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Torneio mais lucrativo da história pode ter um custo invisível no clima, e a Copa do Mundo 2026 já nasce cercada por dúvidas ambientais

Escrito por Viviane Alves
Publicado em 17/06/2026 às 11:22
Atualizado em 17/06/2026 às 11:24
Estádio em Monterrey, no México, uma das sedes ligadas à Copa do Mundo 2026, em debate sobre impacto ambiental, logística e emissões de CO₂.
Estádio no México ilustra os desafios logísticos e ambientais da Copa do Mundo 2026, marcada por debates sobre greenwashing, sportswashing e emissões de CO₂.
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Mundial nos Estados Unidos, México e Canadá deve movimentar bilhões, mas especialistas alertam para riscos de greenwashing, sportswashing e aumento das emissões de CO₂.

A Copa do Mundo 2026 já entrou no centro do debate ambiental antes mesmo de a bola rolar. Em pleno Junho Verde, o torneio reacende questionamentos sobre o compromisso climático da FIFA após a polêmica deixada pelo Catar, em 2022.

Com previsão de movimentar US$ 8,9 bilhões, cerca de R$ 46 bilhões, a competição avança para se tornar o torneio mais lucrativo da história, segundo dados da S&P Global Market Intelligence.

O brilho esportivo, no entanto, vem acompanhado de uma preocupação crescente. Especialistas e entidades internacionais alertam para o risco de um novo caso de greenwashing ligado ao maior evento de futebol do planeta.

A discussão também envolve o chamado sportswashing, prática em que interesses econômicos e ambientais controversos são associados ao esporte para suavizar impactos negativos diante do público.

Legado climático do Catar ainda pressiona a FIFA

A desconfiança atual tem origem nas acusações feitas após a Copa do Mundo do Catar, realizada em 2022.

Em dezembro daquele ano, a Comissão Suíça de Equidade contestou a comunicação ambiental da FIFA sobre a suposta neutralidade climática do torneio.

Segundo informações da Carbon Market Watch, a entidade teria criado uma impressão falsa e enganosa ao afirmar que a competição não teria impactos climáticos relevantes.

Organizações da Bélgica, França, Reino Unido, Países Baixos e Suíça também questionaram a promessa de neutralidade de carbono divulgada pela FIFA.

Para Liu Berman, líder do Movimento Reinventando Futuros e da LB Cultura Circular, a nova edição coloca a entidade novamente em uma posição delicada.

A realização da Copa de 2026 nos Estados Unidos, México e Canadá amplia os desafios ambientais. O cenário fica ainda mais sensível porque os Estados Unidos retiraram sua participação do Acordo de Paris pela segunda vez.

Diante desse contexto, a especialista levanta uma questão central: a sustentabilidade é uma preocupação real ou apenas uma resposta às agendas internacionais?

Previsão de CO₂ aumenta alerta ambiental

A preocupação cresce diante da estimativa de 7,8 milhões de toneladas de CO₂ lançadas na atmosfera durante a competição.

Esse número contrasta com o pilar ambiental da FIFA para 2026, especialmente com o objetivo EN3, que prevê a redução da poluição atmosférica local causada por estádios e operações do torneio.

A logística do Mundial será um dos pontos mais desafiadores. A competição envolverá deslocamentos entre três países, grande concentração de público, uso intenso de transporte aéreo e movimentação constante entre arenas.

Companhias aéreas, combustíveis, alocação de estádios e deslocamentos de torcedores devem pressionar ainda mais a conta ambiental do evento.

Para especialistas, evitar a repetição das críticas feitas ao Catar será uma tarefa difícil para os organizadores.

Maior Copa da história amplia os impactos

A dimensão do desafio pode ser medida pelos próprios números da Copa do Mundo 2026.

Em comparação com a edição de 2022, o novo Mundial terá 50% mais seleções, 62,5% mais partidas e o dobro de estádios.

A competição também será disputada em três países, e não apenas em uma sede nacional.

A duração do torneio será cerca de 35% maior, o que amplia os desafios logísticos, operacionais e ambientais.

Segundo Liu Berman, os efeitos climáticos não devem atingir apenas os jogadores. Árbitros, comissões técnicas e torcedores também podem sentir os impactos da onda massiva de poluentes na atmosfera.

Universidade de Manchester aponta risco de sportswashing

O debate ganhou força com o relatório “Football and Climate Change: A preview of the 2026 FIFA World Cup”, da Universidade de Manchester.

O documento alerta que cada evento ou equipe patrocinada por empresas de combustíveis fósseis fortalece a presença do capital fóssil na sociedade.

Nesse cenário, o greenwashing busca fazer uma organização parecer menos prejudicial ao meio ambiente do que realmente é.

O sportswashing, por sua vez, integra interesses econômicos ao futebol de forma tão profunda que sua presença pode passar despercebida, mesmo diante de danos ambientais evidentes.

Para Liu Berman, esse alerta precisa ser observado em escala mundial, especialmente em um contexto geopolítico no qual recursos fósseis seguem como ativos de enorme valor.

Transparência será o grande teste da Copa de 2026

A Copa do Mundo 2026 chega cercada por desafios que vão muito além dos gramados.

A FIFA terá que equilibrar lucro histórico, logística internacional, pressão ambiental e cobrança por transparência.

Especialistas defendem indicadores reais de desenvolvimento econômico, social e cultural nos países-sede.

Essas métricas seriam essenciais para comprovar se as mudanças anunciadas são suficientes, verificáveis e compatíveis com a dimensão do torneio.

O legado controverso do Catar segue como alerta para a maior competição de futebol do mundo.

A magia do futebol internacional, portanto, também dependerá da capacidade dos organizadores de enfrentar os impactos climáticos com ações concretas.

O que você acha que deve ser prioridade na Copa de 2026: ampliar o alcance global do torneio ou garantir uma operação ambientalmente mais transparente e sustentável? Deixe sua opinião!

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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