Novas regras de entrada nos EUA incluem análise de redes sociais no ESTA e podem afetar turistas brasileiros no futuro.
O governo dos Estados Unidos apresentou uma nova proposta para reforçar as regras de entrada nos EUA, com impacto direto sobre viajantes internacionais e atenção especial para os turistas brasileiros nos EUA.
A medida foi anunciada em 2025 pelo Departamento de Segurança Interna (DHS) e pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), por meio de publicação oficial no Federal Register.
A iniciativa prevê a ampliação das exigências da autorização de viagem ESTA, incluindo o fornecimento obrigatório do histórico de redes sociais no ESTA dos últimos cinco anos, além de dados pessoais considerados sensíveis.
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A proposta se insere na estratégia de fortalecimento da segurança de fronteiras dos EUA, política defendida pelo presidente Donald Trump, que retornou à Casa Branca neste ano.
Segundo ele, o objetivo é permitir a entrada de visitantes, mas com maior controle preventivo. “Queremos que as pessoas venham, mas com segurança.
Queremos ter certeza de que não estamos deixando entrar as pessoas erradas”, afirmou o presidente.
O que muda nas regras de entrada nos EUA
As novas regras de entrada nos EUA atingem diretamente viajantes que utilizam o sistema ESTA (Electronic System for Travel Authorization).
Esse mecanismo permite que cidadãos de 42 países entrem nos Estados Unidos por até 90 dias sem a necessidade de visto tradicional.
Embora o Brasil ainda não faça parte do programa de isenção, a discussão tem relevância para os turistas brasileiros nos EUA, já que o tema da adesão brasileira ao ESTA segue em negociação diplomática.
Caso o país avance nesse processo, as novas exigências poderão afetar diretamente milhões de viajantes.
Atualmente, o formulário do ESTA já solicita informações como dados do passaporte, data de nascimento e eventuais antecedentes criminais.
Desde 2016, existe um campo opcional para informar perfis em redes sociais. Com a proposta, esse item passaria a ser obrigatório.
Redes sociais no ESTA passam a ter papel central
Entre os pontos mais sensíveis da proposta está a obrigatoriedade de informar o histórico completo de redes sociais no ESTA referente aos últimos cinco anos. Além disso, os viajantes precisariam fornecer uma série de novos dados pessoais.
A lista de informações exigidas inclui:
Histórico completo de redes sociais por cinco anos
Telefones e endereços de e-mail usados no mesmo período
Dados de familiares próximos, como nomes, datas e locais de nascimento
Endereços e contatos associados aos últimos cinco anos
Segundo o DHS, a ampliação da coleta de dados permitirá uma análise mais detalhada dos perfis antes da autorização de entrada, ajudando a identificar riscos potenciais à segurança de fronteiras dos EUA.
Impactos para turistas brasileiros nos EUA
Mesmo sem integrar o ESTA, os turistas brasileiros nos EUA acompanham a proposta com atenção.
A eventual entrada do Brasil no programa de isenção poderia facilitar viagens de curta duração, mas também impor um nível maior de escrutínio digital.
Especialistas avaliam que a exigência pode gerar insegurança entre viajantes que prezam pela privacidade, além de exigir maior cuidado com informações publicadas em ambientes digitais.
Enquanto isso, companhias aéreas e operadores de turismo observam possíveis reflexos no fluxo internacional.
Críticas à proposta e preocupação com privacidade
Por outro lado, entidades ligadas à proteção de dados e aos direitos digitais apontam riscos relevantes.
Para esses especialistas, a exigência de redes sociais no ESTA pode representar uma barreira excessiva e abrir espaço para interpretações subjetivas de conteúdos publicados online.
Analistas também alertam que o aumento da burocracia pode desestimular visitantes, especialmente em um momento estratégico para o país.
Os Estados Unidos serão sede de dois grandes eventos globais nos próximos anos: a Copa do Mundo masculina de 2026, realizada em conjunto com outros países, e os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028.
Trump minimiza impacto no turismo internacional
Apesar das críticas, o presidente Donald Trump demonstrou confiança de que as mudanças não reduzirão o interesse pelo país. “Não estou preocupado.
Estamos indo muito bem”, declarou. “Só queremos segurança.”
A proposta permanece em período de consulta pública, o que significa que ainda pode sofrer ajustes antes de sua eventual implementação.
Assim, Caso seja aprovada nos moldes atuais, representará uma das mudanças mais significativas dos últimos anos no processo de autorização de viagem ESTA e nas regras de entrada nos EUA, com efeitos diretos sobre o turismo global.
