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Reforma tributária vai esvaziar Simples Nacional e lucro presumido, elevar carga de serviços e empurrar milhares de pequenas empresas para o lucro real em busca de crédito, competitividade e sobrevivência

Escrito por Carla Teles
Publicado em 11/12/2025 às 23:11
Assista o vídeoReforma tributária vai esvaziar Simples Nacional e lucro presumido, elevar carga de serviços e empurrar milhares de pequenas empresas para o lucro real em busca de crédito
Reforma tributária cria IVA com IBS e CBS, esvazia Simples Nacional e lucro presumido e empurra milhares de empresas para o lucro real.
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Reforma tributária cria um IVA com IBS e CBS iguais para todos, tira vantagens ocultas de Simples Nacional e lucro presumido e muda a lógica da competição entre empresas

A reforma tributária brasileira não vai mexer só com alíquotas e nomes de impostos. Ela tende a mudar a forma como milhões de negócios escolhem seu regime fiscal e como se posicionam no mercado. Na prática, Simples Nacional e lucro presumido continuam existindo na lei, mas perdem grande parte da força competitiva que têm hoje à medida que o novo IVA, formado por IBS e CBS, passa a concentrar a tributação sobre o consumo de maneira uniforme.

Isso significa que a velha “escadinha tributária”, começar no Simples, migrar para o lucro presumido e só depois encarar o lucro real, deixa de fazer sentido para uma fatia importante das empresas, principalmente de serviços e B2B. Com o imposto sobre consumo ficando igual para todos, Simples Nacional e lucro presumido deixam de ser sinônimo automático de pagar menos e passam a ser apenas mais uma peça num jogo em que crédito de IBS e CBS e estrutura de custos vão decidir quem sobrevive.

Simples Nacional, lucro presumido e lucro real: como a lógica funciona hoje

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Hoje, o Brasil tem cerca de 18 milhões de empresas enquadradas no Simples Nacional, algo em torno de mais de 80% dos CNPJs ativos. Isso não é por acaso. O Simples oferece dois ativos valiosos para o pequeno empresário: menos burocracia e um benefício econômico implícito.

Dentro da alíquota única do DAS, estão embutidas parcelas de ICMS, ISS, PIS e Cofins menores do que normalmente seriam devidas no regime “cheio”, o que torna o regime muito atrativo.

Já o lucro presumido virou a rota natural de quem estoura o teto do Simples, mas ainda não está pronto para o lucro real.

É especialmente importante para empresas de serviços, porque hoje a combinação de PIS e Cofins no modelo cumulativo, em torno de 3,65%, representa uma carga bem mais leve do que os cerca de 9,25% do regime não cumulativo. Em outras palavras, muita empresa de serviço só se mantém viável porque está no lucro presumido.

O lucro real, por sua vez, é o regime tecnicamente mais justo: o imposto incide sobre o lucro efetivo, não sobre faturamento ou margens presumidas. Em teoria, ele permitiria pagar menos, principalmente para negócios com margens apertadas.

Mas, na prática, o custo de compliance afasta a maioria dos pequenos e médios. Exige contabilidade completa, apuração detalhada, registro de despesas dedutíveis e uma boa estrutura contábil. Resultado: só empresas maiores, mais maduras e organizadas se arriscam a usar tudo o que o lucro real oferece.

O que muda com o novo IVA, IBS e CBS

Com a reforma, o Brasil caminha para um IVA dual, formado por IBS (imposto compartilhado por estados e municípios) e CBS (contribuição federal), destacado nas notas fiscais, sem cumulatividade e com crédito financeiro amplo. A lógica é simples e dura: imposto sobre consumo igual para todos, independentemente do porte da empresa ou do regime tributário.

As projeções indicam uma CBS na faixa de 9,25% e um IBS em torno de 18%, somando algo perto de 27% de carga sobre bens e serviços em muitos casos. É um imposto alto, e o mais importante: ele passa a ser visível e destacado na nota, inclusive para quem está no Simples, na modalidade “híbrida” prevista pela Lei Complementar 214.

Nessa configuração, a principal vantagem escondida do Simples Nacional – o consumo menos tributado via DAS – tende a desaparecer. Mesmo permanecendo no regime simplificado para IRPJ, CSLL, INSS e outros tributos, o empresário passa a operar o IBS e a CBS no mesmo patamar dos grandes, sob o mesmo IVA.

Por que Simples Nacional e lucro presumido perdem força

Hoje, quem está no Simples consegue vender para empresas maiores sem “prejudicar” o cliente: a legislação permite que quem está no lucro real tome crédito integral de PIS e Cofins mesmo comprando de fornecedor do Simples, que na prática pagou menos imposto embutido no DAS. É um crédito fictício, mas extremamente vantajoso para o fornecedor pequeno.

Com o IVA pós-reforma, o crédito do cliente passa a ser limitado ao imposto efetivamente recolhido pelo fornecedor. Se o fornecedor estiver no Simples e não destacar IBS e CBS, entregará menos crédito tributário para o comprador. Em mercados B2B, isso tende a ser mortal: o fornecedor que não gera crédito cheio perde competitividade versus quem destaca IBS e CBS integralmente.

Resultado:
Simples Nacional e lucro presumido deixam de ser regimes “baratos por natureza” e se tornam, em muitos casos, um peso competitivo.
Para continuar jogando o jogo B2B, o pequeno terá de, pelo menos, aderir ao Simples híbrido, destacando IBS e CBS na nota, ou considerar a migração para o lucro real.

O lucro presumido, em especial, perde praticamente tudo o que o tornava atraente. Sem PIS/Cofins cumulativo de 3,65% e com CBS não cumulativa em 9,25% mais IBS em cerca de 18%, a carga explode. E como não há o mesmo ganho em créditos que no lucro real, o regime fica espremido: burocracia não tão simples, carga não tão baixa.

Setores de serviços e B2B: onde o impacto é mais forte

Quem mais tende a sofrer com essa nova ordem são os setores intensivos em serviços e com pouca despesa que gera crédito: tecnologia, marketing, consultoria, educação, saúde, estética, TI, entre outros.

Essas empresas:
Pagam hoje PIS/Cofins em regime cumulativo mais baixo, o que favorece o lucro presumido.
Têm poucos insumos físicos, pouca compra de mercadorias, pouco gasto com itens que geram créditos relevantes de IBS e CBS.

No cenário pós-reforma, a CBS sobe para a casa de 9,25% e o IBS para algo em torno de 18%, com uma base de crédito limitada, porque a estrutura de custos não muda da noite para o dia. A conta é direta: a carga pode mais que dobrar em muitos casos, enquanto o espaço para compensação é pequeno.

Para empresas B2B, que vendem para outras empresas que tomam crédito, a equação é ainda mais dura. Fornecedor que não gera crédito cheio passa a valer menos. E isso empurra negócios de serviços para uma escolha incômoda:
Ficar no Simples Nacional e lucro presumido e perder competitividade.
Ou migrar para o lucro real, assumir maior custo contábil, mas maximizar créditos de IBS e CBS e tributar apenas o lucro efetivo.

Onde ainda faz sentido ficar no Simples Nacional

Nem tudo é tragédia. Nem todo negócio será expulso de Simples Nacional e lucro presumido da mesma forma. O impacto é bem diferente para quem atua majoritariamente no B2C, vendendo para consumidor final.

Salão de beleza, padaria, restaurante de bairro, oficina mecânica local, pequenos comércios que vendem diretamente para pessoas físicas e quase não lidam com empresas que tomam crédito de IVA tendem a continuar encontrando valor no Simples. Nesses casos:

  • O cliente final não aproveita crédito de IBS e CBS.
  • A burocracia menor do Simples Nacional continua sendo um diferencial real.
  • A sensibilidade do cliente é ao preço final, não ao crédito tributário.

Nesses segmentos, Simples Nacional e lucro presumido ainda podem se manter competitivos, especialmente para empresas menores e focadas em atendimento local. Mesmo assim, a análise terá de ser mais fina do que hoje: peso da carga sobre consumo, composição de custos, margem de lucro e perfil da clientela precisarão entrar na conta.

Por que o lucro real passa a ser o “novo normal” para milhares de empresas

Quando o IVA se torna igual para todos e Simples Nacional e lucro presumido deixam de concentrar vantagens sobre o consumo, a pergunta-chave muda. Em vez de “qual regime paga menos por definição?”, a dúvida passa a ser:

Qual regime me permite recuperar mais créditos e pagar imposto sobre a base mais justa possível?

Nesse novo ambiente, o lucro real deixa de ser um “bicho-papão de grande empresa” e começa a aparecer como ponto de equilíbrio para muitos negócios. Motivos:

No lucro real, a empresa tributa o lucro efetivo, o que é vantajoso para quem trabalha com margens mais apertadas.
Todos os créditos possíveis de IBS e CBS podem ser aproveitados, o que reduz a carga do IVA ao longo da cadeia.
Se o empresário já for obrigado a destacar IBS e CBS na nota para não perder competitividade, a barreira psicológica contra o lucro real diminui.

Na prática, muitas empresas vão acabar migrando para o lucro real não porque ele ficou barato, mas porque os outros regimes ficaram caros e perderam o diferencial. A escadinha “Simples → lucro presumido → lucro real” se desfaz, e o planejamento passa a ser: “qual combinação de regime e estrutura contábil me dá mais crédito, mais competitividade e menos imposto no fim do ano?”.

Como se preparar para a transição e não ser pego de surpresa

A reforma tributária terá fase de transição e só estará plena por volta de 2033, mas os primeiros efeitos do IVA aparecem já nos próximos anos, ainda com alíquotas simbólicas. Isso é pouco em valor absoluto, mas enorme em termos de sinal.

Para quem hoje está no Simples Nacional e lucro presumido, especialmente em serviços e B2B, o recado é claro:

  • Não dá mais para tratar regime tributário como detalhe burocrático.
  • Será preciso simular cenários com e sem migração para o lucro real, considerando créditos de IBS e CBS, margens de lucro e perfil dos clientes.
  • Organizar contabilidade, classificar despesas e entender o que é dedutível deixa de ser luxo e passa a ser condição de sobrevivência.

A reforma não pune apenas quem fatura muito. Ela penaliza, sobretudo, quem opera com margens pequenas e pouca gordura para errar. Pequenas e médias empresas que não se planejarem correm o risco de descobrir o impacto da reforma na prática, já com o caixa apertado.

E você, já começou a simular como a reforma tributária vai afetar sua empresa? Acha que vai continuar em Simples Nacional e lucro presumido ou considera migrar para o lucro real para se manter competitivo?

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Carlos
Carlos
17/12/2025 00:07

Vai ser panico major, quero nem ver kkk

Vicente Grillo
Vicente Grillo
16/12/2025 00:02

Excelente artigo. Quem critica não entende nada de nada…

José Lopes
José Lopes
13/12/2025 23:31

O país está afundando em mare a berto, o nosso Brasil tem mais de 18 milhões de abitante recebendo uma migalha de 600 reais, isso faz eles não trabalham e nem procura o trabalho diguino, no momento esta sobrando emprego, eles não estão nem aí, certeza votar errado nas próximas eleições, quando eles acordam pra vida vai ser tarde de mais, não vai essa migalha pra comprar comida e nem trabalho, o choro vai ser maior, quem sabe nessa próxima eleições ele acorda pra vida e vota certo.

Sônia Maria
Sônia Maria
Em resposta a  José Lopes
15/12/2025 13:56

Vocês já parou para pensar que essa migalha, ajuda muitas que trabalham? Te dou um ex. Um pai de família que recebe em media 3.000,00 e com esse dinheiro tem que pagar aluguel porque ele não tem casa própria e nem dinheiro para aplicar e pagar e pagar o aluguel com dividendos, casas essas que está na mão dos que tem mais, ee além do aluguel precisa pagar água, luz, e comer, essa ajuda é primordial , e já pensou, que essas pessoas não conseguem o emprego por não tiveram a oportunidade que você teve de conhecimento e preparo para o mercado de trabalho? Cuidado serás julgado com mesma medida que está julgando.

Claudio
Claudio
Em resposta a  Sônia Maria
16/12/2025 13:44

Qualquer brasileiro digno pediria menos impostos para que, justamente os empresários que giram a economia gerando empregos, consigam prosperar e o país consiga ter um ambiente mais favorável a geração de novos negócios fortalecendo a economia nacional e brigando com empresas do exterior.

Esse pensamento de que os ricos precisam ser mais taxados etc. Quem bate palma para isso é ignorante ou age de má fé, pois é obvio que isso cairá na conta do mais pobre que usa produtos e serviços de alguma empresa.

Por fim, o ambiente favorável para essa pessoa que você citou que ganha 3 mil reais por mês é ter o menor peso possível do estado. Desta forma, abrindo o mercado e deixando ele mais competitivo, empresas oferecerão o melhor serviço a um preço mais baixo possível para não perder para a concorrência.

Agora imagine isso com empresas de energia, gás, água, etc. Eu moro no RJ. Aqui eu já não vejo esperança e quando falta luz eu não posso simplesmente cancelar e colocar outra. Quando a conta vem errada, na minha visão, é um parto para contestar. Não posso ir para outro lugar, pois toda cidade possui o monopólio.

O ‘governo’ defende também a energia limpa e no governo atual o imposto sobre painés solares foi para 20%-25%.

É só ladeira abaixo, mas pra quem quiser ficar defendendo o Lula e as atrocidades que ele e seus camaradas fazem, tudo bem. Fico triste apenas pelos mais humildes e ignorantes que não observam isso para termos um ar de esperança no futuro.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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