Na madrugada, Trump anunciou suspender a entrada de imigrantes de países do terceiro mundo e ordenar revisão de green cards de estrangeiros de 19 nações, ligando a medida a ataque recente e elevando ainda mais a tensão política nos Estados Unidos com críticas de xenofobia, risco diplomático e clima eleitoral.
O presidente Donald Trump anunciou, na madrugada desta sexta feira, que pretende suspender de forma permanente a entrada de imigrantes de países do chamado terceiro mundo nos Estados Unidos. A decisão foi apresentada como resposta direta ao ataque em que dois soldados da Guarda Nacional americana foram baleados à queima roupa por um afegão que vive no país desde 2021.
Trump afirma que a suspensão servirá para que, segundo ele, o sistema norte americano possa se recuperar totalmente, e defende até uma espécie de “imigração reversa” como solução para a crise que enxerga na presença de imigrantes, aprofundando o tom de confronto num momento em que o tema já domina o debate político interno.
Anúncio na madrugada após ataque envolvendo soldados da Guarda Nacional
O recado foi dado em uma sequência de publicações na Truth Social, rede em que Trump costuma falar direto com sua base.
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Ali, ele afirma que vai suspender a imigração de todos os países classificados por ele como de terceiro mundo, ligando o endurecimento contra imigrantes ao ataque da véspera.
No episódio citado pelo presidente, dois soldados da Guarda Nacional americana foram atingidos à queima roupa por um afegão que mora nos Estados Unidos desde 2021, informação usada por Trump como justificativa central para a nova ofensiva.
O caso é apresentado como prova de que o sistema de controle atual falhou, e que seria necessário endurecer regras de forma ampla, afetando milhões de imigrantes que nada tiveram a ver com o atentado.
Revisão de green cards de estrangeiros de 19 países
Antes mesmo do anúncio da madrugada, Trump já havia determinado, na quinta feira, a revisão dos green cards de estrangeiros de 19 países que hoje vivem nos Estados Unidos.
A lista é a mesma que já havia sido alvo de restrições de viagem em 2025, no próprio governo Trump.
Entre os alvos estão imigrantes do Afeganistão, país de origem do atirador, e cidadãos de outras nações como Haiti, Irã, Iêmen, Líbia, Mianmar, Somália, Sudão, Cuba, Venezuela e outros países africanos e asiáticos incluídos no pacote.
Imigrantes que já tinham residência legal passam a conviver com a ameaça de revisão de status, o que aumenta a sensação de incerteza para famílias inteiras que construíram vida no país.
Lista de países citados pelo governo na revisão dos green cards:
- Afeganistão
- Chade
- República do Congo
- Eritreia
- Guiné Equatorial
- Haiti
- Irã
- Iêmen
- Líbia
- Mianmar
- Somália
- Sudão
- Burundi
- Cuba
- Laos
- Serra Leoa
- Togo
- Turcomenistão
- Venezuela
Nesse contexto, a mensagem política é clara: o alvo oficial são os green cards, mas o recado chega a todo imigrante que depende de autorização para permanecer no país, reforçando o clima de medo e insegurança.
Discurso agressivo nas redes e ataques a políticas pró imigrantes
No mesmo pacote de publicações, Trump desejou irônico “feliz Dia de Ação de Graças” aos cidadãos que, na visão dele, teriam permitido que os Estados Unidos fossem divididos, desestabilizados e ridicularizados por decisões políticas ligadas à imigração.
Ele mira especialmente políticos considerados por ele como excessivamente preocupados em ser politicamente corretos.
O presidente mistura felicitações de feriado com um discurso carregado de acusação contra quem defende políticas mais abertas a imigrantes, chamando alguns de idiotas ao tratar do tema.
O resultado é um texto que reforça a retórica de conflito interno, apresentando os imigrantes como peça central de um país supostamente enfraquecido por escolhas equivocadas na área migratória.
Impacto político e clima de tensão para imigrantes do terceiro mundo
A combinação entre suspensão anunciada para imigrantes de países do terceiro mundo e revisão de green cards de 19 nações eleva o nível de tensão em várias frentes ao mesmo tempo.
No plano interno, Trump fala diretamente à sua base mais dura, que há anos vê na chegada de imigrantes uma ameaça à segurança e à identidade nacional.
No plano externo, as medidas prometidas carregam potencial de atrito com governos de países afetados, sobretudo onde há forte presença de comunidades de imigrantes nos Estados Unidos, que agora se veem mais expostas a mudanças bruscas de regras.
Numa tacada só, o governo amplia o alcance de um ataque isolado para justificar uma política mais ampla de fechamento a imigrantes.
Em resumo, o que está na mesa é um recado duro: menos portas abertas para novos imigrantes, mais revisão para quem já está dentro do país e um discurso calculado para manter o tema no centro da disputa política.
Na sua visão, esse tipo de ofensiva contra imigrantes aumenta a segurança real dos Estados Unidos ou serve mais como combustível eleitoral em cima do medo e da xenofobia?

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