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Algo está se espalhando pela superfície de Marte sem que ninguém consiga explicar por quê e a mancha escura descoberta há 50 anos já avançou mais de 320 km e cresce sem dar sinais de que vai parar

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 20/04/2026 às 23:27
Atualizado em 20/04/2026 às 23:30
Uma mancha escura em Marte descoberta pelas Viking há 50 anos já avançou 320 km na Utopia Planitia. Os ventos marcianos são suspeitos, mas ninguém tem certeza.
Uma mancha escura em Marte descoberta pelas Viking há 50 anos já avançou 320 km na Utopia Planitia. Os ventos marcianos são suspeitos, mas ninguém tem certeza.
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Fotografias recentes da sonda Mars Express mostram que uma mancha escura em Marte, na planície Utopia Planitia, registrada pelas sondas Viking em 1976, avançou pelo menos 320 km para o sul a uma taxa de 6,5 km anuais, fenômeno que cientistas atribuem possivelmente aos ventos marcianos mas que ainda carece de explicação definitiva.

Uma formação escura na superfície de Marte que intriga cientistas há meio século está crescendo, e as imagens mais recentes confirmam que o avanço não deu sinais de desaceleração. A mancha foi identificada pela primeira vez em 1976, quando as sondas Viking da NASA pousaram no planeta vermelho e registraram uma área de solo com coloração mais sombria do que o entorno, localizada dentro da vasta planície conhecida como Utopia Planitia, no hemisfério norte de Marte. Fotografias captadas em 2024 pela Mars Express, veículo orbital europeu, e divulgadas em abril mostram que as bordas da formação avançaram pelo menos 320 quilômetros na direção sul, ritmo que sugere uma expansão de aproximadamente 6,5 quilômetros a cada ano.

A composição da mancha já é conhecida: trata-se de solo coberto por cinzas e rochas vulcânicas depositadas por erupções ocorridas milhões de anos atrás na história geológica de Marte. O que permanece sem resposta é por que essa camada escura está se alastrando progressivamente pela superfície do planeta. A ESA apresentou duas hipóteses: ou os ventos marcianos estão erguendo e transportando as cinzas para áreas vizinhas, ou essas mesmas correntes atmosféricas estão removendo a camada de poeira alaranjada que antes escondia o material vulcânico escuro por baixo. Nenhuma das duas explicações foi confirmada de forma conclusiva.

Onde fica a mancha que se alastra pela superfície de Marte

Uma mancha escura em Marte descoberta pelas Viking há 50 anos já avançou 320 km na Utopia Planitia. Os ventos marcianos são suspeitos, mas ninguém tem certeza.

A formação está situada em Utopia Planitia, planície com aproximadamente 3.300 quilômetros de largura que ocupa boa parte do hemisfério norte de Marte. A região é uma das mais estudadas do planeta: em 1976, a sonda Viking 2 pousou ali para conduzir experimentos biológicos e operou até 1980, e em 2021 o rover chinês Zhurong também desceu na mesma planície, explorando a superfície antes de encerrar atividades em 2023. Dados coletados por Zhurong permitiram que cientistas chineses argumentassem que Utopia Planitia foi coberta no passado por um dos maiores corpos de água líquida da história de Marte, e a equipe chegou a mapear o que seria uma antiga ilha costeira.

A planície apresenta características geológicas que a tornam especialmente interessante para pesquisadores. A superfície de Marte nessa região é marcada por grabens, fendas no solo que fornecem pistas sobre atividades tectônicas que podem ter sacudido o planeta em eras passadas. Além disso, há evidências de gelo subterrâneo na área, fator que complica qualquer tentativa de buscar vestígios de vida microbiana sob a superfície, mas que ao mesmo tempo torna Utopia Planitia candidata a futuras missões de exploração.

Por que a mancha escura em Marte continua crescendo

Uma mancha escura em Marte descoberta pelas Viking há 50 anos já avançou 320 km na Utopia Planitia. Os ventos marcianos são suspeitos, mas ninguém tem certeza.

A taxa de expansão identificada nas imagens é consistente ao longo das décadas, o que descarta um evento pontual como causa. Ao comparar os registros das sondas Viking de 1976 com as fotografias da Mars Express de 2024, pesquisadores concluíram que a fronteira sul da mancha avançou pelo menos 320 quilômetros, deslocamento compatível com uma progressão contínua de cerca de 6,5 quilômetros anuais ao longo da superfície de Marte. A regularidade do avanço sugere que o fenômeno é alimentado por um processo atmosférico persistente, e não por uma causa geológica esporádica.

Os ventos de Marte são o principal candidato a motor dessa expansão. A atmosfera marciana, embora rarefeita em comparação com a terrestre, produz correntes capazes de deslocar partículas finas de poeira e cinza ao longo de distâncias consideráveis. A hipótese da ESA é que esses ventos ou estão carregando cinzas vulcânicas para novas áreas, cobrindo o solo alaranjado com material escuro, ou estão varrendo a poeira clara que antes ocultava o substrato vulcânico. Nos dois cenários, o resultado visual é o mesmo: a mancha escura parece crescer porque mais solo escuro fica exposto a cada temporada de ventos em Marte.

O que as sondas Viking descobriram quando chegaram a Marte em 1976

As missões Viking representaram o primeiro contato direto da humanidade com a superfície de Marte. A Viking 2 desceu em Utopia Planitia com o objetivo de realizar experimentos que pudessem detectar sinais de vida microbiana no solo, e durante quatro anos de operação coletou dados que moldaram o entendimento científico sobre a composição e as condições da superfície marciana. Foi nesse contexto que as primeiras imagens da mancha escura foram registradas, embora na época o fenômeno não tenha recebido a atenção que ganha agora.

Cinquenta anos depois, a escala da mudança é visível. O que em 1976 aparecia como uma área escura confinada dentro de uma cratera na superfície de Marte agora se espalha por centenas de quilômetros além dos limites originais. A comparação direta entre as fotos das Viking e as da Mars Express demonstra que a mancha não apenas permaneceu, mas expandiu de forma mensurável, levantando questões que os instrumentos da década de 1970 não tinham capacidade de responder e que mesmo a tecnologia atual aborda apenas com hipóteses.

O que a mancha pode revelar sobre o passado geológico de Marte

A existência de cinzas vulcânicas espalhadas por uma área tão vasta confirma que Marte teve atividade vulcânica intensa em períodos remotos. O material escuro que compõe a mancha foi depositado por atividade vulcânica datada de milhões de anos no passado, e sua preservação na superfície indica que os processos erosivos em Marte são lentos o suficiente para que vestígios geológicos antigos sobrevivam por períodos imensos. Essa durabilidade é uma das razões pelas quais cientistas consideram o planeta vermelho um arquivo geológico excepcionalmente bem conservado.

A interação entre os ventos e esse material vulcânico também fornece dados sobre a dinâmica atmosférica atual de Marte. Se a mancha realmente cresce porque os ventos redistribuem cinzas ou removem poeira superficial, cada centímetro de avanço funciona como registro indireto dos padrões de circulação atmosférica do planeta ao longo de décadas. Para pesquisadores, monitorar a expansão dessa formação é uma forma de estudar o clima marciano em tempo real, usando a própria superfície de Marte como instrumento de medição. O fenômeno que começou como curiosidade visual nas fotos de 1976 se transformou numa ferramenta científica que pode ajudar a entender como o planeta funciona hoje.

E você, acha que a mancha em Marte pode ter uma explicação que a ciência ainda não considerou? Acredita que futuras missões vão conseguir decifrar o mistério? Deixe sua opinião nos comentários.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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