Startup brasileira que nasceu como spin-off da Modec dentro de plataformas no pré-sal desenvolveu inteligência artificial capaz de prever falhas antes que aconteçam, triplicou de tamanho dois anos seguidos, abriu escritório em Houston e agora vende tecnologia para ExxonMobil na Guiana, Equinor no campo de Bacalhau, Prio, TotalEnergies e Petrobras, monitorando mais de 25% da produção nacional de petróleo.
A Shape Digital é uma startup brasileira que nasceu em 2021 dentro de plataformas de petróleo no meio do oceano. Portanto, não é uma empresa de tecnologia comum — ela foi criada a partir da operação real de FPSOs no pré-sal.
A empresa surgiu como spin-off da Modec, uma das maiores operadoras independentes de FPSOs do mundo e subsidiária do conglomerado japonês Mitsui. Assim, a Modec opera uma frota que responde por cerca de 30% da produção nacional de petróleo do Brasil.
Em menos de quatro anos, a Shape saiu dos navios-plataforma da Petrobras para contratos com ExxonMobil, Equinor, TotalEnergies e Prio — e abriu escritório em Houston.
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Startup brasileira criou IA que prevê falhas com mais de 200 modelos
O produto principal é o Shape Lighthouse, uma plataforma de manutenção preditiva que centraliza todos os dados de uma plataforma offshore. Dessa forma, ela organiza variáveis de processo, notas de manutenção, inspeções e histórico de alarmes.
Além disso, o sistema correlaciona esses dados com uma biblioteca de mais de 200 modelos baseados em IA e equações de engenharia. Portanto, consegue antecipar falhas antes que se tornem críticas.
O resultado documentado: redução de mais de 15% nas paradas operacionais não planejadas e economia de mais de US$ 1,5 milhão em custos de reparo por planta ao ano.
Além do Lighthouse, a Shape comercializa outros dois produtos. O Shape Reef faz gestão de riscos e segurança de processo em tempo real. Já o Shape Aura funciona como um “Engenheiro Virtual” que otimiza eficiência energética e reduz emissões.

Petrobras, Prio e TotalEnergies já usam a tecnologia brasileira
No Brasil, a startup brasileira monitora ativos com capacidade de processamento de mais de 25% da produção nacional de óleo e gás. Os principais clientes incluem nomes de peso.
Na Petrobras, a Shape implantou o Lighthouse nos FPSOs Almirante Barroso (150 mil bbl/dia) e Anita Garibaldi (80 mil bbl/dia). Além disso, mantém parceria de P&D para um Engenheiro Virtual.
Na Prio, maior independente de petróleo do Brasil, o contrato firmado em outubro de 2025 cobre três FPSOs e a Wellhead Polvo A. Assim, a capacidade total monitorada chega a 380 mil barris por dia.
Já a TotalEnergies implementou o Shape Aura no FPSO Cidade de Caraguatatuba, com meta de reduzir 5% das emissões totais da unidade.
A Shell, junto com Unicamp e Modec, também firmou parceria de 36 meses para desenvolver nova metodologia de monitoramento de riscos com IA, financiada com recursos da ANP.
De Houston à Guiana: startup brasileira compete com gigantes globais
Em 2025, a Shape abriu escritório em Houston — epicentro global da indústria de energia. Por consequência, fechou contratos internacionais de peso.
Com a Equinor, a startup brasileira atua no campo de Bacalhau, onde o FPSO iniciou produção em outubro de 2025 com capacidade de 220 mil barris por dia. O consórcio inclui Equinor (40%), ExxonMobil (40%) e Galp (20%).
Com a ExxonMobil, o contrato é na Guiana, no bloco Stabroek, que produziu 894 mil barris por dia em novembro de 2025. Portanto, é um dos projetos offshore mais dinâmicos do mundo.
O CEO Felipe Baldissera participou da CERAWeek 2025 em Houston e executivos representaram a empresa no SXSW 2025. Dessa forma, a estratégia de inserção na agenda global de energia e tecnologia é deliberada.

Por que o Brasil é o melhor lugar do mundo para criar IA offshore
Na OTC Brasil 2025, Baldissera explicou a tese da empresa. “Inteligência artificial é tudo sobre você ter dados, ter histórico. E o Brasil é um celeiro incrível para isso”, afirmou.
Os números sustentam o argumento. O Brasil lidera o ranking global de FPSOs em operação, com 46 a 49 unidades ativas. Isso equivale a aproximadamente 25% de toda a frota mundial.
Portanto, o país gera volumes de dados operacionais offshore sem paralelo. É nessa base que os algoritmos da startup brasileira foram treinados, criando um efeito de rede difícil de replicar.
Quanto mais unidades são monitoradas, mais precisa se torna a biblioteca de modelos — e mais difícil fica para concorrentes alcançarem o mesmo nível de acurácia.

Startup brasileira triplicou de tamanho dois anos seguidos
O ritmo de crescimento é notável. A Shape cresceu três vezes em 2024 e projetava crescer mais três vezes em 2025. A empresa não divulga faturamento.
Contudo, estima gerar mais de US$ 160 milhões em produção adicional por ano para seus clientes. Além disso, economiza mais de US$ 1,5 milhão em custos de reparo por planta anualmente.
Do ponto de vista tecnológico, a Shape avança para IA generativa. Assim, integra soluções da Microsoft e OpenAI para reduzir falsos positivos nos alertas — aumentando a confiança dos engenheiros nas recomendações do sistema.
O mercado global de FPSOs reforça o potencial. Segundo a Rystad Energy, a América do Sul lidera a demanda global, com 15 projetos previstos até 2030. Para entender como robôs já assumem inspeções nessas plataformas, veja a reportagem.
A Shape não está apenas exportando software — está exportando o conhecimento acumulado de operar as águas mais profundas do mundo. E esse é um ativo que nenhum concorrente de fora consegue comprar.


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