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Rival da Starlink coloca em órbita o maior satélite comercial já lançado, com 223 m², promete internet direto no celular comum

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 02/01/2026 às 12:52
Rival da Starlink coloca em órbita o maior satélite comercial já lançado, com 223 m², promete internet direto no celular comum e acelera a corrida pela conexão espacial
A chegada do BlueBird 6 promete levar banda larga direto ao smartphone comum e coloca mais pressão na órbita baixa terrestre.
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A chegada do BlueBird 6 promete levar banda larga direto ao smartphone comum e coloca mais pressão na órbita baixa terrestre

A startup texana AST SpaceMobile colocou em órbita o BlueBird 6, descrito como o maior satélite comercial já lançado. Com 223 metros quadrados após o desdobramento da antena, o equipamento mira conexões de internet e voz direto no celular, sem acessórios.

O lançamento amplia a competição com a constelação Starlink, que já domina a oferta de conectividade via satélite. Ao mesmo tempo, o aumento de objetos no espaço reforça o debate sobre segurança orbital e impacto na observação do céu.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

O BlueBird 6 decolou em 23 de dezembro a bordo do foguete LVM3, da ISRO, a partir do Centro Espacial Satish Dhawan, na Índia. A chegada à órbita baixa terrestre ocorreu em 16 minutos.

A AST planeja lançar entre 45 e 60 satélites do mesmo tipo até o fim de 2026. O objetivo é montar uma rede celular espacial de banda larga acessível por telefones convencionais.

A empresa já mantém cinco satélites comerciais menores em órbita e trabalha para oferecer serviços 5G nos Estados Unidos e em outros quatro países no início de 2026.

O que muda na prática para quem usa celular

A proposta é simples de entender: conexão direta do satélite para o aparelho, sem antena externa e sem terminal dedicado. Isso pode reduzir falhas de sinal em locais onde a rede terrestre não chega.

A ambição é alcançar cobertura em áreas rurais e regiões remotas, onde a conectividade ainda é limitada. Na prática, o celular passa a ter uma alternativa quando não há rede tradicional disponível.

O projeto busca abrir caminho para banda larga móvel com alcance global, mantendo a experiência próxima do que já existe nas redes celulares.

Como o tamanho do satélite vira vantagem

Depois de abrir seus painéis no espaço, o BlueBird 6 ocupa 223 metros quadrados, comparado ao tamanho de uma quadra de tênis. O porte supera o BlueWalker 3, que chega a 64 metros quadrados quando totalmente aberto.

Esse tamanho atende a uma necessidade técnica: a antena precisa ser potente o suficiente para falar com telefones que não foram criados para comunicação com satélites. A ideia é compensar a limitação do aparelho na ponta do usuário.

Cada unidade foi projetada para suportar 10 gigahercios de largura de banda e oferecer velocidades de até 120 megabytes por segundo por telefone móvel.

A disputa com a Starlink é imediata. A rede da SpaceX opera mais de 9.000 satélites, estimados como entre 75% e 85% de todos os satélites em órbita.

Enquanto a Starlink escala quantidade, a AST aposta em antenas maiores para falar direto com o celular. A empresa firmou acordos com AT&T, Verizon e Vodafone para complementar a cobertura em áreas com pouco ou nenhum sinal.

Do outro lado, a Starlink mantém parceria com a T Mobile no mercado de conexão direta para dispositivos.

Brilho no céu e preocupação com poluição luminosa

O BlueWalker 3, lançado em setembro de 2022, demonstrou a comunicação direta ao realizar uma chamada 5G do espaço para um Samsung Galaxy S22 comum. A mesma missão também chamou atenção por outro motivo.

Após o desdobramento do painel, o brilho aumentou em cerca de duas magnitudes, superando a luminosidade da maioria dos objetos no céu noturno. Com o BlueBird 6 sendo três vezes maior, a preocupação com o impacto visual ganha força.

O aumento de satélites brilhantes pode prejudicar observações astronômicas e alterar a experiência de quem acompanha o céu a olho nu.

Órbita mais cheia e risco de colisões em sequência

A AST prevê uma constelação de até 243 satélites para garantir cobertura contínua e global. A expectativa é iniciar operações comerciais em alguns mercados no primeiro trimestre de 2026.

A entrada de mais satélites também intensifica a discussão sobre sustentabilidade da órbita baixa terrestre. A SpaceX enviou uma carta à Comissão Federal de Comunicações no fim de 2024 levantando preocupações sobre o tema.

A saturação é descrita como crítica, com a constelação Starlink já tendo triplicado a população orbital em sete anos e exigindo manobras de desvio a cada 1,8 minutos. O temor é a ocorrência do síndrome de Kessler, uma cadeia de colisões capaz de comprometer GPS, comunicações e sistemas financeiros.

O BlueBird 6 marca um salto de escala com seus 223 metros quadrados e reforça a corrida por conexão direta no celular, com promessa de levar banda larga para além das torres terrestres.

Ao mesmo tempo, a expansão de constelações até 2026 amplia a pressão sobre a órbita baixa, elevando o debate sobre brilho no céu, necessidade de desvios e riscos de colisões em cadeia.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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