Novas tarifas do México sobre o Brasil elevam a tensão comercial internacional e afetam exportações estratégicas.
O tarifaço do México, aprovado nesta quarta-feira (10) pelo Senado do país, prevê a elevação de tarifas de importação em até 50% para produtos de 11 nações, incluindo o Brasil, a partir de janeiro de 2026.
A medida, que afeta diretamente as exportações para o México, ocorre em um momento de tensão comercial internacional, reacendendo preocupações no comércio exterior brasileiro, especialmente após sinais recentes de alívio vindos dos Estados Unidos.
Tarifaço do México contrasta com alívio tarifário dos EUA
Enquanto o México avança no endurecimento de sua política comercial, os Estados Unidos caminharam na direção oposta nas últimas semanas.
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Nem mesmo o fim da ‘montanha russa’ descrita pelo preço do petróleo tipo Brent (principal referência global) – que saltou de uma cotação de US$ 72 para US$ 120, até baixar ao patamar de US$ 76 o barril – devido ao acordo de paz recente firmado entre os EUA e o Irã, foi suficiente para aliviar a economia brasileira de pressões inflacionárias.
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No fim de novembro, a Casa Branca anunciou a retirada da tarifa de 40% sobre mais de 200 produtos brasileiros.
Entre os itens beneficiados estão carne bovina, café, cacau e açaí, que passaram a integrar uma lista de quase 700 exceções ao tarifaço norte-americano.
A medida passou a valer para mercadorias desembarcadas desde 13 de novembro.
Esse movimento foi interpretado por exportadores como um alívio parcial, reduzindo custos e abrindo espaço para retomada de competitividade no mercado americano.
No entanto, o avanço das tarifas sobre o Brasil no México devolve parte da insegurança ao cenário externo.
Senado mexicano aprova tarifas sobre o Brasil e outros países
O Senado do México aprovou o aumento tarifário por 76 votos a 5, atingindo Brasil, China e outros nove países que não possuem acordo comercial com o país.
A proposta foi enviada pela presidente Claudia Sheinbaum.
Segundo o texto aprovado, as novas tarifas devem entrar em vigor em 1º de janeiro de 2026, após publicação oficial. Ao todo, 1.463 classificações tarifárias serão afetadas.
Os setores atingidos incluem automotivo, têxtil, vestuário, siderúrgico, plásticos, eletrodomésticos, móveis e calçados. A maior parte das sobretaxas varia entre 20% e 35%, mas pode chegar a 50%.
Impacto nas exportações para o México ainda gera incerteza
No Brasil, o governo e a indústria avaliam com cautela os efeitos do tarifaço do México.
Um dos principais pontos de atenção é o setor automotivo, historicamente relevante no fluxo comercial entre os dois países.
Desde 2003, o acordo bilateral Brasil–México prevê livre comércio de veículos, autopeças e máquinas agrícolas.
A Anfavea acredita que esse pacto deve preservar o setor automotivo brasileiro das novas tarifas.
Caso essa interpretação se confirme, a sobretaxa imposta a produtos chineses pode abrir espaço competitivo para as exportações para o México originadas do Brasil.
Dados mostram queda recente, mas possível janela de oportunidade
Entre janeiro e outubro deste ano, o Brasil exportou 66.474 veículos ao México.
O volume representa queda de 17,3% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados da Anfavea.
Apesar da retração, especialistas avaliam que a restrição a veículos chineses pode reposicionar o Brasil no mercado mexicano.
Assim, o tarifaço do México, embora preocupante, pode gerar efeitos indiretos positivos em nichos específicos.
Pressão política e tensão comercial internacional
A votação no Senado mexicano não foi unânime. Ao todo, 35 senadores se abstiveram, criticando a tramitação acelerada do projeto e a ausência de estudos sobre impactos inflacionários.
Assim, parte da oposição associou a medida à pressão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que busca reduzir a entrada de produtos chineses no mercado americano via México.
Parlamentares governistas, por outro lado, defenderam a iniciativa como estratégia para fortalecer a indústria nacional, atrair investimentos e ampliar cadeias produtivas internas.
Comércio exterior brasileiro entra em nova fase de cautela
O avanço das tarifas sobre o Brasil reforça o cenário de tensão comercial internacional, exigindo maior atenção de exportadores e formuladores de política econômica.
O comércio exterior brasileiro passa a operar em um ambiente mais volátil, marcado por decisões unilaterais e disputas geopolíticas.
Diante desse contexto, empresas brasileiras monitoram os desdobramentos do tarifaço do México, enquanto o governo avalia medidas diplomáticas e comerciais para mitigar impactos e preservar mercados estratégicos.
