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A travessia de um continente em menos tempo que um voo doméstico: Alemanha projeta o SpaceLiner para levar 50 passageiros da Europa à Austrália em 90 minutos, usando um avião-foguete reutilizável que decola como lançador espacial, cruza a atmosfera em salto hipersônico e pousa em pista como uma nave comercial do futuro

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 30/05/2026 às 17:47
Atualizado em 30/05/2026 às 17:51
Assista o vídeoSpaceLiner é o conceito hipersônico do DLR para levar 50 passageiros da Europa à Austrália em 90 minutos com um sistema reutilizável de dois estágios.
Conceito hipersônico SpaceLiner
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SpaceLiner é o conceito hipersônico do DLR para levar 50 passageiros da Europa à Austrália em 90 minutos com um sistema reutilizável de dois estágios.

Enquanto a aviação comercial continua presa a velocidades próximas de 900 km/h e voos intercontinentais que podem ultrapassar 20 horas entre conexões, pesquisadores do Centro Aeroespacial Alemão (DLR) trabalham há anos em um conceito que parece saído da ficção científica: um veículo capaz de transportar passageiros entre continentes em menos tempo do que muitos trajetos domésticos atuais. O projeto se chama SpaceLiner e foi concebido como um sistema reutilizável de dois estágios capaz de levar cerca de 50 passageiros da Europa à Austrália em aproximadamente 90 minutos.

Em vez de funcionar como um avião convencional, ele combinaria características de foguete, nave espacial e planador hipersônico para atravessar enormes distâncias em velocidades que podem superar 25.000 km/h durante parte do trajeto.

SpaceLiner não foi projetado como um jato, mas como uma nave de passageiros para voos suborbitais

O conceito desenvolvido pelo DLR abandona completamente a lógica da aviação comercial tradicional. Segundo a descrição técnica do projeto, o SpaceLiner utiliza uma configuração de dois estágios totalmente reutilizáveis, composta por um enorme booster não tripulado e uma etapa superior tripulada destinada aos passageiros.

O sistema realizaria uma decolagem vertical semelhante à de um foguete orbital.

Após acelerar rapidamente para velocidades extremas, o estágio de passageiros se separaria do booster e seguiria em uma trajetória suborbital através da alta atmosfera antes de iniciar a descida para pousar horizontalmente em uma pista convencional.

Projeto quer levar passageiros da Europa à Austrália em apenas 90 minutos

O trajeto Europa–Austrália foi adotado como missão de referência pelos pesquisadores. Segundo documentos técnicos do DLR, o objetivo é realizar uma viagem de aproximadamente 17.000 a 18.000 km em cerca de 1 hora e 30 minutos, algo impossível para qualquer avião comercial existente.

Hoje, voos comerciais entre Europa e Austrália normalmente exigem mais de 20 horas totais de deslocamento considerando escalas e conexões.

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No conceito do SpaceLiner, a travessia seria realizada praticamente em um único salto hipersônico através da atmosfera superior.

Velocidade máxima projetada supera 25.000 km/h e entra em território espacial

Os números previstos para o SpaceLiner estão muito além da aviação convencional. Dados técnicos divulgados pelo DLR mostram velocidade máxima estimada de aproximadamente 7 km por segundo, equivalente a cerca de 25.200 km/h, durante determinadas fases da missão de longa distância.

Isso representa quase 28 vezes a velocidade de cruzeiro de um avião comercial moderno. Também é mais de 11 vezes a velocidade máxima operacional do Concorde, que voava em torno de 2.180 km/h.

Passageiros viajariam perto da fronteira do espaço

Para atingir essas velocidades, o SpaceLiner não permaneceria nas altitudes usadas pela aviação comercial.

SpaceLiner é o conceito hipersônico do DLR para levar 50 passageiros da Europa à Austrália em 90 minutos com um sistema reutilizável de dois estágios.
esquema de funcionamento do spacelliner – imagem ilustrativa

O DLR informa que a trajetória planejada alcança aproximadamente 80 km de altitude, uma região próxima da fronteira convencional do espaço. Nessa fase do voo, a atmosfera é extremamente rarefeita.

Isso reduz o arrasto aerodinâmico e permite percorrer enormes distâncias em alta velocidade antes da fase de descida planada. Na prática, os passageiros viajariam acima de praticamente todo o tráfego aéreo do planeta.

Sistema reutilizável utiliza 11 motores-foguete movidos a hidrogênio e oxigênio líquidos

O conceito não utiliza turbinas convencionais. Segundo o DLR, o SpaceLiner foi projetado para operar com um total de 11 motores-foguete reutilizáveis, sendo 9 no booster e 2 na etapa de passageiros.

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Todos utilizariam hidrogênio líquido (LH2) e oxigênio líquido (LOX) como propelentes criogênicos.

A escolha busca combinar alto desempenho energético com menor impacto ambiental quando comparado a combustíveis fósseis tradicionais.

Estrutura seria maior que muitos aviões comerciais atuais

Os estudos mais recentes do conceito SpaceLiner 7 mostram dimensões impressionantes. A etapa de passageiros possui cerca de 65,6 metros de comprimento e 33 metros de envergadura.

Já o booster reutilizável alcança aproximadamente 82,3 metros de comprimento.

Quando acoplados para a missão completa, os dois estágios formariam um sistema com massa total estimada em cerca de 1.832 toneladas no lançamento.

Europa vê o projeto como laboratório para tecnologias hipersônicas futuras

O SpaceLiner ainda não é um programa operacional. O próprio DLR o descreve como um conceito avançado de transporte hipersônico suborbital atualmente em estudo.

SpaceLiner é o conceito hipersônico do DLR para levar 50 passageiros da Europa à Austrália em 90 minutos com um sistema reutilizável de dois estágios.
Conceito hipersônico SpaceLiner

Mesmo assim, o projeto se tornou uma plataforma importante para pesquisa de aerodinâmica hipersônica, proteção térmica, estruturas reutilizáveis, sistemas de resgate de passageiros e operações de voo extremo.

Grande parte dessas pesquisas recebeu apoio de iniciativas europeias como FAST20XX, CHATT, HIKARI e HYPMOCES.

Maior desafio não é velocidade, mas calor, segurança e custo operacional

Voar acima de Mach 20 significa enfrentar temperaturas extremas. Durante o voo hipersônico, a superfície da aeronave precisaria suportar aquecimento aerodinâmico muito superior ao enfrentado por aviões comerciais e até comparável a certas fases de reentrada espacial.

Além disso, existem desafios relacionados a evacuação, conforto, infraestrutura de lançamento, custos operacionais e certificação internacional.

Por isso, embora o conceito seja considerado tecnicamente possível em princípio pelos pesquisadores envolvidos, ele ainda depende de décadas de desenvolvimento tecnológico.

DLR projeta uma experiência mais próxima de um voo espacial do que de uma viagem aérea tradicional

Os documentos do projeto deixam claro que o SpaceLiner não seria apenas transporte rápido. Os pesquisadores descrevem a proposta como uma combinação entre deslocamento intercontinental extremo e experiência próxima à de um voo espacial.

Durante parte da trajetória, os passageiros estariam em ambiente suborbital, muito acima das rotas aéreas convencionais.

Isso transformaria a viagem em algo muito diferente de simplesmente entrar em um avião supersônico.

Ficha técnica do SpaceLiner 7

  • Projeto: SpaceLiner
  • Organização: Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt (DLR)
  • Categoria: transporte hipersônico suborbital reutilizável
  • Configuração: dois estágios reutilizáveis
  • Capacidade: 50 passageiros + 2 tripulantes
  • Comprimento da etapa de passageiros: 65,6 metros
  • Comprimento do booster: 82,3 metros
  • Envergadura da etapa de passageiros: 33 metros
  • Altitude máxima projetada: cerca de 80 km
  • Velocidade máxima estimada: aproximadamente 25.200 km/h (Mach 24)
  • Alcance estimado: até cerca de 18.000 km
  • Motores: 11 motores-foguete reutilizáveis
  • Propelentes: hidrogênio líquido (LH2) e oxigênio líquido (LOX)
  • Tempo estimado Europa–Austrália: cerca de 90 minutos

Enquanto boa parte do mundo tenta tornar aviões um pouco mais rápidos ou econômicos, o SpaceLiner propõe algo muito mais radical: transformar viagens intercontinentais em saltos suborbitais tão rápidos que cruzar metade do planeta levaria menos tempo do que muitos passageiros passam hoje esperando o embarque em um aeroporto.

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Nilson T S Cunha
Nilson T S Cunha
31/05/2026 12:39

Quem viver verá
Se acha que vai ver, já vai começando a guardar dinheiro. A passagem vai ser proporcional aos km/hora que irá voar

Fonte
Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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