Com 33 km no mar e status de recorde mundial, a muralha que mudou a costa da Coreia do Sul criou novas terras, mexeu com marés e abriu uma guerra ambiental sobre a perda de áreas úmidas
A Coreia do Sul construiu uma muralha no mar com 33,9 km e alterou de forma definitiva a linha costeira do país. A estrutura recebeu o nome de Saemangeum Seawall e se tornou um marco mundial pelo tamanho e pelos efeitos gerados.
A barreira foi instalada na costa sudoeste e separou o Mar Amarelo de uma vasta área antes dominada por marés, estuários e lamaçais naturais. A mudança permitiu controle da água e criação de novas terras.
Ao mesmo tempo, o projeto passou a concentrar críticas ambientais. A transformação atingiu diretamente áreas úmidas, consideradas fundamentais para a biodiversidade costeira.
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Como a muralha de 33,9 km transformou Saemangeum em um recorde mundial de engenharia costeira

A Saemangeum Seawall entrou para os registros internacionais como a maior muralha marítima contínua do mundo, com 33,9 km de extensão. A abertura oficial ocorreu em 27 de abril de 2010.
O tamanho da estrutura impressiona porque supera travessias urbanas inteiras, mas foi construída em ambiente marítimo, sujeito a marés, correntes e sedimentos.
A obra não apenas fechou uma baía. Ela redefiniu a relação entre terra e mar em toda a região, criando um novo sistema costeiro artificial.
Onde fica a obra e qual região foi transformada
A muralha está localizada na província de Jeollabuk do, conectando áreas próximas de Gunsan, Gimje e Buan, no sudoeste da península coreana.
Antes da construção, o local abrigava extensos lamaçais e zonas úmidas costeiras. Esses ambientes funcionavam como áreas de transição entre água doce e salgada, com alta produtividade ecológica.
Com o fechamento da área, a circulação natural foi interrompida. A região passou a depender de controle hidráulico, alterando sedimentos, salinidade e dinâmica ambiental.
Quanto tempo levou e quanto custou para ser construída

A construção da Saemangeum Seawall começou no início da década de 1990 e levou quase 20 anos até a abertura oficial em 2010.
O custo associado diretamente à barreira é descrito como quase 2 trilhões de won, valor que cobre a estrutura marítima em si.
Quando considerado o projeto completo de recuperação de terra e desenvolvimento da área, conhecido como Saemangeum Project, o investimento total divulgado chega a 22,2 trilhões de won.
O impacto ambiental e a disputa sobre áreas úmidas
A principal consequência ambiental foi a redução drástica de áreas úmidas. Esses ambientes sustentavam biodiversidade, rotas de aves migratórias e ciclos naturais de filtragem da água.
A perda desses espaços alterou a presença de fauna e o equilíbrio ecológico local. Ambientes antes renovados por marés passaram a funcionar como sistemas mais fechados.
Essa transformação alimentou uma disputa contínua entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, tornando a obra um dos casos mais debatidos do país.
Por que a Saemangeum Seawall se tornou um caso permanente de estudo ambiental

A Saemangeum Seawall deixou de ser apenas uma obra recordista e passou a ser tratada como um experimento de longo prazo. A mudança na circulação de água e sedimentos continua gerando efeitos anos após a inauguração.
O projeto se transformou em referência internacional para avaliar os limites de grandes obras costeiras. O caso mostra como intervenções desse porte podem criar ganhos territoriais, mas também perdas ambientais difíceis de reverter.
A muralha permanece como exemplo concreto de como decisões de engenharia podem redesenhar ecossistemas inteiros e influenciar políticas futuras de ocupação costeira.
A Coreia do Sul construiu uma muralha de 33,9 km que redefiniu a costa, viabilizou um megaprojeto territorial e abriu um debate ambiental duradouro. O impacto da Saemangeum Seawall segue visível tanto na paisagem quanto nas discussões sobre preservação.
