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A ferrovia que rasga o Brasil de norte a sul vai leiloar dois terminais de grãos no coração do Tocantins

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 06/07/2026 às 16:23
A ferrovia que rasga o Brasil de norte a sul vai leiloar dois terminais de grãos no coração do Tocantins
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A Ferrovia Norte-Sul, a espinha dorsal de trilhos que corta o Brasil de ponta a ponta, vai colocar em leilão dois terminais de granéis no coração do Tocantins, numa aposta de atrair R$ 92 milhões em capital privado para escoar a safra do Cerrado com menos caminhão e mais trem.

A largada foi dada pela Infra S.A., a estatal responsável por estruturar concessões de transporte, que abriu uma consulta pública para receber contribuições antes de levar as áreas a pregão. É a etapa em que o governo mostra as cartas e ouve o mercado sobre as regras do jogo.

Confesso que gosto desse tipo de notícia justamente porque ela não tem glamour. Não é uma obra faraônica nem um recorde de manchete, mas é a peça miúda que faz a engrenagem do agronegócio girar, e sem a qual todo o resto emperra.

Quais são os terminais e onde ficam

São dois ativos, os dois no Tocantins, encaixados no traçado da Norte-Sul. O primeiro é o Terminal Logístico de Porto Nacional, com capacidade de armazenagem de cerca de 19.200 toneladas. O segundo fica em Palmeirante, dividido em lotes, com capacidade de aproximadamente 32.000 toneladas. Somados, os dois terminais chegam a mais de 51 mil toneladas de capacidade estática.

A ideia é simples e poderosa: transformar esses pontos em pontes entre a lavoura e os trilhos. O grão sai da fazenda de caminhão, é armazenado no terminal e embarca no trem que vai levá-lo até os portos, cortando distância, custo e emissão pelo caminho.

Grãos de soja sendo carregados, cascata de soja dourada
A safra do Cerrado depende de terminais que conectem a lavoura aos trilhos. Foto: divulgação.

Por que o Tocantins é peça-chave

Os terminais miram o escoamento da produção do Centro-Oeste e, principalmente, da região conhecida como MATOPIBA, a sigla que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a nova fronteira agrícola que mais cresce no país. É de lá que sai uma parcela crescente da soja e do milho brasileiros, muitas vezes de fazendas distantes centenas de quilômetros de qualquer porto.

Nesse mapa, a Norte-Sul funciona como um corredor central que liga o miolo do Brasil aos portos do Norte e do Sudeste. Cada terminal novo ao longo da linha é uma torneira a mais para despejar grão nos trilhos em vez de mandá-lo pela estrada, num país onde o caminhão ainda carrega peso demais na conta logística.

Vagões de grãos em ferrovia de terra vermelha no cerrado
A região do MATOPIBA é a fronteira agrícola que mais cresce no Brasil. Foto: divulgação.

O que o leilão pretende destravar

A expectativa da Infra S.A. é atrair cerca de R$ 92 milhões em aportes privados com a concessão dos dois terminais. Não é um valor que impressiona sozinho, mas o efeito é multiplicador: cada terminal privado bem operado libera capacidade de armazenagem, reduz o tempo que o grão fica parado e aumenta o volume que a ferrovia consegue movimentar.

A consulta pública fica aberta por algumas semanas e o leilão está previsto para setembro deste ano. Se o cronograma for cumprido, os terminais podem estar sob nova operação antes mesmo da próxima grande safra bater à porta.

Silo e terminal de grãos com estrutura industrial
Terminais de armazenagem reduzem o tempo que o grão fica parado antes de embarcar. Foto: divulgação.

A logística que decide o preço do grão

No agronegócio, quem produz bem mas escoa mal perde dinheiro no caminho. O chamado custo Brasil mora justamente aí, nesse trecho entre a colheita e o navio, e é onde a diferença entre lucro e prejuízo muitas vezes se decide. Cada quilômetro rodado de caminhão a mais é margem que evapora.

Por isso um leilão aparentemente pequeno como esse merece atenção. A Ferrovia Norte-Sul não vai virar manchete de espetáculo, mas é ela, e os terminais que se conectam a ela, que vão dizer se o grão brasileiro chega competitivo do outro lado do oceano ou perde a corrida no próprio quintal.

Você acha que o Brasil finalmente vai tirar a safra da estrada e colocar no trilho ou o caminhão vai continuar mandando?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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