Marte terá oposição perihélica em 2035, ficará maior e mais brilhante no céu e voltará ao centro dos planos de exploração humana.
Em 2003, Marte protagonizou uma das aproximações mais marcantes da astronomia moderna. A NASA registrou que o planeta ficou a cerca de 34,6 milhões de milhas da Terra, algo equivalente a aproximadamente 55,7 milhões de quilômetros, na menor distância em quase 60 mil anos, em um tipo de aproximação que não deve se repetir antes de 2287.
Agora, o planeta vermelho se aproxima de um novo momento raro. A Association of Lunar and Planetary Observers, a ALPO, projeta para 15 de setembro de 2035 uma nova oposição perihélica, com Marte atingindo 24,5 segundos de arco de diâmetro aparente, condição que devolve ao astro um brilho e um tamanho visual muito acima do padrão das oposições comuns.
O que é a oposição perihélica de Marte e por que 2035 será tão importante
A oposição acontece quando a Terra fica entre o Sol e Marte. Nessa configuração, o planeta nasce ao anoitecer, permanece visível durante grande parte da noite e entra em uma fase especialmente favorável para observação astronômica. A NASA explica que Terra e Marte entram em oposição em intervalos de cerca de dois anos.
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O evento se torna ainda mais relevante quando ocorre perto do periélio de Marte, o ponto em que o planeta está mais próximo do Sol em sua órbita. Segundo a NASA, é justamente nesse tipo de combinação que surgem as aproximações mais espetaculares, capazes de transformar Marte em um dos objetos mais chamativos do céu noturno.
Por isso, a oposição perihélica de 2035 não é apenas mais uma passagem orbital. Ela reúne uma geometria rara, amplia o tamanho aparente do planeta e recoloca Marte no centro da atenção tanto da observação astronômica quanto do debate sobre exploração humana do Sistema Solar.
Por que Marte muda tanto de brilho e tamanho no céu ao longo dos anos
A grande diferença entre uma oposição comum e uma oposição perihélica está na distância. Como as órbitas da Terra e de Marte são elípticas, nem toda aproximação entre os dois planetas acontece sob as mesmas condições. Isso faz o brilho e o tamanho aparente de Marte variarem bastante de um ciclo para outro.

Na prática, em alguns anos Marte aparece como um ponto avermelhado relativamente discreto. Em outros, torna-se um astro muito mais brilhante e muito mais recompensador para observação com telescópios, justamente porque a distância cai de forma significativa em relação às oposições menos favoráveis.
Esse comportamento orbital explica por que certas aproximações entram para a história. A NASA afirma que as melhores condições de observação da oposição de Marte costumam ocorrer em ciclos de cerca de 15 a 17 anos, e é isso que dá ao evento de 2035 um peso astronômico tão elevado.
Aproximação de Marte em 2035 deve repetir um dos maiores espetáculos astronômicos do século
Segundo a ALPO, a oposição de 15 de setembro de 2035 fará Marte atingir 24,5 segundos de arco de diâmetro aparente. Esse valor coloca o planeta em uma faixa visual muito superior à de oposições comuns e ajuda a explicar por que o evento já é tratado como uma das grandes datas da agenda astronômica das próximas décadas.

Embora 2035 não deva superar o recorde histórico de 2003, a diferença entre os dois eventos é pequena o suficiente para manter o novo alinhamento entre os mais impressionantes do período moderno.
O dado mais sólido aqui é que o recorde de 2003 continua preservado, enquanto 2035 aparece como a próxima grande oposição perihélica de destaque.
Na prática, isso significa um Marte muito mais vistoso no céu, mais fácil de identificar a olho nu e muito mais interessante para observação com instrumentos ópticos. Para o público, será um espetáculo raro. Para a astronomia amadora, será uma janela privilegiada.
Janela orbital de Marte volta ao centro dos planos de exploração humana
A relevância de 2035 não se resume ao brilho no céu. A própria lógica das missões interplanetárias depende dessas janelas orbitais mais favoráveis, já que o alinhamento entre Terra e Marte influencia o planejamento das viagens, os perfis de missão e o aproveitamento energético das trajetórias entre os dois planetas.
A NASA observa que esse ciclo orbital é uma das razões pelas quais muitas missões ao planeta vermelho ficam separadas por intervalos de cerca de dois anos.
Em 2021, a Reuters informou que a China apresentou um cronograma com lançamentos tripulados para Marte em 2033, 2035, 2037 e 2041, dentro de um plano de longo prazo para estabelecer presença humana permanente no planeta. Na mesma reportagem, a agência também registrou que a NASA desenvolve tecnologias para levar astronautas a Marte e trazê-los de volta em algum momento da década de 2030.
Isso não significa que exista hoje uma missão tripulada confirmada para pousar em Marte exatamente em 2035. Não consigo confirmar isso. O que está sustentado pelas fontes disponíveis é que a década de 2030 segue como o principal horizonte estratégico tanto para a NASA quanto para a China quando o assunto é presença humana em Marte.
Missões para Marte em 2035 ganham peso científico, político e simbólico
Em 2003, a aproximação histórica de Marte teve enorme impacto científico e cultural porque mostrou o planeta em condições raras de observação. O foco daquele momento estava no recorde orbital, no brilho incomum e na chance de acompanhar o planeta vermelho em uma de suas aparições mais impressionantes em milhares de anos.
Em 2035, o cenário tende a ser diferente. Marte continuará sendo um espetáculo astronômico, mas agora cercado por um contexto muito mais ambicioso, em que grandes programas espaciais já tratam a presença humana no planeta como meta estratégica real de médio prazo.
É isso que torna a próxima oposição perihélica tão simbólica. Ela não representa apenas mais uma grande aproximação de Marte com a Terra, mas um evento que pode ocorrer no mesmo período em que o planeta deixa de ser apenas destino de sondas e robôs para se consolidar como a próxima fronteira da exploração humana.

