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Criada em silêncio no meio do oceano, startup brasileira desenvolveu tecnologia que prevê falhas em plataformas de petróleo antes que aconteçam e agora ExxonMobil e Equinor disputam seus contratos

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 10/04/2026 às 06:30
Atualizado em 11/04/2026 às 16:58
Plataforma FPSO operando em águas ultraprofundas do pré-sal brasileiro
O Brasil lidera o ranking global de FPSOs com 49 unidades ativas, gerando o maior acervo de dados offshore do mundo.
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Startup brasileira que nasceu como spin-off da Modec dentro de plataformas no pré-sal desenvolveu inteligência artificial capaz de prever falhas antes que aconteçam, triplicou de tamanho dois anos seguidos, abriu escritório em Houston e agora vende tecnologia para ExxonMobil na Guiana, Equinor no campo de Bacalhau, Prio, TotalEnergies e Petrobras, monitorando mais de 25% da produção nacional de petróleo.

A Shape Digital é uma startup brasileira que nasceu em 2021 dentro de plataformas de petróleo no meio do oceano. Portanto, não é uma empresa de tecnologia comum — ela foi criada a partir da operação real de FPSOs no pré-sal.

A empresa surgiu como spin-off da Modec, uma das maiores operadoras independentes de FPSOs do mundo e subsidiária do conglomerado japonês Mitsui. Assim, a Modec opera uma frota que responde por cerca de 30% da produção nacional de petróleo do Brasil.

Em menos de quatro anos, a Shape saiu dos navios-plataforma da Petrobras para contratos com ExxonMobil, Equinor, TotalEnergies e Prio — e abriu escritório em Houston.

Brasil lidera ranking global de FPSOs com 49 unidades ativas, cerca de 25% da frota mundial, gerando acervo de dados offshore sem paralelo para treinar IA.

Startup brasileira criou IA que prevê falhas com mais de 200 modelos

O produto principal é o Shape Lighthouse, uma plataforma de manutenção preditiva que centraliza todos os dados de uma plataforma offshore. Dessa forma, ela organiza variáveis de processo, notas de manutenção, inspeções e histórico de alarmes.

Além disso, o sistema correlaciona esses dados com uma biblioteca de mais de 200 modelos baseados em IA e equações de engenharia. Portanto, consegue antecipar falhas antes que se tornem críticas.

O resultado documentado: redução de mais de 15% nas paradas operacionais não planejadas e economia de mais de US$ 1,5 milhão em custos de reparo por planta ao ano.

Além do Lighthouse, a Shape comercializa outros dois produtos. O Shape Reef faz gestão de riscos e segurança de processo em tempo real. Já o Shape Aura funciona como um “Engenheiro Virtual” que otimiza eficiência energética e reduz emissões.

Shape Lighthouse usa mais de 200 modelos de IA para prever falhas em plataformas offshore, reduzindo paradas não planejadas em mais de 15%.

Petrobras, Prio e TotalEnergies já usam a tecnologia brasileira

No Brasil, a startup brasileira monitora ativos com capacidade de processamento de mais de 25% da produção nacional de óleo e gás. Os principais clientes incluem nomes de peso.

Na Petrobras, a Shape implantou o Lighthouse nos FPSOs Almirante Barroso (150 mil bbl/dia) e Anita Garibaldi (80 mil bbl/dia). Além disso, mantém parceria de P&D para um Engenheiro Virtual.

Na Prio, maior independente de petróleo do Brasil, o contrato firmado em outubro de 2025 cobre três FPSOs e a Wellhead Polvo A. Assim, a capacidade total monitorada chega a 380 mil barris por dia.

Já a TotalEnergies implementou o Shape Aura no FPSO Cidade de Caraguatatuba, com meta de reduzir 5% das emissões totais da unidade.

A Shell, junto com Unicamp e Modec, também firmou parceria de 36 meses para desenvolver nova metodologia de monitoramento de riscos com IA, financiada com recursos da ANP.

De Houston à Guiana: startup brasileira compete com gigantes globais

Em 2025, a Shape abriu escritório em Houston — epicentro global da indústria de energia. Por consequência, fechou contratos internacionais de peso.

Com a Equinor, a startup brasileira atua no campo de Bacalhau, onde o FPSO iniciou produção em outubro de 2025 com capacidade de 220 mil barris por dia. O consórcio inclui Equinor (40%), ExxonMobil (40%) e Galp (20%).

Com a ExxonMobil, o contrato é na Guiana, no bloco Stabroek, que produziu 894 mil barris por dia em novembro de 2025. Portanto, é um dos projetos offshore mais dinâmicos do mundo.

O CEO Felipe Baldissera participou da CERAWeek 2025 em Houston e executivos representaram a empresa no SXSW 2025. Dessa forma, a estratégia de inserção na agenda global de energia e tecnologia é deliberada.

Shape Digital abriu escritório em Houston em 2025 e fechou contratos com ExxonMobil na Guiana e Equinor no campo de Bacalhau.

Por que o Brasil é o melhor lugar do mundo para criar IA offshore

Na OTC Brasil 2025, Baldissera explicou a tese da empresa. “Inteligência artificial é tudo sobre você ter dados, ter histórico. E o Brasil é um celeiro incrível para isso”, afirmou.

Os números sustentam o argumento. O Brasil lidera o ranking global de FPSOs em operação, com 46 a 49 unidades ativas. Isso equivale a aproximadamente 25% de toda a frota mundial.

Portanto, o país gera volumes de dados operacionais offshore sem paralelo. É nessa base que os algoritmos da startup brasileira foram treinados, criando um efeito de rede difícil de replicar.

Quanto mais unidades são monitoradas, mais precisa se torna a biblioteca de modelos — e mais difícil fica para concorrentes alcançarem o mesmo nível de acurácia.

Pré-sal brasileiro opera a mais de 2.000 metros de profundidade e gera volumes de dados operacionais que nenhum outro país do mundo consegue replicar.

Startup brasileira triplicou de tamanho dois anos seguidos

O ritmo de crescimento é notável. A Shape cresceu três vezes em 2024 e projetava crescer mais três vezes em 2025. A empresa não divulga faturamento.

Contudo, estima gerar mais de US$ 160 milhões em produção adicional por ano para seus clientes. Além disso, economiza mais de US$ 1,5 milhão em custos de reparo por planta anualmente.

Do ponto de vista tecnológico, a Shape avança para IA generativa. Assim, integra soluções da Microsoft e OpenAI para reduzir falsos positivos nos alertas — aumentando a confiança dos engenheiros nas recomendações do sistema.

O mercado global de FPSOs reforça o potencial. Segundo a Rystad Energy, a América do Sul lidera a demanda global, com 15 projetos previstos até 2030. Para entender como robôs já assumem inspeções nessas plataformas, veja a reportagem.

A Shape não está apenas exportando software — está exportando o conhecimento acumulado de operar as águas mais profundas do mundo. E esse é um ativo que nenhum concorrente de fora consegue comprar.

Shape monitora ativos com capacidade de mais de 25% da produção nacional de petróleo, incluindo FPSOs da Petrobras, Prio e TotalEnergies.
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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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