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Visível do espaço, uma estrutura de 33,9 km, considerada a maior muralha marítima contínua do mundo, fechou uma baía inteira na Coreia do Sul, criou terras artificiais e abriu um conflito duradouro entre engenharia costeira e preservação ambiental

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 22/03/2026 às 00:52
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Com 33 km no mar e status de recorde mundial, a muralha que mudou a costa da Coreia do Sul criou novas terras, mexeu com marés e abriu uma guerra ambiental sobre a perda de áreas úmidas

A Coreia do Sul construiu uma muralha no mar com 33,9 km e alterou de forma definitiva a linha costeira do país. A estrutura recebeu o nome de Saemangeum Seawall e se tornou um marco mundial pelo tamanho e pelos efeitos gerados.

A barreira foi instalada na costa sudoeste e separou o Mar Amarelo de uma vasta área antes dominada por marés, estuários e lamaçais naturais. A mudança permitiu controle da água e criação de novas terras.

Ao mesmo tempo, o projeto passou a concentrar críticas ambientais. A transformação atingiu diretamente áreas úmidas, consideradas fundamentais para a biodiversidade costeira.

Como a muralha de 33,9 km transformou Saemangeum em um recorde mundial de engenharia costeira

Vista do espaço, a Saemangeum Seawall tem 33,9 km e é a maior muralha marítima contínua do mundo. A obra fechou uma baía inteira, criou novas terras na Coreia do Sul e alterou de forma permanente marés, sedimentos e áreas úmidas.

A Saemangeum Seawall entrou para os registros internacionais como a maior muralha marítima contínua do mundo, com 33,9 km de extensão. A abertura oficial ocorreu em 27 de abril de 2010.

O tamanho da estrutura impressiona porque supera travessias urbanas inteiras, mas foi construída em ambiente marítimo, sujeito a marés, correntes e sedimentos.

A obra não apenas fechou uma baía. Ela redefiniu a relação entre terra e mar em toda a região, criando um novo sistema costeiro artificial.

Onde fica a obra e qual região foi transformada

A muralha está localizada na província de Jeollabuk do, conectando áreas próximas de Gunsan, Gimje e Buan, no sudoeste da península coreana.

Antes da construção, o local abrigava extensos lamaçais e zonas úmidas costeiras. Esses ambientes funcionavam como áreas de transição entre água doce e salgada, com alta produtividade ecológica.

Com o fechamento da área, a circulação natural foi interrompida. A região passou a depender de controle hidráulico, alterando sedimentos, salinidade e dinâmica ambiental.

Quanto tempo levou e quanto custou para ser construída

A Saemangeum Seawall é a muralha marítima mais longa do mundo, oferecendo uma vista única ao longo da estrada, além de uma área de camping para famílias. © Saemangeum Development and Investment Agency

A construção da Saemangeum Seawall começou no início da década de 1990 e levou quase 20 anos até a abertura oficial em 2010.

O custo associado diretamente à barreira é descrito como quase 2 trilhões de won, valor que cobre a estrutura marítima em si.

Quando considerado o projeto completo de recuperação de terra e desenvolvimento da área, conhecido como Saemangeum Project, o investimento total divulgado chega a 22,2 trilhões de won.

O impacto ambiental e a disputa sobre áreas úmidas

A principal consequência ambiental foi a redução drástica de áreas úmidas. Esses ambientes sustentavam biodiversidade, rotas de aves migratórias e ciclos naturais de filtragem da água.

A perda desses espaços alterou a presença de fauna e o equilíbrio ecológico local. Ambientes antes renovados por marés passaram a funcionar como sistemas mais fechados.

Essa transformação alimentou uma disputa contínua entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, tornando a obra um dos casos mais debatidos do país.

Por que a Saemangeum Seawall se tornou um caso permanente de estudo ambiental

A Saemangeum Seawall deixou de ser apenas uma obra recordista e passou a ser tratada como um experimento de longo prazo. A mudança na circulação de água e sedimentos continua gerando efeitos anos após a inauguração.

O projeto se transformou em referência internacional para avaliar os limites de grandes obras costeiras. O caso mostra como intervenções desse porte podem criar ganhos territoriais, mas também perdas ambientais difíceis de reverter.

A muralha permanece como exemplo concreto de como decisões de engenharia podem redesenhar ecossistemas inteiros e influenciar políticas futuras de ocupação costeira.

A Coreia do Sul construiu uma muralha de 33,9 km que redefiniu a costa, viabilizou um megaprojeto territorial e abriu um debate ambiental duradouro. O impacto da Saemangeum Seawall segue visível tanto na paisagem quanto nas discussões sobre preservação.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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