A fenda é o Rift Turkana, entre a Etiópia e Moçambique, onde duas placas se afastam a 4,7 milímetros por ano. Pesquisadores da Universidade Columbia mapearam a crosta sob o leste da África com dados de terremotos, mas alertam que o novo oceano ainda levará milhões de anos para se formar.
Cientistas identificaram que a África está se dividindo em duas partes mais rápido do que se imaginava, em uma zona de rachaduras chamada Rift Turkana, entre a Etiópia e Moçambique, onde a crosta no centro da fenda tem só 13 quilômetros de espessura em alguns trechos. A descoberta é de pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, que afirmam que o continente atingiu o limite crítico de rompimento e pode, no futuro, dar origem a um novo oceano.
Segundo informações divulgadas em junho pelo portal IG, a ressalva, porém, é fundamental para entender a escala do fenômeno. Pela apuração do estudo, a camada externa da Terra na região está ficando mais fina em uma velocidade maior do que se esperava, o que aumenta a chance de surgir um oceano ali. Ainda assim, a mudança continuará muito lenta, já que o Rift Turkana começou a se formar há cerca de 45 milhões de anos e ainda vai levar milhões de anos para chegar à próxima etapa.
A crosta de só 13 km no centro da fenda

Fendas geológicas cortam o leste da África e indicam o lento afastamento das placas tectônicas
O número que chamou a atenção dos cientistas é a espessura da crosta. Para entender o processo, os pesquisadores analisaram dados de terremotos e montaram um mapa da parte subterrânea do Rift. Os resultados mostraram que, no centro da fenda, a crosta terrestre tem só 13 quilômetros de espessura em alguns trechos, enquanto em outras áreas passa dos 35 quilômetros. “A crosta é mais fina do que qualquer um imaginava”, resumiu Christian Rowan, doutorando da Universidade Columbia.
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Esse afinamento é o resultado de um movimento que vem de longe. O Rift Turkana faz parte de uma grande faixa onde duas placas tectônicas se afastam lentamente há milhões de anos, hoje a uma velocidade de cerca de 4,7 milímetros por ano. À medida que as placas se separam, a camada que forma o continente é esticada, fica mais fina, surgem rachaduras e algumas áreas afundam, num processo que o estudo mostra estar mais avançado do que se pensava no leste da África.
O limite crítico de rompimento

Fenda na África cresce e pode dar origem a novo oceano
O afinamento levou a região a um ponto que os cientistas consideram decisivo. “Atingimos aquele limite crítico de rompimento da crosta”, afirmou Anne Bécel, geofísica da Universidade Columbia, ao explicar por que a área está mais propensa a se separar. O esticamento das placas também facilita a subida do magma do interior da Terra, o que ajuda a explicar a intensa atividade de vulcões na região.
Quanto mais fina a crosta, maior a tendência de ruptura. Conforme as placas divergem e a camada se reduz além de certo ponto, o continente fica mais sujeito a se romper ao longo da fenda. É esse quadro que leva a equipe da Universidade Columbia a concluir que a África oriental avançou mais no processo de separação do que se acreditava até agora.
Por que o novo oceano ainda levará milhões de anos
Apesar da descoberta, nada disso vai acontecer de uma hora para outra. Os próprios cientistas reforçaram que a mudança seguirá em ritmo muito lento. O Rift Turkana começou a se formar há cerca de 45 milhões de anos e ainda levará milhões de anos para alcançar sua próxima etapa de evolução, o que afasta qualquer ideia de um rompimento iminente na África.
O desfecho previsto é um novo oceano, em um horizonte de tempo geológico. No futuro, essa parte do continente poderá se transformar em uma nova área de fundo marinho e, quando isso ocorrer, a água do mar poderá avançar para dentro da fenda, formando um novo oceano. O ponto da pesquisa é que esse afinamento está acontecendo mais rápido do que a ciência previa, e não que a separação seja questão de pouco tempo.
O Rift Turkana e o maior tesouro de fósseis humanos
O mesmo processo geológico ajuda a explicar uma riqueza única da região. O estudo esclarece por que a área de Turkana reúne uma das maiores quantidades de fósseis de ancestrais humanos já encontradas. O Rift já revelou mais de 1.200 fósseis de hominídeos, com até quatro milhões de anos de idade, o equivalente a cerca de um terço de todas as descobertas desse tipo feitas na África.
A conexão entre a fenda e os fósseis está no afundamento do terreno. Os pesquisadores acreditam que a intensa atividade de vulcões e o afinamento da crosta provocaram o afundamento do solo há cerca de quatro milhões de anos. Isso criou áreas onde areia, lama e outros materiais foram se acumulando ao longo do tempo, formando um ambiente ideal para que ossos e fragmentos de antigos ancestrais resistissem por milhões de anos.
Pesquisadores da Universidade Columbia, que mapearam o Rift Turkana com dados de terremotos, concluíram que a África está se rachando mais rápido do que a ciência previa, com a crosta no centro da fenda em só 13 quilômetros de espessura, contra mais de 35 quilômetros em outras áreas, enquanto duas placas tectônicas se afastam a cerca de 4,7 milímetros por ano e levam a região ao limite crítico de rompimento.
O processo, porém, é de tempo geológico: a fenda começou a se formar há cerca de 45 milhões de anos e o novo oceano ainda está a milhões de anos de distância. O mesmo afinamento da crosta ajuda a explicar por que Turkana guarda mais de 1.200 fósseis de hominídeos, cerca de um terço dos achados do continente, preservados pelo afundamento do terreno.
E você, acha fascinante imaginar um continente se dividindo lentamente até abrir um novo oceano, ou a escala de milhões de anos torna isso difícil de visualizar? O que mais chama a sua atenção nessa descoberta sobre a África? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre ciência e geologia, com respeito às diferentes visões.

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