Uma vila construída em penhasco, cravada no topo de uma montanha a mais de 1.400 metros de altitude e com quase 1 quilômetro de queda vertical até o fundo do vale, vive até hoje sem estrada de carro e depende de trilhas, mulas e um teleférico que atravessa cânions para se conectar ao resto do mundo.
Há mais de 400 anos, famílias escalaram esse penhasco para fugir da guerra, fincaram raízes e transformaram o que parecia um esconderijo impossível em lar permanente. Hoje, essa vila construída em penhasco, conhecida como Vila Gulu, sobrevive entre rochas verticais, trilhas estreitas, teleférico pendurado sobre o abismo e uma paisagem tão extrema que até as águias pensam duas vezes antes de voar por ali, mas que impressiona turistas dispostos a encarar o acesso radical.
Onde fica a vila construída em penhasco
A Vila Gulu fica no condado de Hanyuan, na cidade de Ya’an, província de Sichuan, na China. Ela é chamada de vila do penhasco e também de vila nas nuvens, porque toda a comunidade está literalmente grudada em uma parede de rocha, com casas alinhadas no alto e um vazio quase vertical até o Grand Canyon do rio Jinkou lá embaixo.
Na prática, essa vila construída em penhasco parece suspensa no ar: de um lado, o abismo; do outro, paredões cortados a faca, cheios de marcas de escavação deixadas ao longo das décadas.
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Até hoje, nenhum carro consegue subir diretamente até as casas, porque simplesmente não existe estrada convencional que chegue lá em cima.
A trilha de mulas que pendura a vila na montanha

Como a vila construída em penhasco não tem estrada, o caminho clássico sempre foi a pé, pela estrada de mulas e cavalos cavada no penhasco. Essa trilha tem cerca de 6 quilômetros, foi aberta na rocha e hoje está parcialmente concretada, com aproximadamente 1 metro de largura e trechos protegidos por grades metálicas.
O trajeto não é passeio leve: o visitante precisa subir uma estrada de montanha íngreme, enfrentar túneis cavados à mão e passar por pontos em que o penhasco cai quase 1.000 metros logo ao lado.
Muitos turistas desistem no meio do caminho, mas outros encaram o desafio justamente para experimentar como os moradores sempre viajaram. Entre ida e volta, a caminhada pode levar seis ou sete horas, dependendo do ritmo e das paradas.
Por muitos anos, o único jeito de se comunicar com o mundo exterior era por escadas de cipó e cordas de videira penduradas na rocha.
Mais tarde, na década de 1960, durante a construção da ferrovia Chengdu Kunming, foram instaladas escadas de aço para melhorar um pouco a situação, mas ainda assim o acesso continuava extremo.
A grande virada veio em 2002, quando governo e moradores começaram a esculpir a atual estrada de tábuas no penhasco, transformando o antigo caminho em uma trilha mais segura para mulas, cavalos e, agora, turistas.
A obra levou cerca de 16 anos até ser concluída, um trabalho paciente que literalmente pendurou uma estrada na parede da montanha.
Teleférico, carros suspensos e logística no limite
Com o tempo, a vila construída em penhasco ganhou um segundo acesso: um teleférico que atravessa o cânion, ligando um ponto da montanha ao platô onde estão as casas.
O teleférico paira quase 1.000 metros acima do vale, ligando dois paredões de rocha em um trecho que muitos visitantes consideram assustador só de olhar.
Turistas pagam para usar esse teleférico em viagens de ida ou ida e volta, enquanto moradores locais têm acesso gratuito, já que dependem dele para transporte diário.
Até carros foram levados em pedaços pelo teleférico e montados lá em cima, justamente porque não há estrada tradicional subindo a encosta. Primeiro o veículo é suspenso, depois remontado na parte alta, onde circula apenas em pequenos trechos internos.
Mesmo com o teleférico, muita coisa ainda sobe e desce na base da força animal: mulas e cavalos continuam essenciais para transportar mercadorias, produtos e insumos, usando a mesma estrada estreita que serpenteia pelo penhasco.
O chão da trilha tem reentrâncias e relevos feitos de propósito para evitar que os cascos escorreguem, o que mostra como cada detalhe da infraestrutura foi moldado para a sobrevivência em terreno extremo.
Uma vila construída em penhasco com mais de 400 anos de história
A história da Vila Gulu remonta a mais de 400 anos. Os primeiros moradores subiram o penhasco de 1.400 metros para fugir da guerra e encontrar um refúgio que inimigos dificilmente alcançariam.
Ali, plantaram, criaram animais, formaram famílias e mantiveram uma comunidade viva em um lugar onde muita gente acha que nem seria possível morar.
O nome Gulu nasceu de um som: as pedras que caíam do topo da montanha até a base do penhasco faziam um ruído característico, que lembrava “gulu gulu”. Com o tempo, essa onomatopeia virou nome de lugar.
Até pouco tempo, havia moradores que praticamente nunca tinham descido a montanha na vida inteira, justamente por causa da dificuldade de acesso antes da estrada de tábuas.
Hoje, a vila construída em penhasco já tem casas de tijolo e pequenas estruturas de comércio. Moradores vendem água e outros itens na trilha para turistas cansados, com preços considerados até baratos para um lugar tão remoto.
A vida continua simples, mas o turismo trouxe renda extra e um novo olhar do mundo sobre esse pedaço de rocha habitado há séculos.
Turismo, paisagens vertiginosas e vida à beira do abismo
Para quem visita, o choque começa ainda na subida. Em vários pontos, a estrada parece flutuar na parede da montanha, com o vale se abrindo lá embaixo e uma sensação constante de estar caminhando nas nuvens.
Em mirantes e plataformas de observação logo abaixo da vila construída em penhasco, o visitante consegue ver o caminho percorrido desde o fundo do vale e a dimensão real do penhasco praticamente vertical.
Do outro lado, encostas igualmente íngremes abrigam rebanhos de ovelhas que pastam em áreas que parecem inacessíveis até para pássaros.
Quem observa de longe enxerga apenas pequenos pontos brancos se movendo na montanha e só entende que são animais quando aproxima a imagem ou conversa com os moradores.
É uma rotina que mistura normalidade para quem nasceu ali com espanto absoluto para quem chega pela primeira vez.
No fim do dia, quando o sol começa a baixar e a luz bate de lado nos paredões, a sensação é de estar em um cenário impossível: uma vila construída em penhasco, mantida por escadas, trilhas, mulas, teleférico e muita teimosia humana, resistindo ao tempo e transformando um lugar quase inatingível em endereço fixo.
E você, teria coragem de visitar uma vila construída em penhasco como a Vila Gulu e encarar trilhas estreitas, teleférico sobre o abismo e um dia inteiro de subida para ver essa paisagem de perto?


Deus me livre, é possível que não resistisse às dificuldades naturais de viver isolado.