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Aos 64 anos, Vó Sônia transformou receitas caseiras em negócio familiar, abriu a Casa de Bolos no interior de São Paulo e viu a rede superar 600 lojas e operação em Portugal

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Escrito por Noel Budeguer Publicado em 23/06/2026 às 20:15 Atualizado em 23/06/2026 às 20:18
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A história de Sônia Ramos mostra como uma receita feita em casa, criada para ajudar nas contas da família, se transformou em uma das maiores redes de franquias de bolos do país, com centenas de lojas, produção diária em grande escala e expansão internacional.
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A história de Sônia Ramos mostra como uma receita feita em casa, criada para ajudar nas contas da família, se transformou em uma das maiores redes de franquias de bolos do país, com centenas de lojas, produção diária em grande escala e expansão internacional.

Sônia Ramos, conhecida como Vó Sônia, entrou no mundo dos negócios aos 64 anos, quando a família precisava complementar a renda. O que nasceu a partir de bolos caseiros preparados para parentes, amigos, casamentos e aniversários virou a Casa de Bolos, rede que ultrapassou 600 unidades no Brasil.

A primeira loja foi aberta em 2010, no centro de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Segundo o UOL, a história começou em um momento de necessidade familiar, depois que um dos filhos perdeu o emprego. A resposta veio da cozinha, mas o resultado ultrapassou o ambiente doméstico e virou uma operação nacional.

Hoje, a Casa de Bolos se apresenta como a maior rede de franquias de bolos do Brasil. O site oficial da marca informa 611 lojas, presença em 250 cidades, 110 sabores e produção de 65 mil bolos por dia. A empresa também abriu uma unidade em Lisboa, em Portugal.

A primeira loja nasceu de uma necessidade familiar em Ribeirão Preto

Entre balcões cheios de bolos caseiros, a história de Vó Sônia mostra como uma receita familiar criada para ajudar nas contas de casa virou uma rede com mais de 600 lojas e presença até em Portugal.
Entre balcões cheios de bolos caseiros, a história de Vó Sônia mostra como uma receita familiar criada para ajudar nas contas de casa virou uma rede com mais de 600 lojas e presença até em Portugal.

Antes de virar personagem de uma história de franquia nacional, Sônia Ramos já fazia bolos para pessoas próximas. Eram receitas associadas à memória afetiva, ao sabor de casa e à ideia de bolo simples, vendido sem o peso de uma confeitaria sofisticada.

Segundo o UOL, a virada aconteceu quando a família precisou encontrar uma alternativa de renda. Sônia e o filho caçula passaram a se dividir entre atendimento, cozinha e gestão da primeira loja, aberta em 2010.

A operação começou pequena, mas cresceu rápido. Ainda de acordo com o UOL, no fim do primeiro ano a família já comandava cinco lojas. No terceiro ano, a rede havia chegado a 100 unidades.

Esse avanço explica por que a trajetória da Casa de Bolos chama atenção. A marca não nasceu de um grande laboratório, de uma campanha milionária ou de uma ideia tecnológica. Ela cresceu a partir de um produto comum, conhecido por quase todos os brasileiros.

De cinco lojas no primeiro ano a uma rede com mais de 600 unidades

A expansão por franquias começou em 2011, um ano depois da abertura da primeira unidade. O modelo permitiu que o negócio saísse de Ribeirão Preto e ganhasse outras cidades, mantendo a proposta de bolo caseiro como centro da marca.

A Exame informou que a Casa de Bolos passou a atuar em mais de 250 cidades e em 20 estados. Já o site oficial da empresa aponta 611 lojas, 110 sabores e produção diária de 65 mil bolos.

O número é forte porque mostra a escala atingida por uma ideia simples. A rede passou a vender bolos tradicionais, bolos recheados, bolos no pote, mini bolos, baby bolos, bites e coberturas. Entre os sabores, aparecem opções como fubá, milho, cenoura, chocolate, laranja, coco, limão, maracujá, banana com canela e fubá com goiabada.

Segundo a Forbes, o bolo de maçã com castanha aparece entre os campeões de venda da rede, enquanto o bolo de fubá é citado como o primeiro sabor lançado e favorito da fundadora.

O diferencial estava no bolo simples, feito no ponto de venda

Unidade da Casa de Bolos em São Paulo: no bairro de Vila Perus, as sócias Fernanda Lima e Dalva do Nascimento abriram sua quarta loja da rede, que já havia ultrapassado 400 unidades no país com produção caseira, fresca e cardápio com mais de 100 sabores.
Unidade da Casa de Bolos em São Paulo: no bairro de Vila Perus, as sócias Fernanda Lima e Dalva do Nascimento abriram sua quarta loja da rede, que já havia ultrapassado 400 unidades no país com produção caseira, fresca e cardápio com mais de 100 sabores.

Um dos pontos centrais do modelo da Casa de Bolos está na produção dentro das próprias lojas. Segundo o Terra, cada unidade franqueada prepara seus bolos seguindo as receitas originais de Sônia, com treinamento realizado na sede da empresa em Ribeirão Preto.

Isso diferencia a operação de uma lógica industrial centralizada. O apelo da marca está justamente na ideia de bolo fresco, preparado no local, com sabor associado à cozinha familiar.

O site oficial de franquias afirma que a rede trabalha com ingredientes selecionados, frutas in natura e sem massa pronta, ovo em pó, conservantes, aromatizantes, essências ou outros aditivos.

A empresa também informa modelos de franquia como Express, Standard, Mini, Quiosque e Hub. Nos dados de referência de abril de 2026, o investimento inicial no modelo Express aparece a partir de R$ 113 mil, com retorno estimado entre 18 e 24 meses e margem bruta média de 60%.

A marca saiu do Brasil e entrou no radar de uma multinacional

A expansão da Casa de Bolos não ficou restrita ao mercado brasileiro. A rede abriu sua primeira loja internacional em Lisboa, Portugal. Segundo o site oficial, a unidade portuguesa usa ingredientes locais e mantém a proposta de produção caseira.

O crescimento também levou a marca a uma nova etapa empresarial. Em maio de 2026, a AB Mauri Brasil, subsidiária da Associated British Foods, assinou acordo para adquirir 100% da Casa de Bolos.

No comunicado oficial, a AB Mauri informou que a operação ainda estava sujeita a aprovações regulatórias. A empresa também afirmou que a Casa de Bolos seguiria operando de forma independente, mantendo nome, posicionamento, portfólio e modelo de franquias.

A AB Mauri Brasil informa ter mais de 90 anos de atuação no país e trabalhar com marcas como Fleischmann, Fleischmann Gran Finale, Mauri, Aromaferm, Sohovos e Softase-R, além da distribuição de Twinings, Ovomaltine, Amigos do Bem e Danke.

A Forbes publicou que Sônia, aos 80 anos, vendeu a Casa de Bolos para a AB Mauri Brasil. O valor da operação não foi divulgado oficialmente pelas empresas.

Faturamento varia por fonte, mas mostra uma rede de grande escala

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As fontes publicadas sobre a Casa de Bolos trazem números diferentes de faturamento, dependendo da data e do contexto. O UOL citou R$ 650 milhões. A Exame informou projeção de R$ 650 milhões em 2025, diante de R$ 580 milhões em 2024.

Forbes e Seu Dinheiro informaram, em dados posteriores, que a Casa de Bolos fechou 2025 com R$ 720 milhões e projetava R$ 800 milhões em 2026.

Por isso, o dado mais seguro é afirmar que a rede passou de 600 lojas e alcançou faturamento anual na casa das centenas de milhões de reais. O número exato muda conforme a fonte e o período analisado.

Mesmo assim, o impacto da história permanece. Uma operação que começou com bolos caseiros vendidos para ajudar nas contas da família se tornou uma rede nacional, com presença internacional e interesse de uma multinacional do setor alimentício.

O caso mostra o peso do empreendedorismo sênior no Brasil

A trajetória de Sônia Ramos também dialoga com um fenômeno maior. O Sebrae informou que o Brasil chegou a 4,3 milhões de donos de negócios com mais de 60 anos em 2024, com crescimento de 53% entre 2012 e 2024.

As mulheres representavam 29,9% dos empreendedores seniores, o melhor resultado da série histórica citada pelo Sebrae. Nesse contexto, a história de Vó Sônia vai além de uma marca de bolos.

Ela mostra como experiência, rotina doméstica, negócio familiar e franquia podem se cruzar em um mercado de grande escala. O caso não é apenas sobre uma receita que deu certo, mas sobre como uma solução simples, criada em um momento de necessidade, virou uma empresa capaz de atravessar cidades, estados e até fronteiras.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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