Com o desemprego em 5,4%, o Brasil atinge o menor nível da série histórica do IBGE, reduz o número de desocupados, mantém mais de 102 milhões ocupados e mostra melhora consistente frente a 2024, com mercado ainda aquecido, vagas surgindo e ritmo firme de contratações formais em diversos setores nacionais.
O desemprego em 5,4% no trimestre móvel encerrado em outubro não é só mais um número na tela. Esse resultado, medido pela Pnad Contínua do IBGE, representa a menor taxa de desemprego de toda a série histórica iniciada em 2012, com queda tanto em relação ao trimestre imediatamente anterior quanto em comparação com o mesmo período de 2024.
Na prática, o movimento significa menos gente procurando trabalho sem encontrar vaga e mais pessoas mantidas na ocupação, em um cenário em que o mercado de trabalho continua reagindo de forma consistente. Ao mesmo tempo, os dados mostram que ainda existe um contingente importante de brasileiros fora da força de trabalho ou em situação de informalidade, o que abre espaço para avanços futuros mesmo com o desemprego em mínima histórica.
Desemprego em 5,4% marca piso histórico da série do IBGE
Segundo o IBGE, o desemprego ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em outubro. Esse patamar é o menor da série histórica da pesquisa desde 2012, resultado de uma combinação de queda na desocupação e manutenção do número de ocupados em patamar elevado.
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Em relação ao trimestre móvel anterior, a taxa recuou de 5,6% para 5,4%, uma redução de 0,2 ponto percentual. Na comparação com o mesmo período de 2024, quando o desemprego estava em 6,2%, a queda foi ainda mais forte, de 0,7 ponto percentual.
Ou seja, o mercado de trabalho vem melhorando tanto no curto prazo quanto na comparação anual, sinal de que a retomada não é um movimento isolado de um único trimestre.
Menos desocupados e mais brasileiros dentro do mercado de trabalho
Um dos dados mais simbólicos dessa rodada da pesquisa é o tamanho da população desocupada. De acordo com o IBGE, o Brasil tem 5,9 milhões de pessoas desocupadas, o menor número da série histórica. Em relação ao trimestre anterior, houve queda de 3,4%, o que significa menos 207 mil pessoas na fila do desemprego.
Na comparação com o mesmo período de 2024, o recuo é ainda mais expressivo, chegando a 11,8% e representando menos 788 mil pessoas em busca de trabalho.
Em paralelo, a população ocupada se mantém em torno de 102 milhões de pessoas, com aumento de 926 mil ocupados na comparação anual.
O nível de ocupação ficou em 58,8% da população em idade de trabalhar, mantendo estabilidade frente ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2024.
Retrato completo da força de trabalho e da subutilização
Além do desemprego em baixa, o IBGE também mede a chamada taxa de subutilização, que considera quem trabalha menos horas do que gostaria ou poderia e quem está disponível para trabalhar mas não procura por diferentes motivos.
Nesse recorte, a taxa de subutilização ficou em 13,9%, número que ainda mostra espaço para melhora mesmo com o desemprego em mínima histórica.
O levantamento detalha ainda o tamanho da força de trabalho e de quem está totalmente fora dela. A pesquisa mostra 66,1 milhões de pessoas fora da força de trabalho, grupo que inclui desde aposentados até quem não procura emprego por estudo, cuidado de pessoas ou desânimo.
Dentro desse universo, 2,6 milhões são considerados desalentados, isto é, pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar por falta de perspectiva ou oportunidades na região onde vivem.
Carteira assinada, informalidade e trabalho por conta própria
Quando se olha para a qualidade das vagas, o cenário também revela nuances importantes. O Brasil tem 39,2 milhões de empregados com carteira assinada, o que representa o núcleo mais protegido do mercado formal, com direito a férias, 13º salário e FGTS.
Ao lado deles, há 13,6 milhões de empregados sem carteira, parte do grupo que ajuda a compor os números da informalidade.
O levantamento mostra também 25,9 milhões de trabalhadores por conta própria, muitos deles atuando sem CNPJ e sem proteção social robusta.
Somando diferentes formas de inserção precária, o IBGE aponta 38,8 milhões de trabalhadores informais, o que significa que uma fatia relevante da mão de obra ainda depende de ocupações mais instáveis, mesmo em um cenário de desemprego em queda.
O desafio agora é transformar a melhora da quantidade de vagas em avanço consistente na qualidade do emprego.
Desemprego em mínima histórica muda a percepção, mas não elimina desafios
Com o desemprego em 5,4%, o Brasil atinge um marco histórico e reforça a ideia de que o mercado de trabalho vive um ciclo de melhora mais longo do que um simples suspiro de curto prazo, com menos desocupados, mais gente ocupada e indicadores estáveis de nível de ocupação.
A queda frente a 2024 mostra que milhões de brasileiros conseguiram voltar a trabalhar em um ritmo considerado acelerado pelos números do IBGE.
Ao mesmo tempo, os dados sobre subutilização, informalidade e desalento lembram que nem todo mundo sente o alívio do desemprego da mesma forma, já que muitos seguem em trabalhos sem proteção ou fora da força de trabalho por falta de perspectiva.
No seu dia a dia, você sente que essa queda do desemprego apareceu em forma de mais vagas, melhores salários ou novas oportunidades na sua região ou ainda parece só um número bonito na estatística?

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