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Reino Unido lançou no mar 146 caixões gigantes de concreto, rebocou as estruturas pelo Canal da Mancha e ergueu em poucos dias um porto artificial colossal diante das praias da Normandia

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 10/07/2026 às 23:03 Atualizado em 10/07/2026 às 23:21
Reino Unido rebocou caixões gigantes de concreto pelo Canal da Mancha e os afundou para criar portos artificiais na Normandia histórica.
Reino Unido rebocou caixões gigantes de concreto pelo Canal da Mancha e os afundou para criar portos artificiais na Normandia histórica.
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Estruturas gigantes de concreto atravessaram o Canal da Mancha flutuando, foram afundadas diante da costa francesa e ajudaram a criar um porto artificial usado para movimentar homens, veículos e suprimentos em uma das maiores operações logísticas já realizadas no mar.

O Reino Unido construiu, fez flutuar, rebocou e afundou no mar enormes caixões de concreto para formar um dos portos artificiais mais impressionantes já usados em uma operação militar, em uma solução criada para transformar uma costa aberta em ponto de abastecimento contínuo.

Conhecidas como Phoenix, essas estruturas integravam os portos Mulberry, sistema projetado para permitir o desembarque de veículos, suprimentos e equipamentos em praias que não contavam com porto convencional preparado para receber navios de grande porte.

A lógica da obra era tão simples quanto monumental: diante da ausência de um porto adequado nas praias da Normandia, os Aliados decidiram levar uma estrutura pronta pelo Canal da Mancha e montá-la diretamente na costa francesa.

Para tornar essa operação possível, peças pré-fabricadas foram construídas na Grã-Bretanha, transportadas por rebocadores e posicionadas no litoral da França, onde parte delas foi afundada de forma controlada para criar uma zona protegida contra as ondas.

Portos Mulberry levaram uma estrutura pronta pelo Canal da Mancha

Segundo o Imperial War Museums, os Mulberry Harbours surgiram da necessidade de abastecer tropas desembarcadas em praias abertas, sem depender da captura imediata de um porto francês capaz de sustentar o fluxo de homens, veículos e cargas.

Reino Unido rebocou caixões gigantes de concreto pelo Canal da Mancha e os afundou para criar portos artificiais na Normandia histórica.
Reino Unido rebocou caixões gigantes de concreto pelo Canal da Mancha e os afundou para criar portos artificiais na Normandia histórica.

Na descrição da instituição, os Phoenix eram imensas estruturas de concreto, inundadas para formar parte do quebra-mar interno, enquanto outros componentes completavam o sistema com piers, estradas flutuantes e mecanismos de proteção marítima.

Formados por concreto armado e cavidades internas, os caixões Phoenix funcionavam como blocos ocos de grande porte, capazes de flutuar antes da instalação e de serem rebocados até a área onde passariam a integrar a barreira marítima.

Ao chegarem ao destino, válvulas e operações de inundação permitiam que cada módulo perdesse flutuabilidade e descesse até o fundo do mar, transformando uma peça transportável em parte fixa do quebra-mar artificial.

O número mais citado em registros históricos sobre o conjunto aponta 146 caixões de concreto integrando a operação, marca que dimensiona a escala da obra, embora não resuma a complexidade do sistema instalado diante da Normandia.

Além dos Phoenix, a estrutura reunia navios antigos deliberadamente afundados, quebra-mares flutuantes, plataformas de atracação e vias móveis que conectavam embarcações à praia, compondo uma infraestrutura marítima criada para funcionar sem um porto tradicional.

Caixões Phoenix flutuavam antes de serem afundados no mar

A operação ia muito além de despejar concreto no mar, pois cada peça precisava sair das áreas de construção na costa britânica, reunir-se em pontos de espera, atravessar águas sujeitas a marés e chegar ao ponto correto na França.

Depois de posicionadas, essas estruturas formavam uma proteção artificial capaz de reduzir o impacto das ondas e permitir o descarregamento de cargas, criando um ambiente mais seguro para embarcações de apoio e plataformas de transferência.

Nos portos Mulberry, os Phoenix funcionavam como parte do escudo marítimo, enquanto navios chamados Corncobs eram afundados para compor barreiras conhecidas como Gooseberries e reforçar a proteção da área operacional.

Mais ao largo, estruturas flutuantes chamadas Bombardons ajudavam a quebrar a força do mar, enquanto pontes e estradas flutuantes permitiam que homens, veículos e suprimentos avançassem das embarcações até a costa.

A construção dos portos artificiais respondia a um problema logístico enorme, já que tropas desembarcadas em praias abertas precisavam receber munição, combustível, alimentos, equipamentos médicos, veículos e reforços de maneira constante.

Reino Unido rebocou caixões gigantes de concreto pelo Canal da Mancha e os afundou para criar portos artificiais na Normandia histórica.
Reino Unido rebocou caixões gigantes de concreto pelo Canal da Mancha e os afundou para criar portos artificiais na Normandia histórica.

Sem um porto seguro, esse fluxo dependeria de embarcações menores e de condições favoráveis do mar, situação que poderia limitar a continuidade das operações e comprometer o abastecimento necessário para manter o avanço em terra.

Normandia recebeu dois portos artificiais montados no mar

Dois portos Mulberry foram montados na Normandia, sendo um associado à área de Omaha Beach, usado pelas forças americanas, e outro instalado em Arromanches, destinado ao atendimento de britânicos e canadenses.

Após uma forte tempestade danificar severamente o porto ligado à área americana, o conjunto de Arromanches tornou-se o mais duradouro e manteve papel central no abastecimento marítimo da costa francesa.

O Imperial War Museums informa que os componentes dos Mulberry Harbours pesavam mais de 600 mil toneladas no total, número que mostra a dimensão física de uma infraestrutura montada a partir de peças transportadas pelo mar.

A mesma fonte registra que, depois de entrarem em operação, esses portos ajudaram a desembarcar mais de 2 milhões de homens, cerca de 500 mil veículos e 4 milhões de toneladas de suprimentos.

Entre os aspectos mais curiosos da operação estava o comportamento dos próprios caixões, já que estruturas feitas de concreto não foram simplesmente moldadas no ponto final, mas fabricadas como cascos gigantes capazes de atravessar parte do Canal da Mancha.

Parte dos Phoenix permaneceu submersa perto da costa britânica antes da travessia, tanto por razões operacionais quanto de sigilo, até ser reflutuada, rebocada e enviada para compor os quebra-mares diante da Normandia.

O nome Phoenix, associado à ave que renasce, refletia justamente essa sequência incomum de afundar, trazer de volta à superfície e afundar novamente no destino final, onde os módulos passavam a formar uma barreira fixa.

Estruturas de concreto tinham escala comparável à de pequenos edifícios

As maiores unidades tinham dimensões comparáveis às de pequenos edifícios e deslocavam milhares de toneladas, mas não possuíam motores próprios, dependendo de rebocadores para avançar lentamente até a costa francesa.

Essa travessia exigia coordenação entre engenharia civil, navegação, meteorologia, operações navais e equipes responsáveis pela montagem final, porque cada componente precisava chegar ao ponto certo para cumprir sua função no conjunto.

A utilidade do sistema aparecia principalmente na proteção criada contra o mar aberto, permitindo que navios de transporte se aproximassem de uma área mais abrigada e descarregassem material em plataformas conectadas à praia.

Essas vias se ajustavam ao movimento da água e à variação das marés, mantendo o fluxo de suprimentos mesmo em condições desafiadoras e reduzindo a dependência de uma estrutura portuária convencional.

Reino Unido rebocou caixões gigantes de concreto pelo Canal da Mancha e os afundou para criar portos artificiais na Normandia histórica.
Reino Unido rebocou caixões gigantes de concreto pelo Canal da Mancha e os afundou para criar portos artificiais na Normandia histórica.

Em Arromanches, restos dos caixões ainda podem ser vistos no mar, formando uma lembrança física da obra e mostrando que a infraestrutura existiu como um sistema real, montado peça por peça em ambiente marítimo.

A presença dessas massas de concreto diante da costa reforça que o porto artificial não foi apenas uma solução temporária em papel, mas uma infraestrutura real, montada peça por peça em ambiente marítimo.

Engenharia marítima transformou concreto em porto artificial

O projeto também se destacou por transformar materiais comuns em uma solução de escala extraordinária, combinando concreto, aço, rebocadores, navios antigos e pontes flutuantes para criar abrigo, acesso e continuidade operacional onde não havia porto disponível.

A comparação com obras marítimas modernas ajuda a explicar por que os Mulberry Harbours ainda chamam atenção, já que o sistema apostou em componentes pré-fabricados e mobilidade, em vez de dragagens prolongadas ou grandes cais construídos ao longo de anos.

Levado pelo mar e convertido em porto no próprio local de uso, o conjunto mostrava que uma instalação portuária podia ser dividida em peças independentes, transportadas separadamente e reunidas diante de uma costa sem infraestrutura adequada.

Para funcionar, um porto precisa criar proteção, área de atracação, rotas de descarga e conexão com a terra; nos Mulberry, cada função foi distribuída em componentes que imitavam, em poucos dias, o papel de uma instalação convencional.

O caso dos Phoenix permanece entre os exemplos mais marcantes de engenharia marítima aplicada a uma necessidade logística extrema, com blocos de concreto que atravessaram o Canal da Mancha antes de serem afundados diante da Normandia.

Como estruturas de concreto gigantes conseguiram flutuar pelo Canal da Mancha antes de virar um porto artificial no fundo do mar?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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