Pesquisadores desenvolvem bateria de íons capaz de armazenar eletricidade e hidrogênio, avanço que pode transformar o armazenamento de energia.
Uma equipe de pesquisadores do Instituto Dalian de Físico-Química, na China, desenvolveu uma tecnologia que pode mudar a forma como eletricidade e hidrogênio são armazenados. O novo sistema funciona como uma bateria de íons de hidreto (H⁻) capaz de armazenar simultaneamente energia elétrica e hidrogênio gasoso, reunindo duas funções que normalmente exigem equipamentos separados.
O protótipo ainda está em fase laboratorial, mas já demonstrou resultados expressivos. Durante os testes, alcançou capacidade inicial de descarga de 1.526 mAh g⁻¹, liberou cerca de 6% de hidrogênio em peso à temperatura ambiente e manteve mais de 70% da capacidade após 60 ciclos de operação.
A novidade, divulgada em matéria no Science Direct no dia 13 de maio de 2026, surge em um momento em que o armazenamento de energia se tornou uma das maiores prioridades para a expansão global da energia renovável e do hidrogênio.
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Pesquisadores criam sistema que une bateria e reservatório de hidrogênio
O diferencial da tecnologia está em seu conceito chamado bateria gás-sólido. O equipamento utiliza gás hidrogênio como eletrodo positivo e magnésio metálico como eletrodo negativo.
Segundo o estudo liderado por Shangshang Wang e sua equipe, durante a descarga o hidrogênio é convertido em íons hidreto. Ao mesmo tempo, o magnésio reage formando hidreto de magnésio. Quando a bateria é recarregada, o processo acontece no sentido contrário.
Na prática, isso permite que o equipamento realize duas funções ao mesmo tempo:
- Armazenamento de energia elétrica;
- Armazenamento de hidrogênio em estado sólido.
Essa combinação é considerada inédita dentro das tecnologias de baterias experimentais apresentadas até agora.
Como a bateria de íons funciona durante carga e descarga
A bateria de íons utiliza íons hidreto (H⁻), partículas que possuem elevada densidade energética e capacidade de transportar carga elétrica.
Embora sejam conhecidos há décadas pela comunidade científica, esses íons apresentam alta reatividade, o que dificulta sua utilização em condições normais de temperatura e pressão.
Nos últimos anos, os pesquisadores chineses desenvolveram novos materiais eletrolíticos capazes de transportar esses íons de forma estável. Posteriormente, a equipe conseguiu criar um condutor ultrarrápido de íons hidreto operando em baixas temperaturas.
Esses avanços abriram caminho para a construção do novo protótipo apresentado agora.
Hidrogênio ainda enfrenta desafios de transporte e armazenamento
O hidrogênio verde é visto como uma das principais apostas para reduzir emissões de carbono em setores industriais e de transporte pesado. Apesar do potencial, existe um obstáculo importante: o armazenamento.
Atualmente, as soluções mais utilizadas exigem condições extremas, como:
- Compressão de até 700 atmosferas;
- Liquefação próxima de -253°C;
- Infraestrutura especializada para transporte.
Esses processos aumentam significativamente os custos operacionais e o consumo de energia.
Por esse motivo, tecnologias capazes de armazenar hidrogênio em condições ambientais normais vêm recebendo atenção crescente de pesquisadores e empresas do setor energético.
Armazenamento de energia ganha alternativa com dupla função
O crescimento da energia renovável ampliou a necessidade de soluções eficientes para guardar eletricidade produzida em horários de excesso de geração.
Usinas solares e parques eólicos dependem cada vez mais de sistemas de armazenamento de energia capazes de equilibrar a oferta e a demanda.
Nesse cenário, a nova bateria de íons apresenta uma característica relevante: além de armazenar eletricidade, ela também funciona como uma forma de armazenamento químico por meio do hidrogênio.
Isso cria uma alternativa que pode aumentar a flexibilidade operacional de futuras redes energéticas.
Números do protótipo chamam atenção dos pesquisadores
Os testes realizados em laboratório revelaram indicadores considerados promissores para uma tecnologia ainda em estágio inicial.
Entre os principais resultados divulgados estão:
- Capacidade inicial de descarga de até 1.526 mAh g⁻¹;
- Liberação de aproximadamente 6% de hidrogênio em peso;
- Retenção superior a 70% da capacidade após 60 ciclos;
- Operação estável entre -20°C e 90°C.
Outro marco importante foi a construção de uma pilha formada por dez células conectadas em série.
O conjunto gerou mais de 2,4 volts de tensão e conseguiu alimentar um LED, demonstrando a viabilidade prática do conceito.
Energia renovável pode se beneficiar da nova arquitetura híbrida
A expansão da energia renovável depende diretamente da evolução das tecnologias de armazenamento.
Quanto maior a capacidade de armazenar energia de forma segura e econômica, maior tende a ser a participação de fontes limpas na matriz energética global.
A proposta desenvolvida pelos pesquisadores apresenta uma abordagem diferente porque une duas formas de armazenamento em um único sistema.
Caso a tecnologia avance para fases comerciais no futuro, ela poderá contribuir para aplicações ligadas à geração solar, energia eólica, microrredes e sistemas industriais que utilizam hidrogênio.
O que essa descoberta representa para o futuro da economia do hidrogênio
Embora ainda seja um protótipo de laboratório, a nova bateria de íons demonstra uma possível rota para superar um dos principais gargalos da economia do hidrogênio.
Ao eliminar a necessidade de pressões extremas ou temperaturas criogênicas para armazenamento, a tecnologia abre perspectivas para soluções mais simples e potencialmente mais acessíveis.
Os pesquisadores ainda precisam superar desafios relacionados à escala de produção e à durabilidade de longo prazo. Mesmo assim, os resultados obtidos mostram que o armazenamento de energia e o hidrogênio podem caminhar juntos em uma nova geração de sistemas energéticos, mais eficientes, versáteis e alinhados às metas globais de descarbonização.

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