Equipamento supercondutor instalado na Huairou Science City amplia a capacidade chinesa em pesquisas com campos magnéticos intensos, materiais avançados, fenômenos quânticos e tecnologias industriais estratégicas
A China ativou em Pequim um superímã de 35,6 tesla, equipamento capaz de gerar um campo magnético mais de 700 mil vezes superior ao campo natural da Terra. A marca foi divulgada em janeiro de 2026 por fontes oficiais chinesas, incluindo a Academia Chinesa de Ciências, a Agência Xinhua, a CCTV News e o China Daily.
O avanço coloca a infraestrutura científica chinesa em uma posição de destaque na corrida global por tecnologias de alta precisão. Além disso, o equipamento deve apoiar pesquisas em semicondutores, energia limpa, medicina diagnóstica, sensores avançados e novos materiais.
Instalado na Synergetic Extreme Condition User Facility, dentro da Huairou Science City, o sistema foi desenvolvido para criar condições extremas de análise da matéria. Portanto, sua relevância está na capacidade de sustentar experimentos complexos por longos períodos.
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Superímã chinês usa tecnologia supercondutora para reduzir perdas de energia
O equipamento funciona com materiais supercondutores avançados e uma pastilha supercondutora de alta temperatura integrada ao sistema principal. Dessa forma, a estrutura reduz a resistência elétrica em condições criogênicas.
Essa característica permite menor desperdício de energia durante a operação. Consequentemente, o superímã se torna mais eficiente que modelos híbridos usados em pesquisas de campo magnético intenso.
A instalação também possui uma abertura útil de 35 milímetros, projetada para testes científicos específicos. Com isso, pesquisadores conseguem inserir amostras e realizar medições detalhadas em ambientes controlados.
Entre os principais pontos técnicos do equipamento estão:
- campo central de 35,6 tesla;
- força superior a 700 mil vezes o magnetismo terrestre;
- uso de supercondutores de alta temperatura;
- abertura útil de 35 milímetros;
- operação com maior eficiência energética;
- capacidade de sustentar testes científicos prolongados.

Tecnologia pode acelerar pesquisas em semicondutores e novos materiais
Campos magnéticos intensos funcionam como ferramentas para revelar comportamentos ocultos da matéria. Assim, partículas, elétrons e fenômenos quânticos podem ser observados com mais precisão.
Além disso, o superímã permite separar sinais sutis do ruído comum das medições tradicionais. Essa capacidade é essencial para estudos de transporte de elétrons, fases da matéria e materiais avançados.
A aplicação prática também alcança setores estratégicos da economia. Semicondutores mais eficientes, sensores de nova geração, ligas metálicas inéditas e tecnologias de armazenamento de energia estão entre os caminhos possíveis.
A estrutura deve receber pesquisas em diferentes frentes, como:
- ressonância magnética nuclear em campos elevados;
- experimentos de oscilação quântica;
- microscopia de tunelamento em temperaturas ultrabaixas;
- testes com pressão ultra-alta;
- análises de materiais sob frio extremo.
Estabilidade por mais de 200 horas transforma potência em ferramenta científica
O grande diferencial do superímã chinês está na estabilidade. Segundo as informações divulgadas, o equipamento consegue manter o campo máximo por mais de 200 horas seguidas.
Esse período supera oito dias de funcionamento contínuo. Portanto, pesquisadores podem executar medições lentas, repetidas e altamente precisas.
A estabilidade é fundamental para comprovar teorias, observar transições de fase e analisar propriedades físicas complexas. Além disso, ela permite combinar o campo magnético com pressão elevada e temperaturas extremamente baixas.
Diferentemente de demonstrações rápidas em laboratório, a estrutura chinesa foi projetada para uso científico recorrente. Dessa maneira, o equipamento amplia a capacidade de produção de dados confiáveis.
Pequim reforça posição na corrida global por infraestrutura científica
A corrida por campos magnéticos de alta potência envolve grandes centros de pesquisa internacionais. Durante anos, laboratórios de outros países lideraram projetos voltados para sistemas supercondutores e híbridos.
Agora, a China amplia sua presença nesse setor com uma infraestrutura voltada para experimentos de longa duração. Além disso, o país busca atrair cientistas, estimular publicações internacionais e fortalecer tecnologias de aplicação industrial.
O avanço também tem impacto na cadeia produtiva. A fabricação de fitas supercondutoras, sensores refinados, componentes eletrônicos e sistemas criogênicos pode gerar ganhos para setores de alta tecnologia.
A instalação chinesa deve seguir três caminhos principais:
- ampliar o tempo de uso para pesquisadores;
- estimular descobertas em revistas científicas;
- aproximar ciência extrema de aplicações industriais.
Futuro do superímã dependerá das descobertas geradas em laboratório
O impacto real do superímã não será medido apenas pelo número de teslas. Na prática, sua importância dependerá das pesquisas realizadas em Pequim nos próximos anos.
Novas fases da matéria, avanços em data centers, melhorias no armazenamento de energia e componentes eletrônicos mais eficientes estão entre os resultados esperados. Ainda assim, essas aplicações dependem da conversão de dados científicos em soluções industriais.
A conquista chinesa mostra que a disputa tecnológica global também passa por grandes laboratórios. Nesse cenário, o superímã de 35,6 tesla representa uma ferramenta estratégica para transformar ciência extrema em inovação concreta.

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