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Com apoio de Arábia Saudita, Emirados e Tailândia, China prepara lançamento comercial de sistema que faz pagamentos internacionais em segundos, custa metade do Swift e reduz dependência do dólar

Publicado em 16/06/2026 às 21:51
Atualizado em 16/06/2026 às 21:55
A China prepara o mBridge, sistema que faz pagamentos internacionais em segundos, custa metade do Swift, reduz o uso do dólar e impulsiona o renminbi.
A China prepara o mBridge, sistema que faz pagamentos internacionais em segundos, custa metade do Swift, reduz o uso do dólar e impulsiona o renminbi.
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Liderado por Pequim, o sistema da China também tem apoio de Hong Kong e usa blockchain para transações diretas entre bancos centrais em moedas digitais. Já movimentou cerca de 470 bilhões de yuans, mas não há data oficial de lançamento e o projeto vive uma disputa com os Estados Unidos.

A China avança nos preparativos para lançar comercialmente o mBridge, um sistema de pagamentos digitais que tem apoio da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos, da Tailândia e de Hong Kong, e que promete acelerar transações internacionais, reduzir custos e diminuir a dependência do dólar no comércio global. As informações são do jornal Financial Times, que detalhou o avanço da plataforma e o seu papel na disputa pela influência da moeda americana.

Pela apuração do FT, a iniciativa é liderada por Pequim e busca ampliar o uso global do renminbi digital. Ainda não há data oficialmente divulgada para o lançamento comercial, mas os preparativos estão em estágio avançado, com taxas que devem ficar na metade do custo dos sistemas internacionais tradicionais. Uma entidade com sede em Hong Kong deverá ser criada para supervisionar as operações.

Pagamentos em segundos e a metade do custo do Swift

imagem ilustrativa/explicativa
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A promessa central do mBridge, o sistema que a China prepara, é tornar as transferências entre países quase instantâneas. Segunda informações divulgadas em junho pelo portal Brasil 247, a tecnologia permite transações diretas entre bancos centrais com o uso de moedas digitais próprias, operando por blockchain e reduzindo a necessidade do dólar como moeda intermediária nas operações de câmbio. Bancos comerciais também poderão participar, sempre sob a supervisão dos respectivos bancos centrais.

A expectativa é de operações concluídas em segundos, e não nos prazos longos dos sistemas convencionais. As taxas devem equivaler à metade do custo das plataformas internacionais tradicionais, e a previsão é que as pequenas empresas estejam entre as principais usuárias, já que costumam enfrentar dificuldades com sistemas como o Swift, vistos como caros e complexos. Até agora, o mBridge já processou cerca de 470 bilhões de yuans, o equivalente a US$ 69 bilhões, em transações.

O renminbi digital e a estratégia de Pequim

O movimento se encaixa no esforço da China para dar mais alcance global à sua moeda. O objetivo do mBridge é fortalecer o uso do renminbi digital, também conhecido como e-CNY, em transações internacionais feitas de forma mais direta, rápida e barata. A plataforma é apresentada como uma forma de a moeda chinesa ocupar mais espaço no comércio entre países.

O impulso ganhou força em meio à tensão internacional recente. O avanço acelerou após a guerra no Irã, período em que cresceu a adoção do Cips, sistema chinês de compensação e pagamentos transfronteiriços em renminbi, frequentemente comparado ao Swift. O mBridge, no entanto, é uma iniciativa separada e complementar, e surge num cenário de multiplicação de alternativas regionais e privadas, como o Sepa, do Banco Central Europeu, e as redes de QR code transfronteiriço do setor privado, caso do Ant Group.

A disputa silenciosa por redes financeiras alternativas

O crescimento dessas iniciativas aponta para uma reorganização do sistema global de pagamentos. Historicamente dominado pelo Swift, esse sistema passa por um processo que, para especialistas, revela uma disputa silenciosa por novas infraestruturas financeiras. “Há uma corrida armamentista silenciosa de sistemas financeiros alternativos acontecendo nos bastidores”, disse Tom Keatinge, diretor fundador do Centro de Finanças e Segurança do RUSI, no Reino Unido, ao comentar a adoção de stablecoins pelos Estados Unidos sob o presidente Donald Trump.

O mapa dos pagamentos deixou de ter um único centro. Stablecoins são criptoativos vinculados a moedas como o dólar, e, na avaliação de Gene Ma, chefe de pesquisa sobre China no Instituto de Finanças Internacionais, o cenário global passou a se dividir entre plataformas concorrentes, com o mBridge prestes a se tornar uma delas. Para analistas, a plataforma pode reforçar a posição da China no comércio internacional e aprofundar laços com parceiros ligados à chamada Nova Rota da Seda.

Sanções, pressão dos EUA e regras antilavagem

O projeto é acompanhado de perto por uma preocupação geopolítica específica. Desde que adotou o nome e o formato atuais em 2021, com a participação do Banco de Compensações Internacionais e dos bancos centrais de Dubai, da China e dos Emirados Árabes Unidos, o mBridge convive com uma dúvida recorrente: se o sistema poderia permitir que países ou entidades reduzissem a dependência do dólar e contornassem sanções internacionais. A origem está numa iniciativa anterior entre Hong Kong e a Tailândia, a Inthanon-LionRock.

Os dois lados da controvérsia aparecem nos bastidores da governança. Em 2024, o Banco de Compensações Internacionais transferiu o projeto para os parceiros, decisão que a reportagem associa a uma pressão de Washington, embora o então chefe do BIS, Agustín Carstens, tenha negado esse tipo de pressão. O BIS e autoridades do Banco Popular da China afirmam que o mBridge segue as regras de combate à lavagem de dinheiro do Grupo de Ação Financeira Internacional, órgão responsável por enfrentar redes de financiamento ilícito.

A China prepara o lançamento comercial do mBridge, um sistema de pagamentos em blockchain apoiado por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Tailândia e Hong Kong, que promete transações internacionais em segundos pela metade do custo do Swift, reduz o papel do dólar como moeda intermediária e impulsiona o renminbi digital.

A plataforma já movimentou cerca de 470 bilhões de yuans, ou US$ 69 bilhões, ainda sem data oficial de estreia, e é vista por especialistas como parte de uma corrida silenciosa por redes financeiras alternativas, em que a preocupação com sanções convive com a promessa de cumprir as regras antilavagem do FATF.

Para Wang Jian, principal analista do setor financeiro da Guosen Securities, o sistema “acelera o giro de caixa e reduz o risco de tensões de liquidez” para exportadores e pode apoiar a internacionalização da moeda chinesa.

E você, acredita que sistemas como o mBridge podem mesmo abalar o domínio do dólar no comércio internacional, ou ainda é cedo para falar nisso? Um mundo com várias redes de pagamento concorrentes traz mais eficiência ou mais risco? Comente a sua opinião e troque ideias com outros leitores sobre o setor de energia e finanças globais, com respeito às diferentes visões.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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