Fechado para voos comerciais desde 2011, o aeroporto de Ciudad Real tenta se reinventar como centro de manutenção aeronáutica, com hangares novos, terminal de carga e aposta em energia solar.
O aeroporto de Ciudad Real, na Espanha, tenta virar a página de uma das histórias mais simbólicas do fracasso imobiliário e financeiro da crise de 2008. Depois de anos de abandono, a estrutura que custou € 1,1 bilhão agora tem um novo plano para voltar a funcionar a partir de 2026, desta vez como base de manutenção aeronáutica.
O movimento acontece após um acordo assinado pela nova administração com a Sabena Technics, que vai instalar um centro de manutenção de aeronaves no local. O contrato terá validade de 25 anos e prevê a criação de 150 empregos nos primeiros cinco anos, além de atendimento médio a 100 aviões por ano.
Segundo a Aviacionline, a subsidiária espanhola Sabena Technics CQM já iniciou o processo de seleção dos profissionais, que devem passar por treinamento na França. O plano recoloca Ciudad Real no mapa da aviação, agora com uma aposta bem diferente da que levou ao colapso comercial do aeroporto.
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De símbolo da crise a aposta em manutenção

Inaugurado em 2008 como uma alternativa de baixo custo ao aeroporto de Madrid-Barajas, Ciudad Real nunca conseguiu se firmar. A operação comercial foi ficando inviável para as companhias aéreas, e o último voo regular passou por ali em 2011.
Desde então, o aeroporto virou sinônimo de abandono. O novo projeto tenta exatamente o oposto: transformar uma estrutura parada em uma base voltada a serviços de maior valor para o setor aéreo, sem depender do fluxo tradicional de passageiros.
O acordo com a Sabena Technics e a promessa de 150 vagas
O contrato firmado com a Sabena Technics é a peça central da retomada. A empresa vai ocupar o espaço com um centro de manutenção aeronáutica e, de acordo com a administração local, o objetivo é consolidar Ciudad Real nesse segmento.
Luis Torrente, CEO da Ciudad Real International Airport, disse à agência EFE que a intenção é ampliar o portfólio de serviços oferecidos a companhias aéreas e arrendadores de aeronaves. A meta é atrair também empresas de pintura de aviões, manutenção de motores e componentes, além de gestão de peças e logística.
Ainda segundo a administração, a seleção de pessoal já começou e os primeiros trabalhadores devem ser preparados para atuar na operação do centro. O plano é que a atividade ganhe escala nos próximos anos, dentro da janela de 25 anos prevista no acordo.

O tamanho da estrutura ainda impressiona
O aeroporto fica em um terreno de 1.234 hectares, na província de Ciudad Real, cerca de 200 quilômetros ao sul de Madri. A pista tem 4.000 metros de comprimento por 60 metros de largura, e a plataforma ocupa 350 mil metros quadrados.
Essa dimensão ajuda a explicar por que a estrutura continua atraente para novos usos, mesmo após o fracasso da operação comercial. Para o novo administrador, a base tem espaço suficiente para crescer com hangares, manutenção e outros serviços ligados à aviação.
Nos planos da CRIA, a área também deve receber dois novos hangares no médio prazo, reforçando a tentativa de transformar o aeroporto em um polo mais diversificado e menos dependente de uma única atividade.
Carga, energia solar e nova tentativa de negócio

Além da manutenção aeronáutica, a administração procura uma empresa de grande porte para operar o terminal de cargas do aeroporto, que tem 7.200 metros quadrados. Desse total, 2.000 metros quadrados são refrigerados.
O terminal também conta com autorização como Ponto de Inspeção de Fronteira da União Europeia, o que permite importar produtos perecíveis destinados ao consumo humano e animal. A estrutura amplia o interesse comercial da área e abre espaço para um uso mais amplo da infraestrutura.
No campo energético, a CRIA afirma que pretende concluir em junho o plano de autoconsumo com a instalação de painéis fotovoltaicos de 1 megawatt. A empresa ainda trabalha em um projeto para fornecer energia a indústrias por meio de sistemas fotovoltaicos, hidrogênio e outras soluções ligadas à transição energética.
Depois de anos como símbolo do desperdício, Ciudad Real tenta provar que ainda pode ter utilidade econômica. Se os planos avançarem, o aeroporto deixará de ser lembrado apenas pelo abandono e passará a disputar espaço em um setor muito mais técnico e promissor. Se você acompanha casos assim, vale compartilhar a matéria e dizer o que acha dessa virada.

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