Decisão organiza limites da execução e esclarece como a Justiça do Trabalho deverá aplicar o redirecionamento
A conclusão do julgamento do Tema 1.232 pelo STF consolidou um entendimento que reorganiza a atuação da Justiça do Trabalho, e, portanto, redefine como empresas e sócios poderão ser responsabilizados. O tribunal decidiu que empresas do mesmo grupo econômico não poderão ser incluídas na execução trabalhista sem terem participado da fase de conhecimento, o que altera a prática recorrente de ampliação automática do polo passivo.
A decisão nasceu da tese apresentada pelo ministro Dias Toffoli, que foi acolhida pela maioria dos ministros. O STF determinou que o cumprimento da sentença somente poderá atingir empresas previamente indicadas na petição inicial, e, portanto, caberá ao reclamante demonstrar, desde o início, a existência de responsabilidade solidária ou de grupo econômico.
O que estabelece a tese firmada pelo STF
O entendimento firmado apresenta três eixos principais.
Primeiro, o cumprimento da sentença não poderá ser promovido contra empresa que não participou da fase de conhecimento, e, desse modo, o reclamante deverá indicar na petição inicial todas as pessoas jurídicas que pretende incluir no polo passivo.
Além disso, essa indicação deverá demonstrar concretamente os requisitos do grupo econômico previstos na CLT.
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Segundo, o tribunal admite o redirecionamento em hipóteses excepcionais, e, portanto, permite sua aplicação somente quando houver sucessão empresarial ou abuso da personalidade jurídica.
Assim, o procedimento deverá seguir as regras previstas no artigo 855-A da CLT e nos artigos 133 a 137 do CPC.
Terceiro, a tese se aplica até mesmo aos redirecionamentos ocorridos antes da reforma trabalhista, e, portanto, alcança execuções anteriormente iniciadas, exceto casos já transitados em julgado ou definitivamente arquivados.
Como era a prática da Justiça do Trabalho
A inclusão de terceiros no polo passivo era comum em decisões trabalhistas, e, portanto, muitos redirecionamentos ocorriam sem demonstração de comunhão de interesses ou de propósito comum.
Em diversos casos, decisões ampliavam a responsabilização apenas diante da insuficiência econômica da empresa executada.
Essa ampliação atingia empresas do mesmo grupo econômico e também sócios e administradores, o que gerava insegurança e expunha terceiros sem relação concreta com a dívida.
Com o novo entendimento, essa prática ficará mais restrita.
Critérios de sucessão e abuso de personalidade
O STF reconheceu que o abuso pode ocorrer por desvio de finalidade ou confusão patrimonial, e, portanto, essas hipóteses continuarão sob análise da Justiça do Trabalho.
Além disso, a transferência de ativos sem contraprestação poderá caracterizar esse abuso.
A discussão sobre sucessão empresarial permanece, e, assim, situações envolvendo compra de ativos exigirão análise cuidadosa, porque o tribunal não detalhou todos os cenários possíveis.
Reflexos sobre sócios e administradores
O novo entendimento amplia o espaço de defesa para sócios e administradores, e, portanto, impede responsabilizações sem prova objetiva de vínculo com a dívida.
Além disso, a insuficiência econômica da empresa não justificará o redirecionamento, e isso reforça a proteção patrimonial de terceiros.
A possibilidade de defesa em incidentes específicos cria ambiente mais equilibrado, e, por isso, reduz riscos de decisões que ampliem a execução sem elementos consistentes.
Efeitos esperados para empresas e investidores
A decisão oferece maior previsibilidade para operações societárias, e, portanto, tende a atrair investidores que buscam segurança jurídica.
Além disso, empresas envolvidas em grupos econômicos compreenderão melhor seus limites de responsabilidade.
O novo entendimento reduz a expansão automática das execuções, e, assim, fortalece critérios mais técnicos para responsabilização trabalhista.

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