Sam Adam Hoffmann fundou a startup de Curitiba em novembro de 2022 ao lado de Vanessa e Mariana Motta de Matos, com investimento inicial de R$ 6 mil dividido entre os três, e o negócio já impactou mais de 6 mil jovens e mira 100 mil até 2027
Em 7 de julho de 2026, a história do professor Sam Adam Hoffmann rodou o país como retrato de uma virada de carreira improvável. Depois de mais de dez anos dando aula de biologia, ganhando cerca de R$ 5 mil por mês, ele percebeu que os alunos não estavam engajados em disciplina nenhuma, e começou a usar jogos em sala para prender a atenção da turma.
Segundo o UOL, dessa experiência nasceu a Investeendo, criada em novembro de 2022 com Vanessa Cristiane Motta de Matos e a filha dela, Mariana, e um investimento inicial de apenas R$ 6 mil, cerca de R$ 2 mil de cada sócio; no ano passado, a empresa faturou R$ 1,2 milhão. É o negócio de educação que nasceu de giz, tabuleiro e R$ 6 mil no caixa.
O professor, as bancárias e a aposta de R$ 6 mil
A sociedade juntou dois mundos que raramente se cruzam. Sam vinha da sala de aula, e Vanessa e Mariana realizavam ações voluntárias de educação financeira com jovens de escolas públicas, até os três decidirem transformar as duas experiências numa empresa de jogos educativos, segundo o UOL. O dinheiro inicial pagou a produção do primeiro kit, os testes em escolas parceiras, ferramentas digitais e contabilidade.
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A fase de validação foi tratada como experimento de verdade: antes de escalar, o trio queria a prova de que o material melhorava o aprendizado. O maior obstáculo, nas palavras dele, foi aprender a empreender num nicho sem manual de jogos educativos. “Embora pareça que tenha muito conteúdo disponível na internet e em livros, cada nicho é diferente, e na parte da educação tem pouca coisa para quem quer empreender”, contou Sam ao UOL.
O aplicativo onde a mesada é virtual e o juro é de verdade

O produto principal é um aplicativo gamificado usado dentro das escolas. Os alunos recebem missões e tarefas, acumulam moedas digitais à medida que completam as atividades e usam esse dinheiro virtual para simular investimentos em renda fixa e renda variável, aprendendo na prática conceitos como liquidez, carência, risco e rentabilidade, segundo o UOL. A plataforma permite até negociação entre colegas, imitando a dinâmica de um mercado financeiro em miniatura.
O toque de gênio está na “lojinha” que cada escola personaliza. Com as moedas acumuladas, o aluno compra benefícios reais: fazer prova em dupla, minutos extras de recreio, eliminar uma questão da avaliação ou reservar a quadra no intervalo. A recompensa deixa de ser nota e vira algo que adolescente valoriza de verdade, e a boa gestão do próprio “dinheiro” passa a ter consequência imediata.
Do tabuleiro à gestão de empresas de mentira com problemas de verdade
A startup também cria materiais analógicos, e o mais ambicioso é o “Desafio Empreendedor”. Nesse formato, a equipe da Investeendo passa um período imersa em empresas reais para entender o funcionamento delas e transformá-las em jogos, e depois os alunos assumem a gestão de miniversões dessas empresas, aprendendo administração, estratégia e tomada de decisão na prática, segundo o UOL. É estágio simulado dentro da sala de aula.
O modelo chamou a atenção do ecossistema de inovação. Paulo Krauss, diretor técnico da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, resumiu ao UOL o que diferencia o negócio: “O modelo é muito atrativo para estudantes, com aplicação em tempo real do aprendizado e gamificação. Os jovens têm acesso imediato aos benefícios gerados pela boa gestão dos seus recursos financeiros”.
Prêmios, Shark Tank e a meta de 100 mil jovens

O reconhecimento veio em cascata. Segundo o Observatório do Terceiro Setor, a Investeendo já foi premiada no Prêmio Legado e no Shark Tank Brasil, impactou mais de 6 mil jovens com educação financeira e tem a meta de alcançar 100 mil jovens até 2027. A tese dos fundadores é que ensinar dinheiro cedo combate o endividamento precoce que atormenta as famílias brasileiras.
O ecossistema local também abraçou a startup, que conquistou lugar de destaque no Pitch Vale do Pinhão, a vitrine de inovação de Curitiba. Para uma empresa de três fundadores que começou com R$ 6 mil, cada palco desses vira canal de venda: escola e empresa que assistem à apresentação viram cliente em potencial.
Por que educação financeira virou mercado gigante no Brasil
O timing da Investeendo não podia ser melhor. O brasileiro chega à vida adulta sem nunca ter aprendido a lidar com dinheiro na escola, e a conta aparece nos números de endividamento das famílias e na explosão das apostas online entre os mais jovens, um cenário que transformou a educação financeira de luxo em urgência nacional. Escolas particulares viraram compradoras desse tipo de solução, e as redes públicas começam a seguir.
Para o professor que pensa em empreender, o caso mostra um caminho concreto: o conhecimento de sala de aula, que parece commodity, vale ouro quando empacotado como produto. Sam não inventou a gamificação nem a educação financeira, ele juntou as duas dentro de um formato que escola consegue comprar e aluno quer usar.
A lição do professor que multiplicou o próprio salário
A régua da virada é simples de medir. O salário de R$ 5 mil de professor virou uma empresa que fatura R$ 1,2 milhão por ano, e o investimento de R$ 2 mil de cada sócio se multiplicou em um negócio premiado nacionalmente em menos de quatro anos. E a matéria-prima de tudo foi exatamente o problema que ele enfrentava todo dia: aluno desinteressado.
Enquanto muita gente reclama da profissão, ele transformou a dor dela em produto.
Conta pra gente nos comentários: se a sua escola tivesse uma moeda virtual que valesse recreio extra e prova em dupla, você teria aprendido a investir mais cedo?
