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Em vez de rebocar a parede, arquitetos argentinos deixaram tijolos comuns aparentes, sem rejunte tradicional, sem acabamentos, sem pintura e criaram um pavilhão vazado que parece uma instalação artística

Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 16/06/2026 às 19:45
Atualizado em 16/06/2026 às 19:47
Pavilhão em City Bell mostra como tijolos comuns podem criar parede vazada
Pavilhão em City Bell mostra como tijolos comuns podem criar parede vazada
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Pavilhão em City Bell mostra como tijolos comuns podem criar parede vazada, filtrar luz, proteger privacidade e renovar a alvenaria em um projeto residencial argentino

Em vez de rebocar a parede, arquitetos argentinos deixaram tijolos comuns aparentes e criaram um pavilhão vazado que parece uma instalação artística. A construção fica em City Bell, La Plata, Buenos Aires, Argentina, e usa painéis secos para formar uma fachada com cheios e vazios.

As informações foram publicadas por Brick Architecture, plataforma especializada em arquitetura com tijolos. O projeto é do Estudio Botteri Connell e mostra um uso diferente para um material muito conhecido na construção brasileira: o tijolo comum.

O pavilhão tem 120m², registrado no ano 2016 e foi pensado para uma obra residencial de pequena escala. A solução não transforma o tijolo em parede estrutural comum. Ela usa as peças como uma pele vazada, com luz filtrada e mais privacidade.

Tijolos comuns ficaram aparentes e mudaram a aparência de uma obra residencial

O ponto mais curioso do projeto está na escolha de deixar o tijolo comum como protagonista. Em muitas obras, esse material some atrás de reboco, pintura ou outros acabamentos. No pavilhão argentino, ele aparece como desenho da própria fachada.

Arquitetos argentinos deixaram tijolos comuns aparentes, sem rejunte tradicional
Arquitetos argentinos deixaram tijolos comuns aparentes, sem rejunte tradicional

A construção foi feita em um terreno suburbano nos arredores de La Plata, em uma área que já tinha uma casa de apoio à piscina e uma piscina. O novo volume foi pensado para quatro quartos usados em fins de semana.

A leitura visual fica diferente porque os tijolos não formam uma parede fechada. Eles criam uma trama aberta, parecida com uma tela rígida, que separa ambientes sem bloquear tudo.

Como os painéis secos usam 55 tijolos inteiros e 22 meios tijolos em cada módulo

O sistema usa painéis de tijolos autossustentados em construção seca. Em palavras simples, as peças são organizadas sem a argamassa comum, aquela massa usada para unir tijolos em uma parede tradicional.

Cada módulo reúne 55 tijolos inteiros e 22 meios tijolos. A alternância entre peças completas, peças cortadas e espaços vazios cria uma parede meio aberta.

Esse arranjo faz o tijolo trabalhar de outro jeito. Em vez de virar apenas uma superfície pesada e fechada, ele passa a funcionar como um filtro visual.

O quadro metálico ajuda a manter a trama de tijolos no lugar

O conjunto usa um quadro metálico para organizar as peças. Essa estrutura serve como contorno para a montagem e permite que os tijolos sigam um ritmo repetido, com partes cheias e partes vazias.

Brick Architecture, plataforma especializada em arquitetura com tijolos, detalhou que o fechamento externo é formado por painéis secos autossustentados. Isso ajuda a entender por que o pavilhão não deve ser visto como uma alvenaria comum.

O sistema usa painéis de tijolos autossustentados em construção seca.
O sistema usa painéis de tijolos autossustentados em construção seca.

A estrutura principal também envolve planos horizontais e verticais de concreto armado, que é concreto reforçado com aço. Por isso, a parede de tijolos vazados não aparece como substituta direta de uma parede estrutural tradicional.

A parede vazada filtra a luz e protege a privacidade sem fechar tudo

A trama de tijolos deixa a claridade passar pelos vazios entre as peças. Com isso, a luz entra de forma filtrada, sem criar uma fachada completamente aberta.

Esse desenho também ajuda na privacidade. Quem está fora encontra uma barreira visual, enquanto os quartos continuam recebendo luz e ligação com a área externa.

Nos painéis da fachada sul, a composição ainda conta com possibilidade de deslocamento. Essa solução permite abrir conexão entre os quartos e o lado de fora, sem abandonar a lógica da parede vazada.

O resultado lembra cobogó e muxarabi, mas usa tijolo comum de outro jeito

Para o público brasileiro, a comparação mais fácil está no cobogó, peça vazada muito usada para deixar luz e ventilação visual passarem. O muxarabi também ajuda a entender a ideia, pois é um tipo de fechamento vazado que protege a privacidade.

A parede vazada filtra a luz e protege a privacidade sem fechar tudo
A parede vazada filtra a luz e protege a privacidade sem fechar tudo

A diferença está no material e na montagem. O pavilhão usa tijolos comuns, peças inteiras e peças cortadas dentro de um sistema seco. Assim, um material simples ganha aparência de obra experimental.

A fachada não vira apenas uma parede. Ela passa a participar da experiência do espaço, criando sombra, textura e movimento visual.

Por que esse pavilhão argentino chama atenção para a construção no Brasil

O projeto interessa porque usa um material comum em uma lógica menos óbvia. O tijolo continua sendo tijolo, mas deixa de ser apenas uma peça escondida na obra.

Para a construção brasileira, a ideia abre uma reflexão simples. Materiais conhecidos podem ganhar novas funções quando o projeto muda a forma de organizar, apoiar e expor cada peça.

Isso não significa que qualquer parede possa ser feita assim. Uma solução com tijolos sem rejunte tradicional depende de projeto, estrutura, apoio e execução adequada.

O pavilhão de City Bell mostra que a inovação na arquitetura nem sempre precisa vir de um material raro ou caro. Às vezes, ela aparece quando uma peça antiga ganha uma nova lógica de montagem.

A obra argentina transformou tijolos comuns em fachada vazada, filtro de luz e elemento de privacidade. Você acha que uma solução assim teria espaço em casas brasileiras, ou o tijolo aparente ainda é visto como simples demais por aqui?

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Flavia Marinho

Flavia Marinho é Engenheira pós-graduada, com vasta experiência na indústria de construção naval onshore e offshore. Nos últimos anos, tem se dedicado a escrever artigos para sites de notícias nas áreas militar, segurança, indústria, petróleo e gás, energia, construção naval, geopolítica, empregos e cursos. Entre em contato com flaviacamil@gmail.com ou WhatsApp +55 21 973996379 para correções, sugestão de pauta, divulgação de vagas de emprego ou proposta de publicidade em nosso portal.

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