Projeto Watreat, finalista da FEBRACE 2025, usa membrana biopolimérica para tratar água contaminada com baixo custo, segundo resumo oficial; estudantes Isabelle de Sousa Battocchio e Miguel Ribeiro da Silva relatam remoção de óleo vegetal, azul de metileno, turbidez e microrganismos, com reuso por 20 ciclos e vazão de 24 L/h.
Uma solução criada por estudantes brasileiros para tratar água contaminada chamou atenção na FEBRACE 2025 ao propor uma membrana biopolimérica de baixo custo, reutilizável e voltada a aplicações domésticas, comunitárias e industriais em regiões sem acesso seguro à água potável.
O projeto AGR-6133, chamado Watreat: membrana biopolimérica para tratamento de água, tem autoria de Isabelle de Sousa Battocchio e Miguel Ribeiro da Silva, da E.E.M.T.I. Marconi Coelho Reis, em Cascavel, no Ceará. A orientação é de Heloina Lopes Capistrano e Francisco Augusto Oliveira Santos, segundo a página oficial da Feira Brasileira de Ciência e Tecnologia.
Ideia nasceu para enfrentar o custo do tratamento de água
O ponto de partida do projeto foi um problema conhecido, mas ainda distante de solução para muitas comunidades: o acesso à água potável. No resumo apresentado à FEBRACE, os autores afirmam que milhões de pessoas não contam com esse recurso e que doenças transmitidas pela água seguem associadas a mortes todos os anos.
-
Em Gana, Makafui Awuku transforma de 250 a 300 sachês de água que entopem as ruas de Accra em cada carteira escolar que dura 30 anos e tira crianças do chão da sala de aula
-
Em setembro de 2035, Marte vai se aproximar tanto da Terra que terá seu maior brilho aparente desde 2003, abrindo a mesma janela orbital escolhida por NASA e China como alvo para a missão que pode levar humanos ao planeta vermelho pela primeira vez
-
Robôs descem quatro quilômetros onde nenhum humano aguenta o calor e tomam conta da mina mais funda do mundo
-
Estudantes brasileiros transformam o rejeito da mineração de manganês, o pó que sobra e é descartado nas minas, em uma pilha funcional e levam o feito à maior feira de ciências do Brasil
Diante desse cenário, a proposta dos estudantes foi desenvolver uma membrana polimérica por rota biotecnológica para tratar água contaminada de forma mais acessível, eficaz e sustentável. A aposta está em unir baixo custo, reuso e capacidade de lidar com diferentes tipos de contaminantes no mesmo material.
O trabalho foi enquadrado na área de Ciências Agrárias, na subcategoria Ciência e Tecnologia de Alimentos. Embora o tema dialogue com saneamento, saúde pública e engenharia ambiental, a abordagem apresentada na FEBRACE destaca o tratamento de água como uma solução tecnológica com potencial de uso em comunidades, residências e ambientes industriais.
A fonte oficial não informa, no resumo disponível, uma data única de criação da membrana. O que aparece de forma documentada é a participação do projeto como finalista da FEBRACE 2025, com identificação dos autores, orientadores, instituição e resultados técnicos obtidos nos testes.
Membrana removeu óleo, corante, turbidez e microrganismos

Nos testes descritos no resumo oficial, as quatro melhores formulações da membrana foram avaliadas no tratamento de água contaminada por diferentes elementos. A análise incluiu redução de turbidez, cor aparente, remoção de azul de metileno, óleo vegetal e parâmetros microbiológicos.
A formulação mais eficiente apresentou 1,5 mm de espessura, porosidade de 89,43% e módulo de Young de 410,09 MPa, segundo os dados divulgados no projeto. Esses números indicam características físicas e mecânicas do material, usadas para avaliar sua estrutura e desempenho no processo de filtração.
Os resultados relatados chamam atenção pelo alcance. A membrana apresentou remoção de cor aparente superior a 99,3%, redução de 98,4% na turbidez e remoção de 100% de óleo vegetal em concentrações de até 200 ppm. O material também removeu 100% do corante azul de metileno em até 40 ppm.
Além disso, o resumo afirma que a membrana eliminou microrganismos patogênicos. Esse ponto é especialmente relevante porque a contaminação microbiológica é uma das principais preocupações quando se fala em água imprópria para consumo humano.
Custo de R$ 0,01 por aplicação amplia interesse social
Um dos dados mais fortes do projeto é o custo informado: R$ 0,01 por aplicação. Em um país onde muitas soluções de tratamento dependem de infraestrutura cara, manutenção constante ou insumos pouco acessíveis, esse valor torna a proposta mais interessante para comunidades de baixa renda.
A membrana também pode ser reutilizada 20 vezes, segundo o resumo da FEBRACE. Essa característica reduz o descarte e melhora a viabilidade econômica do sistema, principalmente quando se considera o uso doméstico ou comunitário em regiões com dificuldade de acesso a tecnologias convencionais.
A vazão informada foi de 24 litros por hora. Na prática, esse dado ajuda a dimensionar o potencial de uso do material, embora a aplicação em escala real dependa de protótipos, validações adicionais, condições locais da água e parâmetros de segurança definidos por normas técnicas.
O projeto não deve ser lido como substituto imediato para políticas públicas de saneamento. A proposta aparece como uma inovação estudantil com potencial de apoio ao tratamento de água, especialmente em contextos onde soluções simples, baratas e reutilizáveis podem fazer diferença.
Protótipos e oficinas levaram a proposta para além do laboratório
Além dos testes, os autores desenvolveram protótipos de filtro. Esse detalhe mostra que o projeto não ficou apenas na etapa de formulação do material, mas buscou transformar a membrana em algo mais próximo de uma solução utilizável.
O resumo também informa que foram realizados workshops comunitários sobre o uso do produto. Essa etapa é importante porque uma tecnologia só ganha força social quando as pessoas conseguem entender como ela funciona, como deve ser usada e quais cuidados são necessários.
Em comunidades sem acesso regular à água potável, a adoção de qualquer solução passa por confiança, manutenção, disponibilidade e orientação. Por isso, atividades educativas podem ser tão relevantes quanto o próprio desenvolvimento técnico do material.
A proposta também menciona que, depois de sua vida útil inicial, a membrana pode ser reativada e inserida em novas etapas de tratamento de água. Esse reaproveitamento reforça o caráter sustentável do projeto e reduz a dependência de descarte rápido.
Projeto conecta ciência escolar e Agenda 2030 da ONU

O Watreat foi apresentado como uma solução que colabora com oito dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU. A fonte não detalha, no trecho disponível, quais são esses oito objetivos, mas o tema se conecta diretamente a acesso à água, saúde, inovação, redução de desigualdades e sustentabilidade.
O envolvimento de estudantes do ensino básico em um projeto com testes, análise estatística, protótipos e ação comunitária também mostra a força da iniciação científica. Quando a escola pública produz pesquisa aplicada, problemas locais podem virar soluções com linguagem técnica e impacto social.
A participação na FEBRACE 2025 deu visibilidade ao trabalho de Isabelle de Sousa Battocchio e Miguel Ribeiro da Silva. A feira, ligada à ciência e tecnologia, reúne projetos de estudantes de diferentes regiões do país e funciona como vitrine para ideias com potencial de inovação.
No caso do Watreat, o destaque vem da combinação entre simplicidade aparente e complexidade técnica. A membrana parece uma solução direta para tratar água contaminada, mas por trás do resultado há planejamento experimental, testes comparativos e análise estatística dos dados obtidos.
Caminho até o uso real ainda exige validações
Apesar dos resultados promissores, é importante manter cautela jornalística. O resumo da FEBRACE apresenta desempenho elevado em testes, mas não informa, no material fornecido, aprovação regulatória, produção em escala comercial ou uso oficial em sistemas públicos de abastecimento.
Isso significa que a membrana não deve ser tratada como produto já disponível para resolver, sozinha, o problema da água potável. O projeto mostra potencial e dados relevantes, mas aplicações reais exigem novas etapas, controle de qualidade, validação técnica ampliada e adequação às normas sanitárias.
A própria diversidade da água contaminada em diferentes regiões impõe desafios. Uma solução testada contra óleo vegetal, corante, turbidez e microrganismos pode precisar de avaliações adicionais quando exposta a metais pesados, resíduos industriais, agrotóxicos ou outros contaminantes específicos.
Ainda assim, a proposta tem valor porque aponta um caminho acessível. Em vez de depender apenas de grandes estruturas, o projeto sugere que materiais biopoliméricos podem contribuir para soluções descentralizadas, reutilizáveis e de baixo custo.
Quando uma membrana escolar aponta para um problema nacional
A criação da membrana Watreat chama atenção não apenas pelos números, mas pela pergunta que deixa para o Brasil: quantas soluções de baixo custo podem estar nascendo dentro de escolas, feiras científicas e laboratórios estudantis sem receber escala suficiente para chegar a quem precisa?
No caso de Isabelle de Sousa Battocchio e Miguel Ribeiro da Silva, o projeto transformou um desafio social em pesquisa aplicada. A membrana contra água contaminada removeu óleo, corante, turbidez e microrganismos nos testes apresentados, pôde ser reutilizada 20 vezes e alcançou custo informado de R$ 0,01 por aplicação.
A tecnologia ainda precisa de validações para uso amplo, mas já mostra como estudantes podem aproximar ciência, sustentabilidade e necessidade real. Em um país com desigualdades no acesso à água potável, iniciativas assim ajudam a lembrar que inovação também pode nascer de soluções simples, baratas e comunitárias.
Você acredita que projetos criados por estudantes em feiras científicas deveriam receber mais investimento para virar soluções reais em comunidades sem água potável? Deixe sua opinião nos comentários.

