidade de conta no comércio global, e o ouro como reserva de valor e instrumento de diversificação.
Com o preço do ouro nos níveis elevados observados recentemente e reservas oficiais em expansão em diversos países emergentes, muitos economistas ponderam que essa não é uma substituição abrupta, mas uma realocação estratégica de longo prazo.
Mesmo com o crescimento das reservas em ouro, o dólar ainda mantém sua predominância, sustentado por vastos mercados de capitais, a profundidade e liquidez de seus ativos financeiros, e a confiança histórica de investidores globais.
A desdolarização, nesse sentido, não implica automaticamente o fim da moeda americana como principal reserva mundial, mas sinaliza um mundo multipolar em evolução, com maior pluralidade de ativos e instrumentos de liquidez.
Fim do jogo dos BRICS ou reconfiguração gradual?
As análises mais rigorosas indicam que o cenário atual incorpora tanto elementos estruturais profundos quanto respostas a ciclos econômicos e políticos temporários.
O acúmulo de ouro pelos bancos centrais, a modesta redução de títulos americanos nas reservas e as discussões sobre sistemas de pagamento alternativos refletem um desejo legítimo de diversificação e resiliência financeira entre países emergentes.
Ao mesmo tempo, a economia dos EUA e o dólar continuam centrais no comércio global e nas reservas internacionais, com fluxos significativos de investimento estrangeiro em títulos americanosingido e fortalecendo a liquidez do mercado.
Portanto, mais do que “por fim a um jogo”, o que se desenha é uma reconfiguração complexa e gradual do sistema financeiro global, na qual ouro, moedas locais e o dólar americano coexistem – cada um desempenhando papéis distintos, mas interdependentes, na gestão de risco, nas políticas macroeconômicas e nas estratégias de reserva de valor dos países ao redor do mundo.

This America financially enslaved the whole world for so long. How is this possible in a sensible world to make a single country’s currency become the reserved currency of the entire nations of the world. We must have been brainwashed!!!!
We need a better sense of normal,not rule of law or my way or the highway 🛣. But peace of mind/stability, this where the brics come in
Something new,and different.
Eles que decidiram mandar suas empresas para países com mão de obra barata! Ué? O importante não era aumentar a eficiência e o lucro? A ganância tá cobrando o seu preço, quem fez a m* foram vocês mesmo! Tão falindo daí querem nos saquear!