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A Rússia construiu um radiotelescópio colossal de quase 600 metros, formado por 895 painéis metálicos em um anel gigantesco, que usa a rotação da Terra para captar sinais invisíveis vindos do Sol e das regiões mais distantes do universo

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 10/07/2026 às 23:03 Atualizado em 10/07/2026 às 23:22
Assista o vídeoRATAN-600, radiotelescópio russo de 576 metros, reúne 895 painéis móveis e usa a rotação da Terra para captar sinais do universo profundo.
RATAN-600, radiotelescópio russo de 576 metros, reúne 895 painéis móveis e usa a rotação da Terra para captar sinais do universo profundo.
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Escondido entre montanhas do norte do Cáucaso, um gigantesco anel metálico transforma o movimento da Terra em ferramenta de observação espacial.

Formada por centenas de painéis ajustáveis, trilhos e receptores móveis, a instalação investiga sinais invisíveis emitidos pelo Sol, por estrelas e por galáxias distantes.

No norte do Cáucaso, uma sequência de placas metálicas forma um círculo de 576 metros de diâmetro em uma área cercada por montanhas, onde funciona o RATAN-600, radiotelescópio russo criado para captar ondas vindas do Sol, de estrelas e de galáxias distantes.

Pertencente ao Observatório Astrofísico Especial da Academia Russa de Ciências, o instrumento reúne 895 elementos metálicos móveis, cada um com 11,4 metros de altura e 2 metros de largura, organizados lado a lado para formar uma antena de perfil variável.

RATAN-600 forma um anel metálico de 576 metros

A dimensão nominal de 600 metros presente no nome RATAN-600 representa a escala do projeto, enquanto o círculo físico formado pelos refletores mede 576 metros de diâmetro e contorna uma área central ocupada por trilhos, cabines receptoras e refletores secundários.

Em vez de preencher toda essa superfície com uma antena parabólica contínua, os engenheiros distribuíram os painéis ao longo da circunferência, criando uma instalação que, vista de cima, lembra uma gigantesca faixa metálica cercando um espaço aparentemente vazio.

RATAN-600, radiotelescópio russo de 576 metros, reúne 895 painéis móveis e usa a rotação da Terra para captar sinais do universo profundo.
RATAN-600, radiotelescópio russo de 576 metros, reúne 895 painéis móveis e usa a rotação da Terra para captar sinais do universo profundo.

Embora a área central pareça desocupada nas imagens aéreas, seu interior abriga os componentes responsáveis por receber e direcionar as ondas concentradas pelos diferentes setores, permitindo que o conjunto funcione como um único e complexo instrumento de radioastronomia.

Como os painéis móveis captam ondas do espaço

Quando ondas de rádio provenientes do espaço atingem uma parte previamente ajustada da estrutura, os painéis daquele setor são inclinados para formar uma superfície refletora calculada, capaz de direcionar a radiação para um espelho secundário e depois para os equipamentos científicos.

Instaladas sobre trilhos distribuídos na área interna, as cabines receptoras podem ser reposicionadas conforme o setor utilizado, permitindo alterar a geometria das observações sem que toda a instalação precise girar como acontece em uma antena parabólica convencional.

Dividido em quatro setores principais, orientados para norte, sul, leste e oeste, o anel pode operar com diferentes regiões associadas a receptores específicos, de acordo com as configurações descritas pelo Observatório Astrofísico Especial da Academia Russa de Ciências.

No setor sul, o RATAN-600 também pode trabalhar em conjunto com um refletor plano de grandes dimensões, sistema no qual as ondas são desviadas pelo refletor linear, atingem os painéis circulares e seguem para os instrumentos responsáveis pela medição.

Essa combinação amplia as possibilidades de direcionamento e acompanhamento das fontes celestes, pois permite ajustar a trajetória das ondas recebidas antes que elas alcancem os equipamentos encarregados de transformar a radiação captada em informações científicas mensuráveis.

Rotação da Terra participa das observações

RATAN-600, radiotelescópio russo de 576 metros, reúne 895 painéis móveis e usa a rotação da Terra para captar sinais do universo profundo.
RATAN-600, radiotelescópio russo de 576 metros, reúne 895 painéis móveis e usa a rotação da Terra para captar sinais do universo profundo.

Grande parte das observações acontece enquanto o movimento aparente do céu conduz o objeto pesquisado através do campo de recepção do telescópio, processo provocado pela rotação da Terra e aproveitado pela instalação para examinar diferentes fontes de ondas de rádio.

Diferentemente dos telescópios ópticos, o RATAN-600 não produz fotografias convencionais do universo, pois seus receptores registram radiação eletromagnética em frequências de rádio invisíveis aos olhos humanos, posteriormente convertida em dados analisados pelos pesquisadores.

A partir dessas medições, torna-se possível estudar características que não aparecem em imagens feitas com luz visível, incluindo atividade magnética, partículas energéticas, variações de intensidade e fenômenos associados a estrelas, núcleos ativos de galáxias e objetos extremamente compactos.

Sinais do Sol e de galáxias distantes

Entre os alvos regularmente acompanhados está o Sol, cuja emissão é observada em diferentes frequências para produzir dados sobre regiões ativas e alterações na radiação solar, complementando medições realizadas por instrumentos ópticos e por observatórios instalados no espaço.

Além das fontes solares, a estrutura é empregada no estudo de objetos galácticos e extragalácticos, utilizando receptores que trabalham em faixas de 1,25, 2,25, 4,7, 8,2, 11,2, 14,4 e 22,3 gigahertz, conforme informa o site oficial do RATAN-600.

Ao comparar medições simultâneas ou quase simultâneas dessas frequências, os cientistas conseguem acompanhar como a intensidade de determinada fonte varia ao longo do espectro, obtendo informações que não seriam reveladas por uma observação limitada a apenas uma faixa.

Entre os objetos pesquisados aparecem os blazares, núcleos extremamente energéticos de galáxias distantes cuja emissão pode mudar com o tempo, levando o observatório a manter programas específicos de monitoramento e a acumular medições realizadas durante períodos prolongados.

Radiotelescópio pertence a uma categoria própria

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Embora o formato circular ofereça uma resolução associada a uma estrutura de grandes dimensões, o equipamento não funciona como uma antena totalmente preenchida com 576 metros de largura, pois somente setores devidamente ajustados participam de cada observação.

Por essa razão, comparações baseadas apenas no diâmetro podem ser imprecisas, já que radiotelescópios com grandes pratos contínuos possuem áreas coletoras diferentes, enquanto redes formadas por várias antenas utilizam interferometria para funcionar como instrumentos muito maiores.

Marcado por um refletor circular segmentado e ajustável, o RATAN-600 pertence a uma categoria própria de radiotelescópios e apresenta, segundo os parâmetros divulgados pelo observatório, uma superfície geométrica de 22 mil metros quadrados.

Esse número representa a soma associada à estrutura refletora, porém a área efetivamente utilizada varia conforme a configuração escolhida para cada programa científico, já que diferentes painéis, setores e receptores podem ser combinados durante as observações.

Estrutura exige precisão em cada painel

Manter uma instalação dessa escala exige controle constante, porque cada elemento precisa conservar posição e geometria adequadas para refletir ondas extremamente fracas em direção aos receptores, enquanto pequenos desvios físicos podem alterar o foco e influenciar a precisão das medições.

Concebido no período soviético, o radiotelescópio permanece integrado a programas científicos e arquivos de observação, com um centro de dados que reúne milhões de registros produzidos por levantamentos, medições de emissão contínua e estudos de diferentes fontes astronômicas.

Distante da imagem popular de um telescópio, a instalação não possui uma única cúpula apontada para o céu nem um prato central ocupando toda a área, mas um anel metálico de escala urbana conectado a trilhos, refletores e receptores móveis.

Até onde uma estrutura de quase 600 metros, criada para captar uma parte invisível do universo, ainda poderá ampliar o conhecimento sobre sinais emitidos pelo Sol, por galáxias distantes e por outros objetos espalhados pelo espaço profundo?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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