São várias as plataformas nessas condições, e muitos petroleiros se mostram preocupados com o fantasma do desemprego que assombrou o mercado de petróleo na primeira onda de coronavírus, em 2020 e 2021
Infelizmente, as notícias não estão muito boas para o trabalhadores que atuam no mercado do petróleo offshore neste início de 2022. Estão sendo relatados e registrados diversos surtos de coronavírus em unidades petrolíferas nas Bacias de Campos e Santos, nos províncias de exploração do Rio de Janeiro.
Dentre os vários relatos que estão chegando diretamente ao Portal CPG, há vídeos e áudios de petroleiros sendo obrigados a saírem de seus camarotes e dormirem na parte externa da unidade após testagens com resultados positivos para covid-19. A informação que chegou a nossa equipe é que tal ação teve como objetivo higienizar os camarotes. Logo depois dos procedimentos os mesmos voltaram para os seus aposentos. Confira o vídeo abaixo:
Vídeo do momento em que petroleiros são obrigados a se isolarem na parte externa de uma unidade offshore, na área das baleeiras, enquanto seus camarotes eram higienizados
Desemprego e demissões preocupam petroleiros
Como já é de conhecimento da maioria da população, a reforma trabalhista de 2017 possibilitou que empresas contratassem sob o regime de contrato intermitente. Muitas empresas terceirizadas, prestadoras de serviços para grandes petroleiras, principalmente para a Petrobras, optaram por esse regime de contratação pela facilidade de pagar pela mão de obra apenas quando há contrato em vigor, sem obrigatoriedade de manter funcionários nas empresas ociosos quando não há operações, como “paradas de manutenção” por exemplo.
-
Com produção recorde de quase 3 milhões de barris por dia, a Petrobras volta a importar diesel em julho e escancara o gargalo do refino brasileiro
-
Petrobras coloca R$ 1,8 bilhão em jogo com a Nova Engevix e reacende obra bilionária de fertilizantes parada há mais de uma década no coração do agro brasileiro
-
Adeus, combustível de petróleo: Qantas e Airbus investem em empresa que quer transformar sacos de lixo doméstico sem separação prévia em gás para abastecer aviões
-
A ANP abre a porteira de 86 novos blocos de petróleo na Margem Equatorial e amplia a fronteira da Foz do Amazonas
O que já não era do agrado de muitos trabalhadores do ramo do petróleo offshore em situação normal sem pandemia, a instabilidade empregatícia em decorrência de um novo surto de covid-19 preocupa ainda mais.
No lockdown de 2020 e 2021, muitas unidades tiveram suas operações paralisadas e/ou com efetivo diminuído, funcionando apenas os serviços essenciais. As atividades petrolíferas do Rio de Janeiro deixaram de produzir e contratar mão de obra, justamente em um período de franca recuperação da cadeia produtiva do Brasil.
Saúde Emocional e quarentenas exaustivas
Apesar de muitos gostarem da vida offshore, principalmente por ser uma atividade que leva o sustento a suas famílias, o emocional desses petroleiros foi muito abalado pelo tempo excessivo em alto mar, longe de parentes e amigos.
A volta de quarentenas excessivas em hotéis e aumento da escala de trabalho também são fatores importantes. No auge do distanciamento social, as atividades de petróleo e gás essenciais que permaneceram fizeram as empresas tomarem medidas drásticas, como colocar trabalhadores em quarentena por até 10 dias em hotéis e permanência de até 28 dias nas unidades, onde o normal seria a escala de 15 dias de trabalho por 15 de folga.

