Parceria de energia limpa firmada pela Califórnia com o Reino Unido irrita Donald Trump, gera troca de ataques políticos e coloca em choque interesses ambientais e o setor de petróleo.
Um novo acordo de energia limpa firmado entre o Reino Unido e o governo da Califórnia transformou uma cooperação ambiental em um campo de batalha político nos Estados Unidos.
A assinatura, feita pelo governador Gavin Newsom com o secretário britânico de Energia, Ed Miliband, foi suficiente para provocar duras críticas do presidente Donald Trump, poucas horas depois do anúncio oficial.
Ao mesmo tempo, o episódio escancara a disputa entre modelos de desenvolvimento. De um lado, estados e governos que apostam em fontes renováveis. Do outro, uma ala que defende a exploração de petróleo e gás como motor da economia.
-
Cientistas brasileiros avançam simultaneamente em duas pesquisas sobre hidrogênio limpo e impulsionam soluções que podem transformar a matriz energética, ampliar a competitividade industrial e acelerar metas de redução de emissões em larga escala
-
Avanço em energia renovável: Projeto de R$ 150 milhões lançado por Petrobras e Finep busca criar eletrolisadores de última geração para hidrogênio verde, fortalecendo pesquisa nacional e preparando o Brasil para disputar espaço em um mercado energético bilionário
-
Avós analfabetas ou semialfabetizadas foram treinadas para consertar sistemas solares, abrir oficinas rurais e iluminar casas que ainda dependiam de querosene
-
O mundo apostou no hidrogênio verde como combustível do futuro, mas agora encara o efeito colateral: produzir 1 quilo exige cerca de 9 litros de água ultrapura, e os maiores projetos do planeta ficam justamente nas regiões mais secas da Terra, onde a água já falta para as pessoas
O que prevê o acordo de energia limpa
O pacto assinado promete ampliar a cooperação entre o Reino Unido e a Califórnia em tecnologias de energia limpa.
Entre os principais focos estão projetos de eólica offshore e outras soluções voltadas à redução da dependência de combustíveis fósseis.
Além disso, o acordo busca abrir o mercado californiano para empresas britânicas do setor, criando novas oportunidades de negócios e investimentos.
Com isso, Londres e Sacramento querem acelerar a transição energética e, ao mesmo tempo, fortalecer suas economias.
Ataques de Trump elevam a tensão
Pouco depois da assinatura, Donald Trump reagiu. Em entrevista ao site Politico, o presidente afirmou que era “inadequado” o Reino Unido negociar diretamente com o governador da Califórnia.
Trump também atacou Newsom, chamando-o de “perdedor” e afirmando que “seu estado foi para o inferno e seu trabalho ambiental é um desastre”.
Essas declarações reforçam o clima de confronto. Newsom é um crítico declarado de Trump e já mencionou a possibilidade de disputar a presidência em 2028.
Assim, o debate sobre energia limpa acaba misturado com ambições políticas.
A resposta do governo da Califórnia
A reação de Newsom não demorou. Um porta-voz do governador disparou contra Trump em um e-mail.
“Donald Trump está de joelhos para o carvão e as grandes petrolíferas, vendendo o futuro dos Estados Unidos para a China”, afirmou. “O governador Newsom continuará a liderar na sua ausência. Líderes estrangeiros estão rejeitando Trump e escolhendo a visão da Califórnia para o futuro.”

Com isso, o governo californiano tenta se apresentar como referência mundial em energia limpa, mesmo enfrentando resistência dentro do próprio país.
Enquanto critica o acordo, Trump segue um caminho oposto. Recentemente, ele convidou empresas de petróleo e gás a indicar áreas no sul e no centro da Califórnia para possíveis concessões de exploração offshore já no próximo ano.
A proposta foi duramente criticada por Newsom e por grupos ambientais, que veem risco direto aos ecossistemas marinhos. Para esses críticos, ampliar a produção de petróleo vai na contramão de qualquer estratégia séria de energia limpa.
O conflito também reflete um embate institucional. Em janeiro, Newsom foi impedido de discursar dentro do local oficial dos Estados Unidos no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Segundo ele, a decisão partiu da Casa Branca.
Desde então, a tensão só aumentou, e o acordo com o Reino Unido virou mais um capítulo dessa guerra política travada em torno do futuro da energia limpa.
