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Com medo de crises, desabastecimento e “tempos incertos”, casal brasileiro constrói bunker subterrâneo em chácara de Santa Catarina, gasta R$ 50 mil, aprende obra do zero com “uma pá e um balde” e transforma preparação extrema em construção apelidada de “casal do apocalipse”, com vídeos que viralizaram nas redes

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Escrito por Ana Alice Publicado em 23/06/2026 às 19:48 Atualizado em 23/06/2026 às 20:31
Casal de Joinville constrói bunker subterrâneo em chácara, gasta R$ 50 mil e viraliza ao mostrar preparação para crises. (Imagem: Ilustrativa via I.A)
Casal de Joinville constrói bunker subterrâneo em chácara, gasta R$ 50 mil e viraliza ao mostrar preparação para crises. (Imagem: Ilustrativa via I.A)
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A construção de um bunker subterrâneo em Santa Catarina chamou atenção nas redes ao unir rotina de obra, preparação para crises, fé e sobrevivencialismo em um projeto acompanhado por milhões.

Maria Elizia Soares, 26, e André Luiz Freitas, 27, estão construindo um bunker subterrâneo em uma chácara em Joinville, no Norte de Santa Catarina.

O projeto começou em 2023, já consumiu cerca de R$ 50 mil, segundo estimativa de Maria, e ganhou repercussão nas redes sociais após o casal passar a mostrar vídeos com a rotina da obra.

A história foi relatada por Maria ao UOL.

Na entrevista, ela afirmou que a construção surgiu da preocupação do casal com possíveis situações de crise, instabilidade e desabastecimento.

“São tempos incertos. É importante estar preparado, porque nunca sabemos o que pode acontecer amanhã”, disse.

O caso aparece em meio a um debate mais amplo sobre preparação civil.

No fim de março, a União Europeia recomendou que cidadãos mantivessem suprimentos suficientes para pelo menos 72 horas em caso de crise.

A orientação foi citada em discussões sobre emergências, conflitos, desastres e interrupção de serviços essenciais.

A recomendação europeia não está ligada diretamente à obra em Santa Catarina.

Ainda assim, o tema ajuda a contextualizar a prática conhecida como sobrevivencialismo, que envolve planejamento, estoque de itens básicos e preparação para cenários extremos.

No caso de Maria e André, a ideia começou antes de ganhar visibilidade na internet.

Como começou o bunker em Joinville

André e Maria se conheceram ainda na infância, perderam contato ao longo dos anos e retomaram a relação em 2016, pelas redes sociais.

Com o tempo, passaram a compartilhar o interesse por histórias de sobrevivência, cenários de colapso e séries com essa temática, como The Walking Dead.

Segundo Maria, André já falava havia anos sobre a possibilidade de ter um local seguro.

A ideia inicial era construir um chalé na chácara com um abrigo subterrâneo integrado ao projeto.

Depois da compra do terreno, os dois decidiram executar o plano e assumir boa parte da construção.

Imagem: Reprodução/Redes sociais
Imagem: Reprodução/Redes sociais

“O André sempre teve esse interesse e dizia que um dia precisaríamos de um lugar seguro. Com o tempo, comecei a entender essa preocupação. Depois de muito planejamento, iniciamos a construção do bunker em 2023”, afirmou Maria ao UOL.

O termo bunker, de origem alemã, é usado para designar abrigos subterrâneos ou reforçados, normalmente planejados para proteção em situações de risco.

Essas estruturas podem ser associadas a conflitos, emergências e períodos de isolamento, dependendo da finalidade e do projeto.

No caso do casal, a proposta é criar um espaço de segurança dentro da propriedade rural.

A obra, no entanto, ainda não está finalizada e segue em andamento, conforme os registros publicados pelos dois nas redes sociais.

Aprendizado na prática e ajuda técnica na obra

Maria e André afirmam que aprenderam grande parte do processo durante a própria construção.

Ainda assim, segundo Maria, engenheiros foram consultados no início para verificar os cálculos do projeto e reduzir riscos na execução da estrutura.

A rotina da obra incluiu tarefas que antes não faziam parte do cotidiano do casal.

Maria relatou ter aprendido a misturar argamassa, levantar paredes e participar de etapas manuais da construção.

A descrição usada por ela para resumir o começo do projeto foi direta: o casal tinha “um sonho, uma pá e um balde”.

“Aprendemos praticamente tudo sozinhos, mas consultamos engenheiros para garantir que os cálculos estivessem corretos no início. Nunca imaginei que estaria misturando argamassa ou levantando paredes, mas acabamos nos envolvendo em cada detalhe”, disse Maria.

De acordo com ela, a parte bruta do bunker já está pronta, mas ainda faltam reboco, acabamento e a organização dos suprimentos.

Depois dessa fase, o casal pretende avançar na construção do chalé planejado para a mesma área da chácara.

O abrigo foi pensado para receber quatro pessoas com conforto.

Em uma situação de necessidade, Maria afirma que o espaço poderia acomodar até dez pessoas, embora sem a mesma disponibilidade de área para todos.

Vídeos do bunker viralizaram nas redes sociais

Além da obra, Maria e André passaram a registrar o projeto nas redes sociais.

Os vídeos mostram etapas como planejamento, escavação, fixação da estrutura no subsolo, instalação de placas solares e avanço do acabamento.

A exposição levou o casal a ganhar seguidores e a transformar parte da rotina da obra em conteúdo digital.

Segundo o texto original, algumas publicações ultrapassaram 5 milhões de visualizações, atraindo tanto curiosos quanto pessoas interessadas em construir abrigos semelhantes.

Mesmo com parcerias e monetização no TikTok, Maria estima que o casal já gastou cerca de R$ 50 mil no projeto.

O valor informado por ela se refere ao que foi investido até o momento, já que a construção ainda não terminou.

“Ainda falta muita coisa. Como fazemos tudo só nós dois, o bruto do bunker está pronto, mas ainda precisamos finalizar o reboco, o acabamento e começar a estocar os suprimentos. Depois, vamos partir para a montagem do chalé”, afirmou.

A repercussão fez com que o casal passasse a ser chamado nas redes de “casal do apocalipse”.

A expressão aparece relacionada ao conteúdo publicado por eles e ao tipo de preparação que relatam fazer, embora Maria afirme que o objetivo não é assustar o público.

Sobrevivencialismo e preparação para crises

A decisão de Maria e André faz parte de um comportamento associado ao sobrevivencialismo.

A prática reúne pessoas que buscam se preparar para emergências por meio de estoques, autonomia na produção de alimentos, habilidades manuais e planejamento para eventuais interrupções no funcionamento normal da sociedade.

O texto original aponta que o movimento ganhou força nos Estados Unidos durante a pandemia, em meio ao medo de desabastecimento.

No Brasil, segundo a mesma reportagem, o tema passou a circular com mais intensidade em 2024, impulsionado por discussões sobre crise econômica, conflitos internacionais e insegurança em relação ao futuro.

Entre os itens normalmente associados a essa preparação estão alimentos, medicamentos, produtos de higiene, ferramentas, fontes alternativas de energia e meios de transporte.

A intensidade desse planejamento varia conforme o perfil de cada pessoa ou família.

No caso do casal de Joinville, a preparação não se limita ao bunker.

Maria afirmou que os dois têm licença para armas de fogo e treinamento, além de conhecimentos relacionados à caça, ao preparo de animais e ao cultivo de plantas frutíferas.

Também segundo ela, o casal mantém animais na propriedade como parte do plano de autossuficiência.

Os cavalos, por exemplo, são vistos como possível meio de transporte em uma situação de crise.

Fé cristã também aparece na motivação do casal

Maria associa parte da preparação à fé cristã.

Ao UOL, ela disse que evita tratar do assunto com frequência nas redes sociais para não alarmar seguidores, mas afirmou que interpreta acontecimentos atuais a partir de passagens bíblicas do Apocalipse.

“Tentamos falar o mínimo possível sobre isso nas redes sociais, porque somos influenciadores e não queremos assustar ninguém. Mas somos cristãos e tudo isso o que está acontecendo está escrito na parte do Apocalipse”, declarou.

A influenciadora também afirmou que o objetivo do casal não é se isolar da sociedade, mas estar preparado para situações de emergência.

“Nosso objetivo não é nos esconder, mas estar preparados. Acreditamos que a Bíblia nos orienta a sermos previdentes”, disse.

No começo, Maria relata que estranhou a ideia de André.

Depois, passou a ver o projeto como uma forma de precaução diante de crises econômicas, da pandemia e de guerras em andamento no cenário internacional, conforme declarou na entrevista.

“No começo, eu estranhava, não vou mentir. Mas, vendo as crises econômicas, a pandemia e o atual cenário global de guerras, achei melhor tomar esse cuidado”, afirmou Maria.

O bunker de Joinville segue em construção, sem data de conclusão informada no texto original.

Enquanto a obra avança, Maria e André continuam publicando vídeos sobre o projeto e relatando a preparação que fazem na chácara.

“Nos preparamos para o pior, mas torcemos para que nunca seja necessário usar”, disse Maria.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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