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De uma moto vendida a R$ 146 milhões: ele batia açaí na cozinha de casa, largou o trabalho informal e hoje comanda uma rede de 140 lojas em 12 estados

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 09/07/2026 às 13:12 Atualizado em 09/07/2026 às 13:14
Rodrigo Cardoso vendeu a moto, juntou R$ 95 mil e criou a Bengô Açaí, rede de 140 lojas que projeta R$ 146 milhões em 2026.
Rodrigo Cardoso vendeu a moto, juntou R$ 95 mil e criou a Bengô Açaí, rede de 140 lojas que projeta R$ 146 milhões em 2026.
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Segundo a Exame, Rodrigo Cardoso vendeu a própria moto, somou a rescisão do emprego e um empréstimo da família para juntar cerca de R$ 95 mil e começar a bater açaí na cozinha de casa, em Bacabal, no Maranhão, em 2017. Menos de dez anos depois, o fundador da Bengô Açaí faturou R$ 81,5 milhões em 2025 e projeta chegar a R$ 146 milhões em 2026, à frente de uma rede de 140 lojas espalhadas por 12 estados.

A história tem cara de virada de chave, mas foi construída passo a passo. Segundo o Movimento Econômico, Rodrigo Cardoso começou a vida profissional em atividades informais, conseguiu o primeiro emprego de carteira assinada aos 18 anos e, depois de quase quatro anos no regime CLT, decidiu que o teto salarial não cabia mais nos seus planos. Aos 21, ao lado da esposa, largou o emprego e apostou tudo no açaí. O que parecia um pequeno negócio de bairro virou a Bengô Açaí, hoje uma das redes de franquia que mais crescem no Nordeste.

A moto vendida e os R$ 95 mil que deram o pontapé

Antes de virar CEO, Rodrigo Cardoso era um trabalhador informal como tantos outros. O primeiro emprego com carteira assinada chegou aos 18 anos, e por quase quatro anos ele cumpriu a rotina do regime CLT. Foi tempo suficiente para perceber que o crescimento financeiro tinha um limite claro naquele caminho, e que, se quisesse mudar de vida, teria que correr um risco grande.

O risco veio na forma de uma decisão radical. Aos 21 anos, Rodrigo Cardoso pediu as contas e transformou a rescisão em capital de giro. Para engordar o caixa, vendeu a moto que tinha e ainda recorreu a um empréstimo com a própria família. A soma de tudo deu cerca de R$ 95 mil, o dinheiro que bancaria a compra das primeiras máquinas e a matéria-prima para começar.

Não era uma fortuna, mas era tudo o que ele tinha. A escolha do produto não foi por acaso: o consumo de açaí crescia rápido no país, sobretudo no modelo self-service, em que o cliente monta a própria tigela e paga pelo peso. Era um mercado de massa, de ticket acessível e de operação relativamente simples, o terreno ideal para quem tinha pouco capital e muita disposição para trabalhar.

Com o dinheiro em mãos, a esposa ao lado e uma ideia na cabeça, o casal partiu para a parte mais difícil, que era transformar aquilo em negócio de verdade. E o primeiro balcão foi montado no lugar mais improvável possível.

Açaí batido na cozinha de casa, com duas máquinas

Rodrigo Cardoso começou batendo açaí na cozinha de casa, com apenas duas máquinas, antes de erguer a rede Bengô Açaí. (Foto: Reprodução/Exame)
Rodrigo Cardoso começou batendo açaí na cozinha de casa, com apenas duas máquinas, antes de erguer a rede Bengô Açaí. (Foto: Reprodução/Exame)

O primeiro “ponto comercial” da Bengô Açaí foi a cozinha da casa do casal. Foi ali que Rodrigo Cardoso instalou duas máquinas de bater e produzir açaí e passou a rodar a operação do zero, fazendo de tudo um pouco. No começo, ele e a esposa, Kamilla Cardoso, cuidavam pessoalmente de cada etapa, da produção da polpa ao atendimento, do controle de estoque à entrega.

Essa fase de mão na massa durou cerca de seis meses. Só depois de o movimento justificar é que veio a primeira contratação, uma equipe de quatro pessoas para dar conta da demanda que crescia. O modelo era enxuto por necessidade, e cada real reinvestido no negócio vinha direto do balcão.

O que fez a diferença nesse período foi a proximidade com o cliente. Sem verba para grandes campanhas, o empreendedor ouvia quem entrava na loja e ajustava o cardápio conforme os pedidos. “O crescimento foi orgânico, guiado pelas sugestões dos clientes”, resumiu Rodrigo Cardoso. Foi assim, tigela após tigela, que a operação ganhou reputação na cidade.

A lógica era simples e teimosa, que era entregar um açaí consistente, num ambiente agradável, a um preço que cabia no bolso. Essa receita, repetida com disciplina, seria depois padronizada e transformada no coração da futura rede de franquia.

1.200 quilômetros até Bacabal, no Maranhão

Antes mesmo de bater o primeiro açaí, Rodrigo Cardoso teve que responder a uma pergunta decisiva, que era onde abrir. Sem capital para disputar as grandes capitais, já saturadas de concorrentes, ele fez uma conta diferente e saiu à procura de uma praça com menos briga e mais espaço para crescer.

A busca foi literal. O empreendedor percorreu cerca de 1.200 quilômetros olhando cidades, comparando concorrência e potencial de consumo, até cravar o destino. A aposta foi Bacabal, no interior do Maranhão, onde inaugurou a primeira unidade física. Naquele momento, a operação ainda não se chamava Bengô Açaí, e sim Mix Açaiteria, o nome que batizou o começo da jornada no Maranhão.

A escolha se mostrou certeira. O Maranhão vivia um movimento de expansão do consumo e, mais tarde, se firmaria como um dos mercados de franquia que mais crescem no país. Só em 2025, o franchising no Maranhão movimentou R$ 4,3 bilhões, com alta superior a 9%, um ambiente fértil para quem chegou cedo.

Bacabal deu a ele algo que uma capital dificilmente daria a um iniciante, que era a chance de errar, ajustar e crescer sem ser esmagado pela concorrência. Foi desse chão, no coração do Maranhão, que a marca ganhou musculatura para pensar grande.

A fábrica própria e o salto de escala

Rodrigo Cardoso, CEO e fundador da Bengô Açaí: “Comecei produzindo açaí na cozinha de casa, sem imaginar até onde isso poderia chegar” (Matheus Pontes)



Este é um trecho original publicado em Exame.com. Leia a matéria completa em https://exame.com/negocios/ele-vendeu-a-moto-para-produzir-acai-na-cozinha-de-casa-hoje-fatura-r-81-milhoes/?utm_source=copiaecola&utm_medium=compartilhamento
Rodrigo Cardoso, CEO e fundador da Bengô Açaí: “Comecei produzindo açaí na cozinha de casa, sem imaginar até onde isso poderia chegar” (Matheus Pontes)

Com as lojas próprias da Bengô Açaí indo bem, o passo seguinte foi olhar para trás na cadeia de produção. Em 2019, o negócio ganhou uma fábrica própria, movimento que garantiu escala e padronização à operação. Em vez de depender de terceiros para a polpa, a empresa passou a controlar a qualidade e o custo do que servia.

Verticalizar foi mais do que uma decisão técnica. Uma produção própria significava poder abrir muitas lojas com o mesmo padrão de sabor e textura, algo essencial para quem sonhava em replicar o modelo cidade afora. A fábrica virou a espinha dorsal da futura rede.

Hoje, essa estrutura produz cerca de 35 toneladas de açaí por mês, com expectativa de saltar para 60 toneladas ao longo de 2026 para acompanhar a expansão. É o tipo de capacidade industrial que separa um bom negócio local de uma marca com ambição nacional.

Foi com a fábrica rodando e o padrão azeitado que Rodrigo Cardoso se sentiu pronto para o passo mais ousado, que era abrir a marca para investidores e transformar a operação numa rede de franquia de verdade.

A virada para o modelo de franquia

A transformação em rede de franquia foi o divisor de águas da história. A marca Bengô Açaí foi estruturada justamente para atender à demanda de investidores interessados em entrar no ramo, e a resposta veio rápido. Em pouco tempo, o negócio saiu de um punhado de unidades para dezenas de contratos comercializados, primeiro no Maranhão e depois em outros estados do Nordeste.

Os números da largada impressionaram. Quando a operação de franquia deslanchou, a Bengô Açaí vendeu cerca de 30 unidades em apenas seis meses, sinal de que o modelo tinha apelo. Para o franqueado, o investimento parte de cerca de R$ 300 mil, com previsão de retorno em até seis meses, um prazo curto que ajudou a atrair interessados.

A proposta era clara, que era entregar ao investidor um negócio pronto, com marca, fábrica, cardápio e processos já testados. Em vez de reinventar a roda, o franqueado entrava num sistema padronizado, com a polpa saindo da fábrica própria e a operação desenhada para o self-service. A Bengô Açaí cuidava do miolo, e o parceiro cuidava do ponto.

Esse arranjo destravou o crescimento. A franquia deixou de ser uma promessa e virou o motor que espalhou a marca pelo mapa, levando o açaí de Bacabal para muito além das fronteiras do Maranhão.

140 lojas em 12 estados

O resultado dessa engrenagem está no tamanho atual da rede. Hoje, a Bengô Açaí soma 140 lojas, entre unidades já em operação e franquias comercializadas, com presença em 12 estados. O que nasceu numa cozinha em Bacabal virou uma operação com alcance interestadual.

A expansão não para por aí. A meta da Bengô Açaí é chegar a 300 unidades até o fim de 2026, o que significa colocar de pé mais de 200 novas operações num intervalo curto. Para 2027, o objetivo é ainda mais ousado, que é alcançar 500 lojas.

Esse ritmo acompanha uma tendência maior. Negócios de baixo investimento inicial, ligados a um produto de consumo de massa e a um modelo fácil de replicar, vêm ganhando escala no Nordeste e criando novos polos de crescimento longe dos grandes centros. A Bengô Açaí virou um exemplo dessa leva.

De Araguaína, no Tocantins, de onde Rodrigo Cardoso saiu, até as 140 lojas de hoje, a distância é medida menos em quilômetros e mais em decisões de risco. Cada nova franquia aberta reforça a aposta feita lá atrás, quando a moto foi vendida para comprar duas máquinas de açaí.

R$ 81,5 milhões em 2025 e a meta de R$ 146 milhões

Os números de faturamento traduzem o tamanho do salto. Em 2025, a Bengô Açaí faturou R$ 81,5 milhões, marca expressiva para um negócio que começou com R$ 95 mil e duas máquinas numa cozinha. Para 2026, a projeção é praticamente dobrar o resultado e alcançar R$ 146 milhões.

Boa parte dessa conta depende do avanço das franquias e do aumento da produção. Se a expansão para 300 lojas sair como planejado, e se a fábrica de fato subir de 35 para 60 toneladas mensais, o número de R$ 146 milhões deixa de ser meta e vira consequência da escala para a Bengô Açaí.

À frente de tudo, como CEO e fundador, segue Rodrigo Cardoso, o mesmo que apenas seis meses após abrir o negócio contratou as primeiras quatro pessoas. A estrutura de hoje é incomparavelmente maior, mas a lógica que ele repete é a mesma do primeiro dia, que é ouvir o cliente, padronizar o que dá certo e reinvestir na operação.

Do primeiro balcão improvisado na cozinha até a projeção de R$ 146 milhões, a trajetória da Bengô Açaí condensa uma pergunta que muitos empreendedores carregam no bolso: até onde pode chegar quem decide vender a moto e apostar tudo numa ideia simples, feita com consistência e paciência?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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